Interrupção
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Interrupção

Por
Alina Souza

Artista de rua dança com boneca na Av. Farrapos em meio à pandemia do Coronavírus.

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Pena que o tempo da sinaleira foi rápido e o trânsito na Av. Farrapos fluiu em meio aos tons reticentes de uma pandemia. A urgência das outras pautas impediu que eu apreciasse mais vezes a apresentação de dança e conhecesse o artista de rua. O trajeto entre reportagens torna-se momento de devaneio, observação. Com a câmera, consigo reter o instante e revisitá-lo quando a mente busca um sentido afirmativo, transcendente. O universo lúdico nos desloca àquele lugar acolhedor quase esquecido dentro da alma. No caos, na crise, na dúvida, no impasse: a arte mostra sua face. O rapaz bailava com sua companheira imaginária. Despertava-me questionamentos sobre a solidão. Um tango improvisado na interrupção de um semáforo. E eu, o que posso criar na seara de um ano interrompido? Ah, os românticos, sempre com os sonhos nas mãos! A bailarina de pano parecia acompanhar perfeitamente os passos de seu par. Afinal, quem dá vida aos elementos somos nós. Conduzimos a coreografia, alcançamos força, equilíbrio e flexibilidade, se soubermos lidar com os intervalos.