Projota: "Vejo o rap como se fosse a maior ONG que existe"
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Projota: "Vejo o rap como se fosse a maior ONG que existe"

Cantor apresenta turnê do álbum "Tributo aos Sonhadores I" neste sábado no Opinião

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Helena Ribeiro / Especial

Projota apresenta nova turnê em Porto Alegre neste sábado no Opinião

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Porto Alegre recebe neste sábado um dos nomes mais relevantes da nova geração do hip-hop nacional: Projota. Apresentando a turnê do seu novo álbum, "Tributo aos Sonhadores I", o rapper sobe ao palco do bar Opinião (rua José do Patrocínio, 834), às 22h.

Os ingressos para o show estão à venda nos valores de R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia-entrada) e R$ 45 (com doação de 1kg de alimento). A bilheteria oficial é na Multisom Iguatemi e os demais pontos são nas lojas Multisom Andradas 1001, Loja Verse Andradas, Shopping Praia de Belas e Barra Shopping Sul. Pela internet, a entrada pode ser adquirida também no site Sympla.

Em entrevista ao jornal Correio do Povo, o artista prometeu um show completo que deixará o público em "êxtase máximo". O repertório irá mesclar os sucessos mais antigos como "Ela Só Quer Paz" aos recentes singles "Celta Vermelho" e "Sei Lá", presentes em "Tributos aos Sonhadores I", um dos trabalhos de estúdio mais íntimos dos 10 anos de estrada de Projota.

Correio do Povo: O que o público gaúcho pode esperar do show no sábado?

Projota: A gente vai trazer coisas novas porque faz um tempo que eu não toco em Porto Alegre. Eu trouxe o show completo com os sucessos lá de trás, porque é impressionante como está sempre renovando, está sempre chegando gente nova. Então é um show 'completão' para galera sair de lá no êxtase máximo.

CP: Tuas composições trazem letras que abordam temas românticos e questões sociais. Qual a mensagem que tu buscas passar com essas canções?

Projota: Sempre que eu paro para escrever é alguma coisa que me toca muito. São sempre coisas que estão bem latentes dentro de mim e que gera um sentimento tão grande que eu tenho que colocar para fora. Então sempre que faço qualquer música é para tentar alcançar esse sentimento dentro da outra pessoa também. Acessar dentro dela algo que faça a diferença na vida.

CP: Qual o papel do rap no contexto político do País? Qual a contribuição desse gênero musical para a sociedade?

Projota: Eu vejo o rap como se fosse uma grande organização não governamental. É como se fosse a maior ONG que existe, que já transformou a vida de milhões de pessoas. É uma ONG que não tem sede, que não tem vínculo com nada, não tem uma pessoa que presida, não tem um comitê. Mas tem todas as pessoas possíveis e todas têm a mesma importância. Todos com uma vontade de transformar o mundo, cada um do seu jeito, utilizando as suas armas e as suas ferramentas.

Eu acho que essa é a contribuição que o rap tem e muda mesmo as vidas das pessoas. Mudou a minha. Eu tinha 15 anos, cresci na periferia de São Paulo, uma área de risco, e se não fosse o rap com certeza eu teria encontrado maneiras ruins de utilizar meu tempo, de utilizar a minha inteligência e as minhas capacidades.

Correio do Povo: Como tu avalias atualmente a cena hip-hop no Brasil? O movimento tem ganhado mais espaço no País?

Projota: Ah, com certeza. Eu acho que a gente vem da evolução de uma estrada. Quando eu comecei, a gente via um crescimento muito grande por parte de alguns artistas, conseguindo espaço na televisão, tocando nas rádios e nos grandes festivais.

Hoje eu já vejo que com o crescimento das plataformas de streaming, com o crescimento das redes sociais, é um movimento que é muito grande, mas que nem sempre consegue esse aspecto na televisão, mas isso não tira o poder que tem. Mesmo os artistas que não acessam essas portas, eles ainda são gigantescos através dos números que eles demonstram.

CP: O teu novo álbum, "Tributo aos Sonhadores I", serve como uma espécie de autobiografia. Tu dirias que é o teu trabalho de estúdio mais pessoal?

Projota: É um trabalho bastante pessoal e visceral. Veio bem de dentro mesmo, de um momento da minha vida que eu tirei para pensar algumas coisas. E isso acabou saindo no disco como uma forma de analisar tudo que transcorreu ao longo de tantos anos de carreira. Eu canto desde os 15 anos, completo 18 anos cantando agora e 10 anos na estrada mesmo, vivendo de música. É um momento importante.

Então acho que esse disco veio para mim mesmo. E isso acaba me conectando ainda mais com os meus verdadeiros fãs, os que estão lá desde o começo. Esse disco veio bastante assim, até pelo fato de eu ter assinado a direção e a produção, ter produzido dentro de casa, feito tudo meio que sozinho.

CP: O álbum seria uma retomada ao começo da carreira?

Projota: São ciclos. Assim que eu assinei com a gravadora, eles me deram muitas possibilidades, com produtores e com estúdio para gravar. Eu, inclusive, após todo esse tempo trabalhando com esses produtores, eu consegui ganhar dinheiro suficiente pra montar o meu estúdio.

Eu produzo em casa com a aparelhagem e pessoas que me dão suporte que eu não tinha 10 anos atrás, lá no quartinho de casa quando eu morava com a minha avó. Existe uma conexão.

CP: Existe alguma faixa que tu tenhas um carinho especial neste álbum?

Projota: É um disco que eu estou apaixonado. Se eu for escolher, eu escolho "Mais uma Briga no Bar", que é a última faixa. Porque ela é muito pessoal, nem todo mundo consegue nem entender se ouvir. São coisa bem profundas, bem fortes, que eu coloquei ali no papel.

CP: A segunda parte deste projeto, que está prevista para ser lançada ainda neste ano, vai trazer essa mesma pegada? 

Projota: As coisas vão acontecendo muito 'step by step' (passo a passo) mesmo. Cada música que eu vou fazendo vai definindo, configurando o álbum. Esse primeiro disco, eu não sabia como ficaria.

O próximo talvez venha um pouco diferente. Até essas coisas musicais que eu tenho buscado é um pouco diferente: essa primeira parte está mais ligada no 'trap' (estilo de rap instrumental) e a segunda parte ela tá um pouco mais 'boom bap' (estilo clássico do rap). Então o ritmo já está um pouco diferente do que eu tenho feito.