Permitir-se

Permitir-se

Alina Souza

Torres.

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Nem sempre será belo. Mas, quando o for, que não haja pudor de aproveitá-lo. Sem o peso do que não deu certo. O passado escorre entre rochas, imutável. Fala-se demasiado do tempo gasto, mas o mundo é vasto, ainda nos falta viver. Se olharmos adiante, a própria paisagem se expande e percebemos que somos pequenos no meio do quadro imenso. Tantas vezes superdimensionamos o ínfimo no íntimo, engrandecemos uma partícula mínima de dor. Existem outros territórios a descobrir — e a tomar posse dentro de si. Uma hora encontraremos um lugar que se aproxime dos sonhos e será difícil acreditar que é verdade e, sim, nós o merecemos. Alegria é uma onda límpida que nos alcança de súbito. Já a felicidade é o mar por inteiro, inclusive nos dias mais densos. Na rebentação das emoções, perderemos as cores do instante se os olhos estiverem carregados de rancor. Também precisaremos evitar que a pressa nos faça escorregar no limo. Munidos de responsabilidade diante da liberdade e persistência ao longo de períodos chuvosos, o presente se dilata, o horizonte clarifica, redesperta toda potência e fascínio.


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Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895