Competitividade tecnológica

Competitividade tecnológica

Carros brasileiros ainda têm um percentual elevado de componentes importados

Renato Rossi

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O Fiat Pulse acaba de conquistar o prêmio internacional iF Design Award 2022, na categoria Produto Automóveis/Veículos. A marca iF é reconhecida internacionalmente como um símbolo de excelência em design e premiação e é uma das mais tradicionais e prestigiadas do mundo. O Pulse é o primeiro SUV da Fiat no Brasil, e foi integralmente desenvolvido pelo Centro de Engenharia e Design Center da Stellantis, em Betim (MG). Na equipe de criação, 90% dos profissionais são brasileiros. 

A premiação chega para a Fiat num momento em que o processo de globalização da indústria automotiva é questionado. A globalização, na teoria, é a troca saudável de tecnologia e recursos humanos entre países. Mas a globalização é hoje uma concentração de poder em países avançados tecnologicamente, com a China à frente. E a partir dos anos 2000 atingiu os produtores de autopeças e componentes no Brasil, que não acompanharam os saltos tecnológicos ocorridos nestes países mais desenvolvidos. Alguns com áreas físicas que não são um décimo da área do Brasil como a ilha de Taiwan ou a Coreia. 

A crise dos semicondutores mostrou um outro lado, da distorção do processo de globalização por questões financeiras, na redução dos custos de produção. Então, o excessivo poder se concentrou em poucas empresas que produzem componentes complexos por preços competitivos. Mas a redução da concentração do poder tecnológico acontecerá se houver a participação de mais países, que já têm sólidos parques industriais e devem evoluir na tecnologia. E o Brasil, atualmente, só agrega tecnologia se for importada. E os carros brasileiros ainda têm um percentual elevado de componentes eletrônicos de fora. Então, chegou a hora de o veículo brasileiro, altamente tecnológico, ser competitivo no mundo todo.

 


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