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Regresso intenso

Em "Deslembro" a memória do não vivido se funde com um universo de perdas e danos

Por
Marcos Santuario

Filme tem uma narrativa densa mas apresentada de forma a conquistar o espectador

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Um dos esperados filmes brasileios deste primeiro semestre é "Deslembro", dirigido por Flávia Castro, Ela  já apresentou o documentário “Diário de Uma Busca”, vencedor do Prêmio da Crítica, no Festival de Cinema de Gramado de 2010, e agora chega com “Deslembro”, produzido por  Walter Salles, Gisela B. Câmara e por ela.

Com delicadez mas firmeza, o filme conta a história de uma adolescente que volta ao Brasil com a família, do exílio em Paris após decretada a anistia. Ao chegar ao Rio, a jovem Joana precisa se adaptar à cidade, da qual nada se lembra, e se aproximar da avó paterna para se lembrar da infância e do pai desaparecido durante a ditadura militar.

O olha da jovem Joana é o de  uma adolescente que se alimenta de literatura e rock. Na nova situação, no Rio de Janeiro ela inscreve sua própria história no presente, na primeira pessoa. Um dos méritos da obra é ser uma ficção que mostra a subjetividade da adolescente Joana: como ela sente, busca, sobrevive e se reinventa.

Um filme humano, com olhar social, histórico e altamente necessário.