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Pessoal e conflitivo

'Los Silencios' é uma coprodução entre Brasil Colômbia e França

Por
Marcos Santuario

Filme, que trata de vivências intensas em meio às buscas pessoais e familiares, tem Enrique Diaz em um dos papéis principais

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A direção de Beatriz Seigner em "Los Silêncios" se mostra segura e apurada. Ela dirigiu Marleyda Soto e Enrique Diaz neste filme que teve estreia mundial na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes. Foi bem. Na trama, que trata da história de Amparo (Marleyda), que foge com seus filhos pequenos

do conflito armado colombiano e encontra o pai das crianças (Enrique), até então desaparecido, na fronteira com Brasil. Admiradora do cinema asiático, Beatriz já tinha mostrado sua paixão pelo exótico e pelo intenso da floresta e de suas belezas no seu trabalaho anterior, "Bollywood Dream".

 

Mas em "Los Silêncios" vai mais longe e mais profundo. Reflete sobre o contemporâneo e sobre o gênero feminino. Com somente dois atores profissionais, Marleyda e Enrique, faz da floresta e da intimidade por ela permitida seu elemento fundamental da narrativa. Será que o marido está vivo ou está morto? Em busca da resposta ela tenta conseguir asilo político no Brasil.  Talvez o marido esteja somente aguardando para acompanhar a mulher em sua nova jornada fora da fronteira de seu país.

Tem também referência às Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), no relato de um personagem que surge para dar o tom de contextualização da narrativa. Uma imersão interessante nas camadas diversas do processo narrativo da trama.