Juremir Machado da Silva

Ninguém pode ser impedido de fazer na sua casa aquilo que quer se estiver dentro da lei

Passei o final de semana me divertindo com a pobreza dos argumentos contra o casamento gay no CTG e com a miséria de alguns insultos contra mim. Lembra a cena do filme Casablanca, quando o chefe de polícia, para salvar a cara,do amigo, ordena:

– Prendam os suspeitos de sempre.

Tragam os insultos de sempre.

O argumento que mais apareceu é duplamente falacioso: ninguém pode ser obrigado a fazer o que não quer na sua casa.

Ninguém pode praticar racismo dentro da sua casa, pois é crime.

A propriedade não libera do cumprimento da lei.

Nesse sentido, o proprietário deve evitar o racismo mesmo que deseja praticá-lo. Ou poderá ser punido.

Mas, deixada de lado a sutileza filosófica, a realidade foi muito mais simples.

Não se tentou obrigar ninguém a fazer na sua casa o que não queria.

A juíza não impôs nada a quem quer que seja.

O dono, o patrão do CTG Sentinelas do Planalto, emprestou a casa e consentiu que se fizesse nela o casamento homoafetivo.

A única conclusão a tirar seria: ninguém pode ser impedido de fazer na sua casa aquilo que quer se estiver dentro da lei.

Gilbert Gisler e o seu CTG estavam dentro da lei.

A lei permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Foram impedidos, por um incêndio criminoso e por onda de preconceito, de realizar aquilo que desejavam e consentiam.

Como pode?

Só preconceito explica.

Hasta la vista!