E se Gilles desviasse de Mass? Villeneuve teria mudado história da F1 dos anos 80

E se Gilles desviasse de Mass? Villeneuve teria mudado história da F1 dos anos 80

Túnel da imaginação reescreve duelos da década com campeões diferentes, além de muito trabalho para Prost e Senna

Bernardo Bercht

Canadense na McLaren seria oponente formidável para Prost e Senna

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A última vitória do lendário Gilles Villeneuve completa 40 anos em 2021. Como homenagem, seja bem-vindo ao mundo da imaginação. Vamos reescrever uma das histórias mais trágicas do automobilismo e, quem sabe, projetar como o canadense tragicamente morto em 1982 poderia ter sido campeão mundial e alterado toda a década do esporte. Quatro pilotos poderiam ter a carreira especialmente impactada, Alain Prost, Ayrton Senna, Niki Lauda e Keke Rosberg.

Oito de maio de 1982, Villeneuve deixa os boxes com sangue nos olhos, ele quer a revanche da quebra de confiança sofrida para o companheiro Didier Pironi, um GP antes, em Ímola. Ele abre volta rápida e avista, após passar a chicane, a March de Jochen Mass. No nosso mundo da imaginação, o canadense entende quando o alemão abre passagem na curva 4 e desvia sua Ferrari no último momento, por fora. A quase tragédia vira, segundos depois, o quarto tempo do grid, atrás das duas Renault e da Williams de Keke Rosberg.

Numa prova complicada e cheia de quebras, Gilles repete o terceiro lugar, atrás do inspirado John Watson com a McLaren e do impetuoso Rosberg. Em Mônaco, viria a primeira vitória do ano e, depois disso, a Ferrari finalmente acertou a mão do modelo 126C2. Especialista em pistas de rua, o canadense repetiria a dose em Detroit, enquanto Pironi deu o troco na Holanda. O esperado duelo entre dois ferraristas por um título, contudo, para no violento acidente do francês, nos treinos do GP da Alemanha.

Villeneuve vence com folga na Alemanha e, com Patrick Tambay de escudeiro, promove a apoteose completa no GP da Itália. Vitória e título antecipado, numa fúria vermelha que Monza jamais tinha visto. No pódio, ele dedica o caneco e busca fazer as pazes com Pironi.

Nos bastidores, contudo, lá em San Marino, Gilles já havia negociado com Ron Dennis sua ida para a ascendente McLaren. Ele começara a carreira no time, que agora se transformara com o jovem proprietário e sua enorme ambição. Seria um começo difícil, com os defasados motores Cosworth contra os turbo, mas para o fim do ano estava anunciada a chegada da Porsche.

A vida real teve a improvável vitória de John Watson, partindo das últimas filas com a McLaren, no GP de Long Beach. Não é o tipo de prova que Gilles venceria, ainda mais na sua segunda corrida no cockpit. Daremos então, o triunfo para Niki Lauda. A vitória viria no GP de Detroit, porém. Sempre as ruas apertadas exaltando o talento em quase passar dos limites do canadense voador. Com a potente Brabham BT52, Nelson Piquet fatura seu bicampeonato em 83.

No ano seguinte sim, a McLaren se transformou na força dominante, com o poderoso TAG-Porsche. Alain Prost seria o principal desafiante, mas sofreria com um Renault ainda com muitas quebras. Com um ano de experiência dentro do time, na nossa realidade alternativa, o ímpeto canadense foi suficiente para superar Lauda e antecipar a aposentadoria do austríaco. Marcado no ano, o duelo sob a chuvarada de Mônaco com o jovem estreante, que declarou ser seu fã em pleno pódio: Ayrton Senna. Bicampeão, Gilles Villeneuve entrava de vez para o rol dos maiores, mas teria uma bronca feia para encarar em 85: o vice-campeão, o postulante a professor Alain.

A nossa bola de cristal do mundo alternativo começa a ficar bem nebulosa por aí. Analítico, mais jovem, com o mesmo ímpeto e talvez igual talento, Prost teria como obstáculo apenas sua adaptação ao novo carro. Um Gilles com dois títulos e já acompanhando o jovem Jacques no kart teria o mesmo espírito matador dos anos anteriores? No mundo real, Lauda sofreu diversas quebras em 85. Por conta disso, também, Prost chega a seu primeiro título. O frustrado Villeneuve, enquanto isso, se diverte em algumas batalhas memoráveis com o impetuoso Senna e sua Lotus. Aquela geração jamais esquecerá a batalha campal, em meio ao temporal de Spa-Francorchamps. Com Gilles levantando o braço de Senna, pela vitória, no parque fechado.

Em 1986, a F1 vê o surgimento de uma Williams-Honda fortíssima. No duelo entre as McLaren, Nigel Mansell consegue abrir o suficiente para, mesmo com um pneu furado na Austrália, vencer o campeonato. Prost e Villeneuve terminam empatados no segundo lugar, com Nelson Piquet em quarto. Injuriado pela perda do campeonato, Prost entra em colisão com Ron Dennis e anuncia sua ida para a Ferrari em 1988. Seria um erro ao melhor estilo Fernando Alonso no futuro...

E a gente conta mais dessa história num segundo capítulo, no mundo da imaginação...


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