Os desafios da área da Saúde em 2021: "O Brasil sempre foi líder em vacinas"

Os desafios da área da Saúde em 2021: "O Brasil sempre foi líder em vacinas"

Especialistas analisam como superar no próximo ano as dificuldades nas áreas mais atingidas pela pandemia em 2020

Christian Silva

Breno Riegel Santos, coordenador Serviço de Infectologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição

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A área da saúde é a mais visada durante uma pandemia. As pessoas, em todo mundo, ficam na expectativa sobre como será o ano seguinte ao da eclosão do novo coronavírus pelo mundo. E a tão esperada vacina, virá e será suficiente para conter o avanço da Covid-19. Conversamos com o coordenador Serviço de Infectologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Breno Riegel Santos. Ele também é o investigador responsável pelo estudo da vacina Janssen, divisão de vacinas da Johnson & Johnson, que o Grupo Hospitalar Conceição realiza em sua fase 3. Ao todo, os testes no GHC incluirão dois mil participantes. Cada voluntário, acima de 59 anos e sem comorbidades, deverá receber uma dose da vacina.

Como andam os testes com a vacina contra a Covid-19 do laboratório belga Janssen, no GHC, onde o senhor é o investigador responsável?

A fase 3 da vacina Janssen (VAC31518COV3001) encontra-se em fase final de recrutamento dos últimos participantes voluntários no Brasil e no resto do mundo. As aplicações do produto ou placebo transcorrem sem problemas, todos os sintomas são acompanhados pela equipe e não tivemos nenhum caso de evento adverso grave.

Qual a expectativa com essa vacina? Foram mais de 4 mil inscritos em dois dias, isso mostra a preocupação da população, não é?

A vacina Janssen não é vacina com vírus SARS-CoV-2 inativado, mas sim utilizado um adenovírus humano transformado para produzir a proteína da espícula do coronavírus, que é a porção do vírus necessária para entrada na célula humana. Por não utilizar nenhum vírus e sim, apenas a proteína superficial, não há risco humano.

De modo geral, quando o senhor acredita que as primeiras vacinas cheguem ao Brasil?

Já há vacinas disponíveis no Brasil – Coronavac - e outras prontas – Pfizer - além de outra avançada- AstraZeneca, além da Janssen. Cabe ao Ministério da Saúde decidir o que fazer.

Como o senhor analisa a condução do governo federal quanto às vacinas?

O Brasil sempre foi líder em vacinas, vide a da Febre Amarela no início do século passado. Certamente teremos uma resposta à altura das necessidades nesta pandemia.

Após esta fase 3, quais as próximas etapas para a vacina Janssen?

Comprovada a eficácia, a vacina entra na fase 4 que é a de disponibilização ao público via campanhas de vacinação e é quando os eventos menos frequentes são anotados se e quando ocorrerem.

Um dos temas de maior discussão no momento é o da reinfecção. O que se sabe sobre isso? As pessoas que pegaram uma vez a Covid-19 podem ficar quantos meses “tranquilos” de que não vão contrair novamente?

Não se sabe qual a frequência da reinfecção. Sabe-se que ocorre e isso deve significar perda da imunidade com o tempo.

É verdade que as pessoas que já contraíram a doença, sentirão efeitos maiores em uma eventual segunda infecção? Será mais grave? Por quê?

Essa resposta ainda está necessitando comprovação. Existem alguns casos de sintomas mais graves numa segunda infecção, mas também pode ser um falso positivo inicialmente, significando que a pessoa não teve Covid-19 na primeira vez.

Apesar de alguns hospitais chegarem a 100% da capacidade, o sistema em Porto Alegre não colapsou. Podemos correr este risco?

É melhor verificar com autoridade sanitária. Não tenho dados.

A população cansou e certamente relaxou em alguns protocolos. Qual a sua opinião sobre isso e o que recomendaria às pessoas acerca dos cuidados com o coronavírus?

Manter distanciamento social e máscara são as únicas barreiras no momento.

Quais as suas perspectivas para 2021 em relação ao tratamento da doença? Seguiremos mais um ano em pandemia? O senhor é otimista?

Estamos iniciando um estudo com um antiviral, que poderá vir a ser alternativa, mas até o momento, o que existe é tratamento precoce, anticoagulação e corticoide, cada qual no tempo certo.


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