E a corrupção?
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E a corrupção?

Onde foi parar a ira contra os malfeitos?


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      Nas ruas, em combate contra corrupção, encontravam-se diversos movimentos, pessoas, siglas: MBL, adeptos do deputado Jair Bolsonaro, lavajatistas, defensores do Estado mínimo, empresários nacionalistas, blogueiros conservadores, praticantes do ativismo judicial, pregadores da volta aos valores tradicionais. O “antigo regime” foi derrubado. Instalou-se a “nova política”. Como andam as coisas agora? Assim: dois membros do MBL foram presos. São acusados de lavagem de dinheiro. O MBL nega que eles pertençam aos seus quadros. Não lembra o passado?

      Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, como é amplamente sabido, é acusado de “rachadinha”, tendo como operador Fabrício Queiroz, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. “Rachadinha” é como se chama a mordida nos salários dos funcionários do gabinete de um político. Queiroz praticou os atos. O dinheiro foi parar nas suas mãos. O chefe nega ter conhecimento dos fatos. Vem travando uma luta encarniçada para barrar as investigações. Queiroz passou um tempo abrigado na casa do advogado de Flávio e de Jair Bolsonaro. Questionado, o doutor dizia nem conhecer o tal Queiroz. Depois que o hóspede foi preso, o advogado continuou a mentir. Por fim, alegou razões humanitárias para proteger o amigo dos amigos.

      Wilson Witzel era um juiz desconhecido. Elegeu-se governador do Rio de Janeiro nas costas dos Bolsonaro. Pregava contra a corrupção. Falava de moral e bom costumes. Instalado no poder, já recebeu visita da Polícia Federal. Tem ex-secretário preso por suposto golpe na compra de equipamentos para combater a covid-19. A própria mulher do governador está metida num rolo escabroso. Witzel virou inimigo de Jair Bolsonaro. Estão separados pela eleição à presidência da República em 2022. O governador do Rio tem visto seus sonhos virar pó. Bolsonaro mantém os planos. Talvez precise mudar um pouco o discurso.

      A Lava Jato marcou época no combate à corrupção. Atualmente anda em baixa. O Juiz Sérgio Moro largou a toga e virou ministro de Bolsonaro. Pouco fez, abandonou o barco e procura emprego, talvez o de presidente da República. No governo, nunca deu um pio sobre as acusações que incomodam a família Bolsonaro. A Vaza Jato, série de reportagens publicadas com dados fornecidos por um hacker, mostrou relações incestuosas entre o Ministério Público e Moro na condução das investigações do chamado “petrolão”. O empresário modelo do novo regime, o dono das lojas Havan, enfrenta processo por sonegação de impostos e investigações por patrocínio a disparos em massa de mensagens e de fake news durante a campanha eleitoral de 2018.


      Deputados bolsonaristas são convocados a explicar o financiamento de atos contra a democracia. Ministros permanecem no governo mesmo tendo engordado currículos com diplomas inexistentes ou tendo alguma condenação em primeira instância. Um ministro, demitido contra a vontade do próprio presidente, para acalmar os ânimos do STF, fugiu para os Estados Unidos com medo de ser preso no Brasil. O desavisado pergunta: e aí, como anda o combate à corrupção no país?