Resposta ao golpe de 1964
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Resposta ao golpe de 1964

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Professor e escritor Cicero Galeno Lopes lança romance "Principados" nesta quinta-feira, na 60ª Feira do Livro


Cicero Galeno Lopes é natural de Uruguaiana, professor universitário, contista, ensaísta, doutor em Letras pela Ufrgs, editor de revistas acadêmico-científicas, mas o romance é uma terra nova a arar. "Principados" é o seu primeiro romance. A obra foi editada pela Movimento. Tem lançamento em duas atividades nesta quinta-feira, dia 13, na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre. A primeira atividade é às 15h30min, na Sala Leste do Santander Cultural, a mesa de apresentação do romance e da temática que ele desenvolve: antecedentes e consequências do golpe militar de 1964, com o autor e os professores Zilá Bernd e Rafael Peruzzo Jardim, autor da orelha do livro. Às 18h, Cicero autografa o livro e confraterniza com amigos, colegas e leitores na Praça de Autógrafos da Feira do do Livro.

A obra focaliza as épocas de instalação e de consolidação do movimento civil-militar eclodido em 1964 (anos 1960 a 2000). Está geograficamente centrado na Campanha da Fronteira do RS (Fronteira Sudoeste). Sequência de reflexões e episódios, a narrativa procura analisar a vida social e política dessa época, em ambientes urbano e rural. O narrador, ao redor de quem toda a narrativa se organiza, fez anotações, que se mantiveram inéditas, até mais tarde terem sido descobertas por jovem pesquisador mestrando. A capa usa obra aparecida em 1890, produzida pelo artista suíço Alexandre Théophile Steinlen. A ilustração substitui leões e outros emblemas de poder e violência por outro felino (um gato), que ostenta flâmula em que se lê a forma verbal latina Gaudeamus (ou seja, alegremo-nos). Irrompe assim o romance ao leitor, procurando sugerir ironia, o recurso provavelmente mais empregado durante a narrativa.

Na apresentação do livro, publicada na orelha, o professor Rafael Peruzzo Jardim cita a frase-resposta de Miguel de Unamuno à ditadura franquista: "Vencereis, mas não convencereis" para introduzir o que chama à resposta de Cicero à ainda recente ditadura brasileira, instaurada com o golpe de 1964: "A obra trata do impacto do golpe civil-militar de 1964 em ficcional cidade fronteiriça do Rio Grande do Sul. A recriação do Pampa começa pelo resgate do vocabulário da Fronteira. Quando não encontrou palavras, o autor criou neologismos, cujas simplicidade e exatidão decerto os incorporarão ao vocabulário regional. Palavras como pampópole são valiosos acréscimos lexicais. O ponto forte da obra é a ironia. Sem focalizar os vencidos, Lopes usa esse recurso para converter os vencedores pela força em vencidos pela inteligência. Desconstrói o falso patriotismo, o discurso ufanista, o apoio de religiosos, o enriquecimento ilícito. Ao mostrar a mediocridade intelectual dos poderoso, agravada pelo silêncio dos oprimidos, Lopes nos convence de que, apesar de vencedores por vinte sombrios anos, os golpistas jamais convenceram...".