Zucchero: “Minha música é um equilíbrio entre o soul blues americano e melodias mediterrâneas”
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Zucchero: “Minha música é um equilíbrio entre o soul blues americano e melodias mediterrâneas”

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“Quando disseram que Miles Davis queria gravar ‘Dune Mosse’ comigo, pensei que era uma piada”, diz Zucchero. Foto: Meeno L. A. / Divulgação / CP


Zucchero, um dos maiores artistas musicais da Itália, está de volta com seu novo álbum internacional "Black Cat". O disco tem um sabor de rock e blues e resgata o ambiente e a espontaneidade de "Oro, Incenso e Birra", um dos discos italianos que tiveram maior sucesso de vendas em todo o mundo. Com agenda de shows no Brasil, o artista interpretará suas maiores canções em Porto Alegre, no sábado, às 21h, no Teatro do Bourbon Country (Tulio de Rose, 80). Os ingressos estão à venda pelo site e na bilheteria do Bourbon Country. O álbum "Black Cat", gravado ao longo de 2015, é uma colaboração entre Zucchero e os produtores T-Bone Burnett (Elvis Costello, Elton John, Tony Bennett), Brendan O"Brien (Bruce Springsteen, Pearl Jam, Bob Dylan) e Don Was (Rolling Stones, Iggy Pop, Bob Dylan). O trabalho é resultado de uma reunião de esforços entre Zucchero e Bono (U2), que escreveu a letra da música “Streets of Surrender’ (S.O.S.) após a tragédia no Bataclan em Paris, em novembro de 2015, e Elvis Costello, que escreveu a música “Turn The World Down”. Este álbum apresenta ainda o trabalho extraordinário de Mark Knopfler na guitarra. No repertório do show, também estarão “Partigiano Reggiano”, “Fatti di Sogni” e “Ti Voglio Sposare”.

Entre os maiores intérpretes do blues, Zucchero é o artista italiano com maior sucesso de vendas de todos os tempos. De fato, seu álbum "Oro, Incenso e Birra" vendeu mais de oito milhões de cópias e foi, durante muito tempo, foi o álbum mais bem-sucedido, em termos de vendagem, na história da música popular italiana, em todo o mundo. Numa carreira de mais de três décadas, ele obteve sucesso internacional, também por meio de suas colaborações com outros artistas de peso, entre os quais Eric Clapton, Miles Davis, Ray Charles, B.B King, Sting, Bono, Jeff Beck e Andrea Bocelli. Foi indicado para um prêmio Grammy e também ganhou dois prêmios mundiais de música (World Music Awards), quatro prêmios Festivalbar, e seis prêmios de música de sopro (Wind Music Awards) no seu país, a Itália. Em 2015, foi convidado por Bono Vox a participar do show da banda U2 na Pala Alpitour em Turim. Na ocasião, Zucchero cantou “I Still Have not Found What I’m Looking For” junto com a banda U2, e depois compareceu, como convidado, a uma apresentação de Alejandro Sanz na Barclaycard Centre em Madri, onde acabou cantando “Un Zombie A La Intemperie” e “Baila Morena”. Nesta entrevista ao Diálogos, fala do disco, das parcerias, do que faz fora da música e do encontro com Miles Davis para gravar "Dune Mosse", nos anos 1980.

Correio do Povo: O que significa este disco e esta turnê "Black Cat" no contexto da sua carreira?
Zucchero: “Black Cat” é o disco que eu queria fazer, com os sons que eu me sinto mais próximos neste momento. Por enquanto a turnê tem sido fantástica. Eu sempre quis ter uma banda de nível internacional como a que me acompanhou durante a "Black Cat World Tour".

CP: Conte-nos um pouco mais sobre as músicas e das parcerias para este disco.
Zucchero: 
O disco foi produzido por Don Was, Brendan O"Brien e T. Bone Burnett, três monstros sagrados da área. A letra em inglês de "Streets Of Surrender" (S.O.S.) foi escrita por Bono Vox e na música Mark Knopfler toca slide guitar; a letra em inglês de "Turn The World Down" foi escrita por Elvis Costello. No disco, há músicos de primeiro plano no cenário musical americano.

CP: Queria que você falasse especialmente dos esforços com Bono Vox e da importância da música ter uma mensagem forte contra esta onda de terrorismo e violência que assola a Europa?
Zucchero: 
Conheci Bono quando ele foi a Turim com o U2 para um concerto. Dei-lhe a cassete com a demo da música. Depois da terrível noite do ataque em Paris, ele me chamou dizendo que havia escrito a letra sobre os trágicos fatos de Paris. Quando eu li pela primeira vez, fiquei comovido. Para me ajudar na métrica ele também gravou uma versão com sua voz que eu guardo com muito cuidado.

CP: Como você define a sua música?
Zucchero:
 Minha música é um justo equilíbrio entre a música soul e blues americana e as melodias mediterrâneas.

CP: E sobre o público brasileiro. Que boas recordações os brasileiros te trazem?
Zucchero: 
 O público brasileiro sempre foi muito caloroso comigo desde as primeiras turnês que fiz em vosso país.

CP: O que você pode falar das mudanças no mundo da música. Do vinil para o streaming. Em que isto afetou os músicos que passaram por todas estas fases como você?
Zucchero: 
Eu sou um músico é o que me interessa é a música, não importa o suporte com o qual eu possa apreciá-lo. O disco é apenas parte do meu trabalho. A parte que mais amo é o show ao vivo, porque posso ver as reações das pessoas durante a execução das minhas músicas.

CP: Fora da música, quem é Zucchero?
Zucchero:
 Um agricultor, um fazendeiro impregnadíssimo da missão de levar adiante a minha propriedade localizada nos Apeninos, entre a Emília Romagna e a Toscana.

CP: Para fechar,  gostaria de falar de inspiração e que você contasse como foi a história da gravação da canção “Dune Mosse”, com Miles Davis, nos anos 1980, e como aquele encontro inspirou o teu mais recente disco, “Black Cat’?
Zucchero: 
Quando eles me chamaram para me dizer que Miles Davis queria gravar “Dune Mosse” comigo, eu imediatamente pensei que era uma piada porque eu estava de férias com a minha mulher e estava tentando fazer andar nosso relacionamento. Eles tiveram que me ligar duas vezes antes de me convencer. Nós voamos para Nova Iorque para gravar a música. No final da gravação, Miles Davis queria nos levar a um restaurante. Na saída do estúdio de gravação, havia uma limusine à espera de Miles Davis, a rua estava escura, o carro era preto e o interior era de couro preto. Eu entrei e quando estava sentando senti algo estranho: estava sentado em Miles Davis!!!

por Luiz Gonzaga Lopes