Histórico e necessário
capa

Histórico e necessário

Em 'Legalidade' a história do Brasil, e do RIo Grande do Sul, ganham uma dramaticidade que não atrapalha os fatos

Por
Marcos Santuario

Filme apresenta última atuação do ator gaúcho Leonardo Machado, que viveu o líder Leonel Brizola na tela

publicidade

Capítulo importante da história política brasileira acaba de ser plasmado na tela com o surgimento do longa metragem “LEGALIDADE”, do realizador Zeca Brito. Inteiramente rodado no estado do Rio Grande do Sul, o filme mescla realidade e ficção, reúne elementos cinematográficos e humanos, triângulo amoroso, a luta por uma causa cívica, uma revolução feita pelas ondas do rádio. O movimento de resistência que criou a Rede da Legalidade aparece na tela em uma dramaturgia que trata de deixar a mostra o poder da comunicação gerando uma verdadeira demonstração de força e civilidade. 

O líder deste movimento, o gaúcho Leonel Brizola é vivido pelo ator Leonardo Machado, em seu último trabalho antes de falecer. Ao lado de nomes como Cleo Pires, Fernando Alves Pinto, Leticia Sabatella e José Henrique Ligabue, o filme aborda o momento histórico brasileiro, em 1961, quando o presidente da República, Jânio Quadros, renuncia e seu vice, João Goulart, deve ascender ao posto. Para evitar que um golpe organizado pelos militares entrasse em curso, o governador do estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, inicia um movimento inédito no país, pelo respeito à Constituição Federal.   

O diretor revelou que queria falar de seu país e das raízes políticas que ligam o Brasil à América Latina. E consegue apresentar a temática com força narrativa e com coerência de atuações. A escolha de centrar parte da trama também em um romance, pra trazer as possíveis visões opostas de mundo também funciona no arco da narrativa. Há também uma temporalidade que se expande, unindo épocas e conduzindo o espectador para diferetentes tempos e lugares. Os contextos unem 1961 e 2004, ano da morte de Brizola.

A escolha do fio condutor, com a investigação da jornalista Blanca, serve como elo que envolve e estimula.

O resultado do projeto é um resgate histórico, enriquecido com o uso da ficção e de uma narrativa que o torna mais contemporâneo e necessário do que se pode imaginar.

Leia demais posts do blog