Incerteza

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Produção de automóveis oscila entre resultados sólidos e instabilidade de mercado

Renato Rossi

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A Stellantis revelou nesta semana sua lucratividade referente aos três primeiros meses de 2021. O lucro líquido no período foi de 34,3 bilhões de euros. As vendas consolidadas somaram 1,56 milhão de unidades, e o aumento em vendas foi de 11% em relação ao mesmo período de 2020. O resultado financeiro mostra consistência e confiança.

Mas o segundo trimestre não parece nítido. Ao contrário, a tragédia na Índia choca o mundo. Ainda mais porque a Índia é um dos grandes produtores de vacinas no mundo. A crise da Covid-19 no país pode ter reflexos negativos na economia global e no setor automotivo. Há investimentos bilionários de marcas ocidentais na Índia.

Os Estados Unidos esperam por uma nova onda que pode ser ainda mais destrutiva. Num momento em que a vacina renova a esperança de que o país volte à normalidade. Para a indústria automotiva há ainda a crise do chip. Falta este minúsculo componente eletrônico, sem o qual carros não saem do lugar. A Ford estacionou 120 mil picapes por falta de chips numa área desértica do estado de Kentucky, no Sul dos EUA. Há milhares de unidades da F-150, responsável por 70% da lucratividade da montadora americana no mundo. O estacionamento gigante teve reflexo negativo para a Ford, que viu o preço das ações baixarem em Wall Street.

Foi só a Stellantis informar ao mercado que vai parar com a produção em algumas fábricas nos Estados Unidos para que a sua sólida lucratividade fosse esquecida e as suas ações se desvalorizassem. O maior inimigo dos seres humanos e da economia, nestes tempos tão duros, é justamente a incerteza.

 


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