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"Tem que ser difícil, isso é Indy 500", afirma a piloto Pippa Mann

Única mulher do grid achou que nunca mais ia largar em Indianápolis, após eliminação de 2018

Por
Bernardo Bercht, direto de Indianápolis

Britânica garantiu a última vaga direta para a corrida, nos treinos deste ano

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A britânica Pippa Mann sofreu o mais duro golpe nas 500 Milhas de Indianápolis de 2018. Foi eliminada do grid e achou que nunca mais voltaria. Ainda assim, após classificar para a prova de 2019 e ressurgir das cinzas, ela afirmou que a Indy 500 precisa ser um grande desafio. "Precisa ser difícil! Se a gente entrasse de qualquer jeito, não teria o mesmo significado", destacou em entrevista ao PitLane.

Pippa não gosta de atalhos, não quer qualquer tipo de vantagem e é uma grande defensora de que mulheres disputem nas pistas em igualdade de condições com os homens. "O carro não sabe a diferença de gênero, mas eu decidi usar o capacete rosa como uma mensagem. Eu não queria usar essa cor, mas percebi que podia ser um sinal para outras garotas. Que não importa eu ser mulher, isso não me torna pior que os outros pilotos", enfatizou.

"É um esporte em que competimos como iguais. Se alguém disser que não podemos, está fazendo pouco de Janet Guthrie, que veio aqui e classificou em 1977, quando mulheres nem eram autorizadas a entrar nos pits", lembrou Pippa.

Sobre a fatídica classificação de 2018, ela enche os olhos de lágrimas novamente, relatando a decepção. "O nosso carro não conseguir classificar para a corrida do ano passado partiu meu coração", disse. "Como eu só faço provas esporádicas, eu achei que seria a última vez. Eu não sou um grande nome do automobilismo. Eu preciso trabalhar muito para achar o apoio e imaginei que tudo tinha acabado", ponderou

Foi ainda durante a prova que começou o grande retorno da britânica. "Quando estava assistindo à corrida ano passado, Jim Clauson se aproximou e falou: 'Eu odiei o que aconteceu este ano. Estou planejando entrar com a equipe no ano que vem. Queremos ir contigo, fazer do jeito certo e te colocar numa posição para classificar para a corrida'", narrou Pippa. "E foi assim que começou este projeto. Agora estou no grid, representando meu amigo Bryan que não está mais aqui", citou.

Clauson largou em três 500 Milhas de Indianápolis, mas morreu num acidente numa corrida de Dirt Tracks, os ovais de terra dos EUA. Virou exemplo como doador de órgãos. "Meu patrocinador é uma campanha de doação de órgãos em homenagem a Bryan, pois ele salvou cinco vidas, pilotando para o seu time, a Bryan Clauson Racing", enfatizou Pippa.

Ela vai para sua sétima Indy 500, uma paixão sobre rodas para a piloto. "Assisti várias corridas de Fórmula 1. Nada se comparar à largada em Indianápolis. Em 2009, foi o momento que enxerguei o quão especial era esse evento e como eu tinha que participar disso."