Viature de Course Parte 5 - Finalmente! Motor do 306 ronca após quebra-cabeça elétrico
capa

Viature de Course Parte 5 - Finalmente! Motor do 306 ronca após quebra-cabeça elétrico

Peugeot exigiu todo um projeto para instalação da injeção eletrônica FuelTech FT450

Por
Bernardo Bercht

publicidade

O projeto Viature de Course chegou numas das etapas mais complexas do seu desenvolvimento nas últimas semanas: a preparação elétrica e instalação da injeção eletrônica de competição FuelTech FT450. E ultrapassou o obstáculo com muitas horas de trabalho e inventividade da RF Competizione com o preparador André Rheinlander, o eletricista Michael Rodrigo Cardoso e o chefe da equipe Toninho Fossá.

"A parte elétrica é a mais importante. É ali que a maioria dos problemas se originam", explica Fossá. "Se a gente não fizer uma preparação muito meticulosa, souber onde está cada fio, depois quando tiver uma falha, um curto, é muito mais difícil encontrar. Tem que 'desmontar' o carro", reforça.

Para "melhorar" a situação, não existia um padrão anterior, um manual de instruções para instalar a eletrônica de competição da FuelTech no Peugeot 306. Foi necessário, então, identificar cada entrada de sensores e fiação; criar uma "caixa de fuzíveis" para centralizar os módulos e, enfim, instalar o chicote elétrico da FT450.

Com dificuldades para acessar os vários pontos delicados no cofre do motor, foi feita uma transformação na dianteira do carro. Parachoque, acessórios e faróis foram integrados em uma peça só, permitindo a remoção da dianteira completa, revelando toda a parte inferior de propulsor e câmbio.

A partir daí, Rodrigo, que já tem experiência com outros Peugeot, começou a identificar os componentes e módulos para preparar a fiação. "Foi um processo bem detalhista e personalizado, a partir do manual da FT450, mas com muito mais coisas. Não existe um projeto anterior como esse por aqui, então a gente criou algo totalmente novo", relata.

No cockpit, acima da bateria Moura fornecida pela Jajá Baterias; uma peça de acrílico foi instalada como "quadro de fusíveis". Ali, todas as conexões organizadas no capricho para fácil solução de eventuais falhas. "A ideia é não dar problema, não parar na pista nem falhar. Mas se tiver alguma coisa, vamos saber onde mudar", detalha Rodrigo.

Elétrica solucionada, chicote conectado, a telinha da FT450 ligou pela primeira vez atrás do volante. Sem ler absolutamente nada, pois era hora de instalar sensores e a Spark Pro, para gerenciar a centelha de ignição rumo às bobinas. "Um sensor PS10 foi instalado numa flange adaptada sobre o bulbo original do sistema de óleo", explica André Rheinlander. "Ele faz a proteção do motor, caso haja queda de pressão, nível de óleo baixo, faz tudo desligar, evitando problemas". No caso, uma explosão catastrófica e muito cara, né André? "Isso. A gente não quer nenhuma biela correndo solta por aí."

O sistema de combustível recebeu um dosador na flauta, com regulagem de pressão. Para monitorar, foi colocado um relógio analógico para a leitura, além de outro sensor PS10 para proteger o motor em causa de falta de alimentação.

Lá no meio do motor, a rodafônica, que acompanha a rotação dos cilindros através do virabrequim, estava um pouco enjoada, com aquele humor típico francês quando acabou o croissant... A galera ameaçou trocar ela pela brasilidade do GM Corsa, mas acabou optando pela originalidade. Foi necessária a consultoria do especialista Rafael Saran para encontrar a configuração do número de "dentes" da peça original Peugeot para que, aí sim, surgisse a leitura dos vários estágios da ignição dos cilindros na FT450.

Em meio a tudo isso, o pessoal arrumou tempo para criar um novo painel para o 306. Uma peça de alumínio escovado recebeu a FuelTech, os diversos mostradores e as chaves elétricas fornecidas pela Full Turbos. Enfim, o grande momento. Sentar no banco do piloto, acionar chave-geral, chave de combustível e, enfim, enfiar o dedão no botão de partida. "ROAAAAAAR! E já tem ronco de carro de corrida!", exclamou o escriba Bernardo Bercht.

Sim, ainda vai passar pelo dinamômetro, precisa de ajustes no escapamento, toda a instalação da suspensão. Mas sim, em poucos dias o leão francês vai acelerar na pista pela primeira vez.