Messi ficou 8 meses ausente e encontrou uma Argentina tão bagunçada quanto deixou
capa

Messi ficou 8 meses ausente e encontrou uma Argentina tão bagunçada quanto deixou

Pierre-Philippe Marcou / AFP / CP

publicidade

A volta de Lionel Messi para a Argentina foi frustrante. A Albiceleste acabou derrotada pela Venezuela por 3 a 1 em Madri nesta sexta-feira em jogo que não conseguiu em nenhum momento se postar como deve uma seleção bicampeã do mundo. Oito meses depois, o melhor jogador do mundo reencontrou sua seleção tão desorganizada quanto deixou após o Mundial da Rússia.

O técnico Lionel Scaloni assumiu o comando da Argentina ainda de forma interina após a vexatória participação na Copa do Mundo e deu início a uma renovação. Os jogadores considerados históricos deixaram de ser chamados e uma série de jovens ganhou suas primeiras oportunidades na seleção. O treinador cumpriu bem o seu primeiro papel. No começo de 2019 chegou o momento de um passo a mais. Com Messi de volta, se espera da Argentina uma equipe capaz de brigar pelo título da Copa América, que será disputada no Brasil a partir de 14 de junho. O jogo contra a Venezuela mostrou que a Argentina está muito longe disso.

Scaloni apostou em uma formação com linha de três zagueiros para iniciar a partida contra a Venezuela e optou por seguir sua sequência de testes. Maior prova disso foi que o defensor de melhor rendimento sob o seu comando, Germán Pezzella, não iniciou a partida. O trio defensivo foi formado por Juan Foyth, Gabriel Mercado e Lisandro Martínez. Montiel ganhou sua oportunidade na ala direita enquanto Tagliafico ocupou o setor esquerdo. O meio-campo teve a dupla Lo Celso e Paredes com Pity Martinez voltando para compor um tripé. Messi teve a companhia de Lautaro Martínez no ataque.

A Argentina teve pouco tempo para se acertar em campo e já levou um gol. Aos 7 minutos, o lançamento longo de Roberto Rosales encontrou Salomón Rondón, que venceu a disputa com Mercado e bateu na saída de Franco Armani. Com 1 a 0 contra, Scaloni já mexeu no posicionamento da sua equipe. A Argentina passou a jogar com o zagueiro Lisandro Martínez ocupando a lateral esquerda e Tagliafico no meio-campo.

A mudança, no entanto, não serviu para dar consistência. A Argentina teve quase nada de jogo coletivo. Com um time com tantos problemas, Lionel Messi recuou para tentar armar as jogadas. O melhor do mundo até conseguiu criar algumas situações. Ele fez dois bons cruzamentos que terminaram em finalizações de Lautaro Martínez e chutou de fora da área uma bola que obrigou o goleiro Fariñez a fazer uma difícil defesa.

Defensivamente, a Argentina seguiu desarrumada. Com linha de cinco ou de quatro, o time defendia mal e Rondón quase marcou o segundo em cabeceio. Já nos minutos finais, Jhon Murillo se aproveitou de falta batida rápida e finalizou colocado para superar Armani, 2 a 0.

A Argentina voltou para o segundo tempo com três mudanças. Walter Kannemann entrou no lugar de Mercado e foi a única alteração que deu boa resposta. O zagueiro do Grêmio mostrou segurança quando exigido e melhorou o sistema defensivo. É verdade que no futebol atual se exige que os zagueiros sejam mais que defensores, que tenham qualidade para serem os responsáveis por iniciar as jogadas. Acontece que a Argentina não tem isso. Na falta de defensores no nível mais alto no futebol europeu, Kannemann, com sua força física e segurança defensiva, é peça que deve ter lugar na Albiceleste.

Os outros que entraram no intervalo foram Matías Suárez, do River Plate, e Domingo Blanco, do Defensa y Justicia, os dois atletas que geraram maior surpresa na convocação. Lionel Scaloni mostrou ali que estava mais preocupado em seguir com os testes do que buscar o resultado com nomes mais afirmados, como seria uma entrada de Dybala no time, por exemplo.

A Argentina até melhorou no segundo tempo. Com Matias Suárez e Blanco abertos, Lo Celso centralizou com Paredes e Messi ficou por trás de Lautaro Martínez no 4-2-3-1. A aseleção argentina diminuiu o placar em lance que começou com Messi. Ele tocou em Lo Celso, que deu a assistência para Lautaro descontar em uma bela jogada, 2 a 1.

A impressão era de que a Argentina chegaria ao empate, mas voltou a falhar defensivamente. Foyth cometeu pênalti aos 31 minutos e Josef Martínez converteu o 3 a 1, que decretou o placar de derrota na volta de Messi.

Com a derrota, as críticas sobre a seleção irão aumentar. Muitas delas com razão. No momento em que Lionel Scaloni deveria mostrar que construiu um time para potencializar Messi, o que se viu foi uma seleção completamente desajustada. Mesmo que o treinador tenha optado por fazer testes, a imagem deixada é de que a Argentina a três meses da Copa América não está pronta para buscar o título. A dúvida é se Messi está disposto a se expor novamente em um time desorganizado. Eu não ficarei surpreso se ele desistir de jogar a Copa América.