Romildo Bolzan: "Sucesso do Grêmio vem da preservação de jovens valores"
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Romildo Bolzan: "Sucesso do Grêmio vem da preservação de jovens valores"

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Presidente Romildo Bolzan sucedeu Fábio Koff pressionado pelo jejum de títulos - Foto: Luciano Amoretti / Divulgação / Grêmio / CP memória


O Grêmio constituiu um time muito competitivo e ganhou um campeonato. Neste ano, continuamos competitivo. O resumo da situação é essa: temos um controle da situação, mas os custos financeiros e os custos do Grêmio nos assustam, pois demandam o tanto de campeonato que disputamos e isso tem uma despesa enorme, ter que fazer grupo para tudo isso, e procuramos equalizar essas questões. Ainda é um processo em andamento, mas o Grêmio é competitivo e vai procurar buscar campeonatos ainda este ano.

CP: O senhor acredita que conseguirá completar o projeto em quatro anos?

Romildo Bolzan Júnior: O projeto de equalização financeira de receita e despesa equilibrada, sim. Mas, estamos com uma situação economicamente muito saudável, pois contratualizou receitas até 2024, mas tem coisas de curto prazo a cumprir. Elas nos deixam bastante comprometidos, pois não temos fluxo de caixa suficiente, mês a mês, para cobri-las inteiras. No momento que equalizar isso, vai.

Este ano tivemos que fazer algumas situações por conta da disputa, da grandeza do campeonato que ganhamos ano passado e por conta da continuidade. Então, a questão financeira  têm receitas previsíveis e também teremos que utilizar de venda de jogadores para poder fazer mais receitas para complementar a nossa realização orçamentária do ano de 2017.

CP: Como foram as dificuldades para montar esse grupo que é considerado um dos melhores do Brasil?

Romildo Bolzan Júnior: Primeiro lugar foi substituindo algumas peças que efetivamente já tinha dado para o clube tudo aquilo que poderiam ter dado. Eram jogadores importantes, mas acabou um ciclo. A segunda foi privilegiar a base e manter a continuidade. Depois foram agregados jogadores cujo perfil atendiam perfeitamente aquilo que se desejava de um grupo competitivo. Esta mescla teve continuidade de dois anos. Então, reputo o sucesso de tudo isso à política da base, a preservação de jovens valores, agregação de valores mais experientes e a continuidade de tudo isso somando as coisas que poderiam melhorar. Essa é a receita que deu certo no futebol do Grêmio.

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Romildo identifica na base é um dos pontos que fez o Grêmio voltar a conquistar títulos - Foto: Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação / CP


O ambiente tinha uma metodologia para que isso acontecesse. Quer dizer, íamos conversar com os jogadores no vestiário. O Renato ia conversar com os jogadores. Iríamos tornar públicas algumas questões que poderiam ser tornadas públicas daquele debate. Jogadores iriam se manifestar. Criamos um ambiente de começo de campeonato. Zerou aquele processo e vamos começar uma nova fase.

Para fazer a nova fase, tínhamos que diagnosticar o que estávamos enfrentando, principalmente, no mês de maio. Naquele mês, tínhamos as oitavas de final da Copa do Brasil. A finalização da primeira fase da Libertadores e o começo do Brasileiro. Se não passássemos do Fluminense sofreríamos com questionamento. Se não começássemos bem o Campeonato Brasileiro sofreríamos questionamentos. Aquilo deu, de certa forma... não a minha contribuição para o debate, mas o diagnóstico daquele momento foi avaliar tudo isso. O que queremos? Vamos terminar o ano no mês de maio? Vamos avançar a partir daqui.

Depois da avaliação e de mais algumas colocações de ordem de temperamento, de comportamento, de justificação, do recebimento de críticas, do sucesso excessivo, de como se comporta quanto a isso… quer dizer, as questões de confiança que a direção estava dando ao grupo, tudo isso foi objeto daquele debate e resultou em uma situação extremamente positiva que fez o grupo se mobilizar. Não foi o trabalho do presidente, mas o trabalho conjunto de metodologia que deu aquele grupo a dimensão que ele tem hoje porque ele precisa ouvir algumas questões de confiança. Que todo mundo confiava neles. E eles fizeram exatamente o que tinha que ser feito.

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Romildo divide o bom momento do Grêmio com o conselho de administração e com todos que fazem o dia a dia do clube - Foto: Fabiano do Amaral / CP memória


Romildo Bolzan Júnior: “É que quando estamos jogando Gauchão não tem muita coisa para jogar. É o Gauchão e mais alguma fase da Libertadores, que temos jogado todas. Então, o Gauchão é o seguinte. Estava muito preocupado e queria derrubar a hegemonia do Inter. Seis anos, mas agora estou mais tranquilo porque o Novo Hamburgo fez esse serviço (risos). Então, a gente fica em uma situação mais tranquila.

Gostaria, como presidente, ganhar um campeonato regional. Acho importante recuperar a hegemonia gaúcha. Faz sete anos que não ganhamos e acho que está na hora de ganhar.

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Romildo Bolzan terá que vender um jogador para fechar o orçamento dentro do previsto - Foto: Carmelito Bifano


CP: O Grêmio tem necessidade de vender algum jogador na temporada?

Romildo Bolzan Júnior: O Grêmio precisa realizar receitas com venda de jogadores ou de outra forma na ordem de R$ 60 milhões, aproximadamente. Se for por venda ou de outra maneira, não importa, mas terá que realizar R$ 60 milhões para concluir a realização de receita do seu orçamento. A mais fácil é buscar na venda de jogadores. Acho que vamos ter que vender jogadores, sim.

CP: Qual o recado final para o torcedor do Grêmio?

Romildo Bolzan Júnior: Compareça, acredite, vibre, torça, sem violência, mas o Grêmio hoje é motivo de muito orgulho para todos nós, que estamos envolvidos e para aqueles que estão participando do Grêmio. Não é de graça que essa torcida levou o Grêmio a ser o clube mais popular do Rio Grande do Sul em todas as faixas sociais, segmentos e regiões. É o maior clube do Rio Grande do Sul, estatisticamente comprovado. Então, esperamos que essa torcida nos acompanhe em todos os jogos para que estimule o time a manter esse perfil e essa forma de jogar que está encantando todo o Brasil.

 

* por Carmelito Bifano