Grêmio deu aula de como montar time sem grana
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Grêmio deu aula de como montar time sem grana

Koff: “Há coisas que acontecem no futebol que não têm explicação”

Talvez uma frase de Koff seja definitiva para definir uma linha tênue: “Há coisas que acontecem no futebol que não têm explicação.”


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Dia 11 de agosto de 2017. Às 20h lá estava este colunista acompanhado pelo editor Carlos Corrêa e pelo fotógrafo Ricardo Giusti tocando a campainha do elegante apartamento no bairro Rio Branco. Quem abre é Fábio Koff.

A conversa se estendeu por quatro horas. O bate-papo descontraído teve pitacos importantes do filho Fabinho e a agradável participação na mesa de dona Ivone. Acontecia ali a última entrevista do eterno presidente. Ele viria a falecer em 10 de maio de 2018.

Entre tantos assuntos (a entrevista deveria ser guardada no museu do Grêmio) Koff relatou como aconteceu a montagem do time de 1995. Para refrescar a memória: em 1995 o Grêmio conquistou o bicampeonato da Libertadores, no ano seguinte seguiu dando frutos com o bi do Brasileiro e em 1997 foi tricampeão invicto da Copa do Brasil. Para os analistas, tratava-se de uma máquina.

Máquina

Não vai muito, a Placar promoveu reportagem sobre times históricos. Obviamente o Grêmio de 1995 estava lá. Uma frase resume tudo: “Era uma máquina!” Em 1995 o Grêmio disputou o Mundial diante do gigante Ajax, base da seleção holandesa. Foram 120 minutos sem gols. O jogo foi para os pênaltis. Kluivert perdeu para o Ajax, enquanto Dinho e o especialista Arce perderam para o Grêmio, que ficou com o vice-campeonato mundial. 

Quando se endeusa a montagem deste Flamengo, que gastou R$ 180 milhões em contratações, que adjetivos teriam que ser usados para definir aquele Grêmio montando quase sem grana?

É tênue e linha que divide o sucesso do fracasso com base nas contratações. O Flamengo, por exemplo, contratou laterais de 34 anos e o agora decantado atacante Gabigol ganhou, no começo de 2018, um prêmio indesejado pelos jogadores que atuam no futebol italiano. Na Inter, foi eleito o estrangeiro de pior desempenho na Itália em 2017, ganhando o "Bidone d'Oro" (lixeira de ouro). 

A frase definitiva

Talvez uma frase de Koff seja definitiva para definir esta linha tênue: “Há coisas que acontecem no futebol que não têm explicação.”

A seguir, Koff relata como se deu a montagem de uma máquina, de um Grêmio eternizado.

“Danrlei vinha da base. O Arce foi um telefonema espontâneo e desinteressado do Valdir Espinosa, que tomou a iniciativa de me indicar o Arce, que jogava lá no Paraguai. Rivarola eu fui comprar por indicação do Felipão. O Adílson voltou do Japão e estava com problemas de lesão, já tinha passado por cirurgias. Roger também estava na base. Roger, na verdade, foi escolhido pelo Felipão que viu ele treinando em um grupo escolar. 

Dinho

O Dinho foi uma destas coisas do futebol. Em um domingo, estava veraneando em Torres e recebi um telefonema do então presidente do Santos, que me contou que havia esgotado as tratativas com um jogador e se havia interesse da nossa parte nele, que me vendia por R$ 300 mil. Eles tinham feito uma operação e precisavam de R$ 300 mil. Tá bem, eu compro. Comprei e aí que telefonei para o Felipão: ‘Temos centromédio. Contratei o Dinho, que era do São Paulo, do Santos’. Ele então respondeu: ‘Me serve’. Isso foi num domingo. 

Na quarta-feira, o Grêmio ia jogar em Belém do Pará e fui junto. Aí quando fomos treinar, estava terminando o treino do Remo. O Felipão então chegou para mim e disse: ‘Presidente, o senhor não quer dizer para o Verardi ver se este rapaz, o Goiano, não quer ir lá para o Grêmio? Este me serve, eu fico com a meia cancha da Libertadores do São Paulo, me serve’. Aí avisei o Verardi para já colocar uma passagem à disposição dele. Há coisas que acontecem no futebol que não têm explicação. 

Jardel e Paulo Nunes

E bem... Jardel. Vamos ao Jardel. O Felipe não estava bem no Grêmio e achava que iam colocar ele na rua. Então queria falar comigo, chamei então para almoçar comigo. Almoçamos e ele me pediu para ligar para o Eurico Miranda porque o Vasco estava emprestando um centroavante que interessava ele, o Jardel. O Vasco estava emprestando ele parece que para o XV de Piracicaba. Peguei e liguei para o Eurico: ‘Tu tens um jogador aí que me interessa. Não faz negócio ainda, espera um pouco que vou definir, mas quero esse jogador’. Ele me perguntou quem era e quando disse que era o Jardel ele só falou: ‘Leva esta m... Ontem, quando anunciaram o nome dele no banco de reservas já foi vaiado’. E veio assim o Jardel. 


O Paulo Nunes veio na transação do zagueiro Agnaldo. Fui fazer negócio lá no Flamengo e eles tinham uma lista com cinco jogadores. Na hora que estava saindo no pátio, o Paulo Angioni me cumprimentou e me disse para levar o Paulo Nunes e o centroavante Magno. E vieram os dois. Para ver como acontecem essas coisas.”