Kubica lidera retomada de testes da F1 cheios de segredos em Barcelona
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Kubica lidera retomada de testes da F1 cheios de segredos em Barcelona

Times nunca esconderam tanto o jogo como em 2020, virando tempos inferiores ao ano passado

Por
Bernardo Bercht

Polonês mostrou que não desaprendeu com tempo competitivo

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A gente sempre avisa que os testes de inverno mostram muita coisa, sem mostrar o principal. Eis que, a pré-temporada da Fórmula 1 de 2020 está especialmente complicada para o público externo entender quais são as forças rumo à abertura do campeonato. Sim, a Mercedes estabeleceu um patamar na primeira semana, mas fato é que ninguém andou sequer perto da performance que os carros poderiam apresentar. Ou todo mundo errou a mão. Para o recomeço das atividades, nesta quarta-feira, ficou o popular primeiro lugar de Robert Kubica, agora piloto de testes da Alfa-Romeo.

A liderança do polonês é mais curiosa ainda por ele ter virado 1min16s942, três segundos mais rápido que seu tempo na classificação para o GP da Espanha de 2019 com o combalido carro da Williams. O time inglês, por sinal, virou notícia ao reclamar publicamente dos motores Mercedes. De acordo com Claire Williams, foram três quebras em quatro dias de carro na pista. Apenas em uma delas, Claire dividiu a culpa por um "sensor defeituoso". No  Mercedão oficial e na Racing Point (Mercedes Pink), as falhas foram bem menores.

Falando em GP da Espanha do ano passado, é exatamente a pole de Valtteri Bottas (1min15s400) evidência de que todo mundo está escondendo o jogo, principalmente os times grandes. Até aqui, o melhor tempo nem chegou perto desse referencial e, com as mesmas regras, esperava-se carros ao menos um segundo mais rápidos que o ano anterior. Com 1min16s, a Alfa de Kubica não iria além do oitavo lugar naquele grid.

Max Verstappen foi o segundo mais rápido do dia, mas as 84 voltas acumuladas falam muito mais do trabalho da Red Bull que o medíocre 1min17s347 registrado, um segundo mais lento que o tempo do holandês em 2019. A Alpha Tauri, com Daniil Kvyat e Pierre Gasly veio logo atrás, na turma do 1min17s4, separada apenas pela Mercedes Pink de Sérgio Perez.

E a Ferrari? Sebastian Vettel foi apenas 10° e Charles Leclerc 13°. O time jura que não está usando o motor em potência abaixo do usual, mas ninguém acredita que estão dois segundos mais lentos que em 2019... Mathias Binotto chegou a admiti que perderam "muita velocidade de reta", com o novo projeto que prioriza pressão aerodinâmica, mas está claro que a Ferrari ou não quer ter a responsabilidade de puxar a fila (e falhar, como no ano passado), ou não quer mostrar que já vai largar pelo menos atrás de Mercedes e Red Bull.

A tática é similar nos lados da McLaren, que não sai da casa de 1min18 como a Scuderia, nem com Lando Norris nem com Carlos Sainz. Até mesmo a Renault, outra discreta, já mergulho os pezinhos nas voltas a 1min17s e realmente intriga o quanto se pode aprender de um carro quatro dias tirando o pé.

Atrás dessa turma toda parecem vir Haas F1 e Williams. Os norte-americanos foram as estrelas da última pré-temporada e se arrependeram durante o ano. Mas o carro de 2020 não parece estar equilibrado. A Williams, por sua vez, indica ter chegado no pelotão e pelo menos vai correr contra a turma do fundo, ao invés de apenas alinhar no grid.