Castroneves se reinventa com tetra da Indy 500 e vê longo futuro: "Quero muito ser campeão"

Castroneves se reinventa com tetra da Indy 500 e vê longo futuro: "Quero muito ser campeão"

Piloto brasileiro comenta luta para "não ser aposentado" e detalha planos para disputar título da Fórmula Indy

Bernardo Bercht

Homem-Aranha conta bastidores da sua maior vitória e a busca por mais

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Tem futuro este garoto Hélio Castroneves. Esta é a tônica do piloto brasileiro que, aos 46 anos, se reinventou para se igualar como maior vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, com quatro troféus Borg Warner. Depois de recusar a ser "aposentado" no últimos 10 anos, ele transborda entusiasmo e ímpeto para retomar a carreira na Fórmula Indy, e não é só para competir: "Eu quero muito ganhar esse campeonato!", enfatiza.

Hélio faturou a primeira Indy 500 em 2001, a segunda veio em 2009. Desde então, várias vitórias menores aconteceram, mas foram 12 temporadas sem uma conquista de peso, apesar de estar na maior equipe do automobilismo norte-americano, a Penske. Dispensado pelo mentor Roger Penske, o piloto encontrou na parceria com a promissora Meyer Shank Racing uma improvável chance de seguir na ativa. Para mostrar que ainda tinha muito gás, já começou 2021 ganhando as 24 Horas de Daytona.

"Eu continuo motivado pela paixão que é o automobilismo. Nada consegue te dar o que eu senti ao ser campeão da IMSA (Campeonato Norte-Americano de Esporte-Protótipos) no ano passado, ou vencer as 24 Horas de Daytona, agora em janeiro", salienta Hélio.

Com uma equipe que nunca tinha vencido uma corrida e fazendo apenas sua primeira prova de Fórmula Indy em quase um ano, o máximo das expectativas sobre o brasileiro era de que fosse competitivo, quem sabe chegasse entre os dez primeiros. Desde o primeiro dia, contudo, Hélio e a equipe trabalharam para contrariar as previsões. Ele sempre esteve entre os mais rápidos e, na manhã da corrida avisava: "Se fizer frio, calor, nevar, a gente vai brigar pela vitória".

"Vou falar uma coisa. Praticamente a corrida inteira eu fui 'penteando'. Falaram que todo mundo estava jogando damas e eu xadrez. E eu estava mesmo", analisa o piloto. "E foi o carro que me deu condições de sempre poder manter uma estratégia diferente e escolher o momento correto para me aproximar ou passar." E foi assim que, a duas voltas do final, ele deu o bote no garoto Alex Palou e disparou para o tetra, a maior conquista do automobilismo brasileiro desde que Ayrton Senna ganhou seu terceiro título na Fórmula 1.

Hélio acredita que, com isso, provou que não tem um prazo de validade para seguir vencendo. "O Scott Dixon (atual campeão da Indy) tem 41 anos e está ganhando tudo. As pessoas começam a colocar certos rótulos e acham desculpas para liberar o cara, ou ainda não pagar o salário que ele merece", pondera o brasileiro. "Eu acredito que foi o meu caso e de outros veteranos. Meus resultados não davam pelo menos a ideia de que era o momento de pensar em aposentar. Eu fui quarto no campeonato e ganhei corrida no último ano de Penske", frisa.

Ainda assim, ele enfatiza toda a gratidão com o "capitão" Roger, e que também ele, aos 84 anos, é uma figura inspiradora no amor pelo esporte. "O Roger ama demais o automobilismo. Ele podia estar jogando golfe, usando o barcão dele para navegar pelo mundo inteiro, mas ele quer ir nas corridas", conta Hélio. "Não é por acaso que agora ele comprou e é dono da pista, da categoria, pois ele é ama demais isso."

O que define a paixão de Hélio Castroneves, membro do panteão de Indianápolis ao lado de A.J. Foyt, Al Unser e Rick Mears? "É aquela subida na grade depois de vencer as 500 Milhas! Isso me deixa tão empolgado, que ali na hora eu nem vi que ganhei um beijo e uma benção do Mario Andretti (campeão mundial de Fórmula 1 em 1978)! É o que me motiva para dar o meu melhor e seguir conquistando. Repito: eu quero muito ganhar esse campeonato de Fórmula Indy."

 


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