Crime e castigo
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Crime e castigo

Há um fato ligando umbilicalmente algumas catástrofes que andaram devastando finanças e o orgulho de clubes e torcidas.

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Não sei se vocês se aperceberam que há um fato ligando umbilicalmente algumas catástrofes  que andaram devastando finanças e o orgulho de clubes e torcidas.
Posso estar cometendo aqui uma verdade exagerada e o pecado da generalização, mas a  consequência prática de uma agremiação de futebol quando deixa as páginas esportivas dos jornais e passa a figurar nas policiais é o abismo do rebaixamento.
O Cruzeiro é o exemplo mais recente. 
Este Cruzeiro chumbado ao gramado, tolhido, patético, nem de longe é o clube grandioso e multicampeão da história. 
Feito um anti-Cruzeiro, não assusta  seus rivais: vai tempo, aterroriza e intimida o seu torcedor.
Alguém dirá que o representante mineiro caiu ontem para a Série B. Engano. 
A lâmina da guilhotina  baixou sobre a instituição quando a polícia cumpriu 16 mandados e apreendeu documentos, computadores e celulares ligados ao clube, implicado com a prática de crimes,  falsificação de documentos, apropriação indébita...
O Cruzeiro de agora cabe um clichê: o crime não compensa. Com a assombrosa diferença de que, aqui, a grande vítima é o torcedor mais ingênuo, de amor puro, logrado em seu sentimento com a crudelíssima traição da desonra, do deslustre, presos à zombaria.
Esta que é a verdade, esta que é a realidade.

GRÊMIO


Em 2004 o Grêmio conheceu o  segundo rebaixamento. 
Texto na época do site do MP: “Após o cumprimento de novas diligências pedidas à Polícia Civil, o Ministério Público ofereceu denúncia contra 11 pessoas supostamente envolvidas no caso conhecido como “ISL”. O rebaixamento começou em 2001. 
Ali começava um escândalo.
Do site, ainda: “Eles (os fatos) teriam acontecido a partir do mês de abril de 2000, nas dependências do Grêmio, para obtenção de vantagens ilícitas através de fraudes e associações.” Guerreiro era o presidente do clube.
 A conta só terminou de ser paga em 2014. O clube viveria 15 anos sem conquistar um grande título.O Corinthians caiu em 2007. 

CORINTHIANS

De Andrés Sanches depois: “A MSI era lavagem de dinheiro”. 
A pós a parceria com o fundo de investimento de Kia Joorabchian, o Corinthians acumulou dívidas de 90 milhões. Manchetes de 2005: 
“Investigação do Ministério Público indica lavagem de dinheiro da MSI”. 
Deu no que deu.

INTERNACIONAL

Em 2018 o Ministério Público cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Eldorado do Sul e Viamão ligadas a ex-dirigentes do Internacional na gestão 2015/16. 
Os investigados: o ex-presidente Piffero, Affatato, Alexandre Limeira, Emídio Marques Ferreira, Carlos Pellegrini e  Marcelo Domingues de Freitas e Castro.O Inter foi rebaixado em 2016. Do subprocurador-Geral do MP, Marcelo Dornelles na época: “O braço financeiro é uma coisa escandalosa. 
Em torno de R$ 10 milhões em espécie foram retirados do clube. 
Por fim, a questão do futebol é a mais delicada e que talvez tenha a maior expectativa...”