Adeus subtrama

Adeus subtrama

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Quando li que a cineasta Sofia Coppola iria fazer uma nova versão de "O Estranho Que Nós Amamos" (The Beguiled) com uma visão totalmente mostrada no clássico de 1971 dirigido por Don Siegel e estrelado por Clint Eastwood, vibrei. Que legal. Como seria esta visão?

Pois bem, a diretora, filha do diretor Francis Ford Coppola simplesmente protagonizou um assassinato cinematográfico. Sofia simplesmente e preguiçosamente refilmou a trama quase quadro a quadro, mas suprimindo cenas e fatos importantes da história.

Nela, passada durante a Guerra da Sucessão dos Estados Unidos, o soldado federado John McBurney (Colin Farrell, revivendo o papel de Clint Eastwood), ferido, se perde de sua tropa e é encontrado na floresta por uma garotinha, estudante de uma escola feminina das proximidades, administrada por Martha Farnsworth (Nicole Kidman, no papel que originalmente foi de Geraldine Page). Ao invés de entregar o soldado para os militares sulistas, as mulheres da instituição, entre elas Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning) decidem mantê-lo na escola, e aos poucos vão caindo nos encantos dele. Que não é flor que se cheire e vai seduzindo uma a uma, pensando apenas em salvar a sua pele, pois o objetivo de algumas delas é entregá-los as tropas sulistas.


Mas Sofia Coppola não deveria mexer em vespeiros. Por medo do politicamente correto, ela tira a cena em que McBurney beija na boca uma garotinha de 13 anos. E simplesmente esquece a subtrama do irmão de Martha Farnsworth, pois os dois mantinham um relacionamento incestuoso. E pior é limar completamente a escrava Hallie, que era quem realmente cuidava de McBurney e protagonizava com ele uma discussão sobre escravidão e racismo. E Sofia Coppola deixa de lado. Além do que, as atuações de Colin Farrel e Nicole Kidman são quase burocráticas, distante anos-luz das interpretações viscerais de Eastwood e Geraldine Page. Definitivamente o cinema não aprende.

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895