Acordei negro nas escolas
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Acordei negro nas escolas

Projeto de distribuição de livros

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      Faz muito tempo que eu sei do seguinte: não sou certo. Quando tenho ideias, sou dominado por elas. Ainda bem que são poucas. Meti na cabeça três coisas: que o grande problema do Brasil continua sendo o preconceito (racial, sexual, social); que quero ser lembrado, supondo que alguém vá se lembrar de mim, por meu romance “Acordei negro”; que quero ver meu livro lido por adolescentes. Se o leitor não vai ao autor, o autor deve ir ao leitor. Em março e abril, quero ir a escolas da Grande Porto Alegre falar para estudantes de ensino médio sobre o meu livro e distribuir exemplares gratuitamente para a gurizada.

      O ideal é ter um patrocinador para isso. Se algum empresário estiver interessado em fazer parceria, é só me contatar no e-mail desta coluna (juremir@correiodopovo.com.br). Se não aparecer, as doações serão por minha conta. Pretendo distribuir 50 exemplares por escola. Estarei disponível, dependendo do dia da semana, de manhã e de noite. Uma hora de fala, perguntas e respostas, distribuição de livros, abraços e despedidas. Meu livro é a história de um personagem que desperta negro. Quem já leu, me pergunta assim: ele era branco e virou negro? Descobriu-se negro? Aceitou a sua negritude? Passou por uma crise de identidade?

      Só o leitor pode dizer. Tudo é possível. Personagens escapam do controle dos seus criadores. Uma coisa eu tenho certeza: meu livro é uma história sobre racismo. Sei que as más línguas dirão que o livro encalhou e essas maledicências de sempre. Mas já está na segunda edição. Acontece que eu sou um autor quixotesco. Escrevo por ideais, por sonhos, não por dinheiro. Sou louco por projetos, por encontros, por desafios. Convites nunca me faltam. Neste caso, porém, quero trabalhar uma ideia, que chamarei de “Projeto Acordei”. Acredito que cada um deve dar uma contribuição para a reflexão sobre o cotidiano.

      Darei a minha. É modesta, mas pode ser útil. Qualquer guri pode entender meu livro. Jovens que já leram “Acordei negro” me garantem isso. Conversei com vários. Um deles me perguntou à queima-roupa:

– Não tem como fazer o livro chegar na mão da galera de graça?

      Tem. É o que farei se aparecerem escolas para organizar nossos encontros.   Já participei com muito gosto de projetos como o “adote um escritor”. Vi trabalhos fantásticos de professores na periferia. São uns heróis. Uma das minhas músicas preferidas, na voz do maravilhoso Milton Nascimento, é aquela que diz “todo artista tem de ir aonde o povo está. Se for assim, assim será. Cantando me disfarço e não me canso. De viver nem de cantar”. Eu me considero um artista. Quero ir aonde o leitor está. Um tipo de leitor especial: o jovem. Fazendo isso, não me canso. Nem me disfarço. É quando me revelo por inteiro.

      Está apresentado o projeto. Interessados devem me mandar e-mail para eu agendar. Quantos projetos malucos em já inventei? Teve o do outdoor que deveria me deixar famoso e ninguém viu. Continuo firme. Espero ser lembrado também por não ter ficado parado vendo o BBB. Em tempos de listas de livros a serem retirados das escolas e de bibliotecas públicas, até de "subversivos" como o perigoso comunista Machado de Assis, precisamos levar obras e autores aos estudantes.