Confluência

Confluência

Por
Alina Souza

"Conforto-me em costurar as memórias refletidas nos desenhos dos azulejos, na justaposição dos parquês..."


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Já se passam alguns dias dentro de casa. O tempo, ora escorre lento, ora parece escapar das mãos. Melhor não pensar no amanhã. Conforto-me em costurar as memórias refletidas nos desenhos dos azulejos, na justaposição dos parquês, no branco vasto das paredes, nas pregas dos lençóis. Há um mundo aqui dentro e, pouco a pouco, aprendemos a lidar com a solidão. Mesmo isolados, sabemos que estamos juntos, ligados pelos fios invisíveis que perpassam obstáculos físicos. O medo e o desejo de recomeço nos unem, pairam nas superfícies ao redor com um pedido profundo que tudo volte ao normal. As roupas estão lavadas, o chão limpo, mas a ameaça foge à ordem, revira os pensamentos nas gavetas e nos espalha. Em cada cômodo, em cada canto e no próprio âmago perdura algo de esperança e amor. Há tanto espaço vago para deixar vencer a imaginação. Na distância, cresce também o afeto. Urgente, inquieto, invade os sonhos com a lembrança vívida daqueles a quem eu quero sempre abraçar. 


Texto e fotos: Alina Souza