Minha inspiração
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Minha inspiração

Por
Alina Souza

Pai pescador.

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Para vencer a solidão de tantas idas e vindas dentro da realidade fria, reconforto-me na lembrança da família. É o que se mantém perene frente às incertezas. Os valores resistem, não se desprendem da morada interior. Do meu pai, recordo das lições de simplicidade, força, persistência. Frases, momentos da infância, demonstrações de carinho nas quais eu me apoio para compreender essa vida às vezes tão abrupta. Uma vez ele me perguntou o que eu queria de almoço. Respondi: “o que tiver, pai.” Sequer imaginava que aquelas poucas palavras iriam orgulhá-lo tanto. Ele me encheu de estímulos para continuar com o jeito simples. Eu deveria ter uns 5 anos, não me lembro bem a idade. O fato ficou na mente de uma maneira indelével. Não precisou de longos discursos para me ensinar a ver a beleza da existência sem extravagâncias, apenas deu o seu exemplo. Hoje ele segue ansioso para ver o dia crescer. As enfermidades não o intimidam. Procura a praia, os vizinhos, o céu límpido. Ao encontrá-lo, reencontro a mim mesma. Enxugo lágrimas, redescubro a vontade de lutar, resgato a coragem que julguei perdida. 

 

Texto e fotos: Alina Souza