Almodòvar na veia
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Almodòvar na veia

Nova obra do diretor espanhol é retrato muito parecido a sua própria vida, como criador e como ser humano

Por
Marcos Santuario

Antônio Banderas recebeu na recente edição do Festival de Cannes prêmio por sua atuação no filme de Almodóvar, vivendo o realizador em crise de criatividade

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Todos os filmes de Pedro Almodòvar são esperados. Tanto pelos fãs quanto por curiosos de plantão. E costumam dar o que falar. Depois dos mais recentes “Fale com Ela” (2002), “Má Educação” (2004), “Volver” (2006), “Abraços Partidos” (2009), “A Pele que Habito” (2011), “Os Amantes Passageiros” (2013) e “Julieta” (2016), o diretor espanhol chega às telas com “Dor e Glória”. Ovacionado em sua première na recente edição do Festival de Cannes e vencedor do Prêmio do Júri pela interpretação de Antonio Banderas, o filme retrata a história de Salvador Mallo. Trata-se de um diretor que está em crise de criatividade e, uma homenagem a um de seus antigos filmes o coloca novamente em contato com um ator, com quem teve uma relação conflituosa.

Almodóvar declarou, em diversos momentos, que não se trata de uma autobiografia, mas as semelhanças são gritantes. O diretor de Cinema Mallo, vivido por um intenso Banderas, remete ao Almodóvar desde o corte de cabelo até os problemas de saúde que incomodam o protagonista. Na tela vão surgindo as emoções de um homem da arte que enfrenta seu próprio declínio físico, enquanto rememora sua infância, juventude e vida adulta. Vive então uma espécie de catarse, narrando sua história, enquanto tenta curar feridas emocionais com o presente.

Além da elogiada e premiada atuação de Antonio Banderas, “Dor e Glória” conta ainda com os talentos de Penélope Cruz (vivendo a mãe do jovem Mallo), Asier Exeandia, Leonardo Sbaraglia, Nora Navas, Cecilia Roth, Julieta Serrano, Susi Sánchez e Julián López. O conjunto de atuações dá a trama uma densidade típica dos filmes do diretor espanhol com o detalhe de que muitos dos figurinos e adereços, incluindo a decoração do apartamento do protagonista em Madri (que está na rua em que o diretor vive na realidade), possuem quadros e livros do próprio Pedro Almodóvar. “Dor e Glória” é também uma crítica sobre a importância da arte no contexto individual e universal.