Inveja de bairrista é ainda mais dolorosa
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Inveja de bairrista é ainda mais dolorosa

Sou bairrista de carteirinha. Assumido. Como são bairristas os paulistas, mineiros e cariocas

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Sou bairrista de carteirinha. Assumido. Como são bairristas os paulistas, mineiros e cariocas. 
O dicionário explica. Bairrista é a “pessoa que habita ou frequenta um bairro, uma parte de uma cidade; quem expressa uma adoração exagerada pelo seu lugar de nascimento, excluindo ou desprezando os demais lugares; o defensor dos interesses do seu bairro, da sua cidade ou da sua terra.” 
Quando o São Paulo mandava no futebol brasileiro eu morria de inveja. Confessei tal inveja numa coluna, que reproduzo abaixo e que ganhou enorme repercussão.
“Todos sabem que sou favorável ao sistema mata-mata no Campeonato Brasileiro e eu sei que estou na contramão da maioria. 
Como bairrista convicto, quer ver outra vez um time gaúcho campeão. Quero uma fórmula que imite o Brasil: quanto mais injusta e formulista, melhor! 
Todos sabem que querer não é poder e que vou ficar querendo. Pela fórmula de pontos corridos, o São Paulo já pode ser declarado campeão de 2008. 
Era franco favorito antes de anunciar Adriano. Agora, é campeão, mesmo que o Imperador só fique até o meio do ano. Alguém já disse, e eu repito: o São Paulo deveria disputar o Campeonato Alemão. Até o centro de recuperação só admite jogador selecionável. 
Se você é gremista, colorado ou torce por outro time, engrosse o coro dos favoráveis ao mata-mata. Não permita que o São Paulo continue nos matando. 
De inveja.”
Agora, vendo o primeiro tempo do Flamengo contra o Grêmio, bateu o a inveja, o ciúme. Inveja de bairrista é ainda mais dolorosa. Sei que cariocas, paulistas e mineiros já nos invejaram. O Inter da década de 70 matava o país de inveja. Idem com o Grêmio dos anos 90.
O que é um invejoso? Segundo o dicionário, inveja é o desejo de possuir um bem que pertence ao outro. É um sentimento de inferioridade e de desgosto diante da felicidade do outro. É um sentimento de cobiça da riqueza, do brilho e da prosperidade alheia.”
Meu desejo é que Grêmio e Inter possuam o excelente futebol do Flamengo. Sim, sofro com este sentimento de inferioridade. O primeiro tempo de quarta-feira foi sufocante. Bateu o coitadismo. 
Não, não vou cometeu aqui a frase de um colunista brasileiro quando da final de Inter e Barcelona em 2006. Era jogo jogado para o time espanhol, uma máquina. O colunista, ufanista, escreveu o seguinte no dia do confronto histórico: “Que vença o pior”.
Não vou cometer tal frase porque não é esta a distância que separa Flamengo de Grêmio. O Flamengo esteve dez oceanos melhor aqui. O primeiro tempo é de aniversariante. Não deve repetir 45min iguais lá.
Quero que, no Maracanã, dia 23, entre em campo uma das leis de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.” Que tudo dê errado para o Flamengo, obviamente.