Debate equilibrado

Debate equilibrado

Donald Trump e Joe Biden tiveram nesta quinta-feira um debate mais moderado, mas com mais acusações mútuas do que propostas de governo.

Jurandir Soares

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Depois do caótico confronto do final de setembro, Donald Trump e Joe Biden tiveram nesta quinta-feira um debate mais moderado, mais equilibrado. Os organizadores da última confrontação entre os dois candidatos antes da eleição de 3 de novembro trataram de colocar regras para evitar que um falasse em cima da fala do outro. Trump não se atravessou como da outra vez. A temática, no entanto, foi muito mais acusações mútuas do que propostas de governo. 

Dentre as acusações, ficaram algumas questões pelas quais ambos poderão ter que responder perante a Justiça ali adiante. Para Trump, permanece um vazio quanto às suas declarações de imposto de renda. Vale lembrar que no último ano fiscal ele apareceu como tendo pago míseros 750 dólares para o fisco. Cobrado no debate, ele disse que pagou “milhões e milhões antecipadamente”. Com o que Biden retrucou dizendo que há quatro anos ele vem dizendo isto, mas nunca mostra sua declaração. Há também denúncia de negócios escusos com a China, mas isto parece muito incipiente. Já o democrata, especialmente se for eleito, poderá ter que responder sobre o seu relacionamento obscuro com a empresa ucraniana Burisma quando era vice-presidente de Barack Obama. Negociações que envolviam também o filho dele, Hunter Biden. Ainda por parte de Trump há uma outra ação, que pode ser criminosa como denunciou Biden, mas, pela qual ele não irá responder. Que é relativa às cerca de 500 crianças, filhas de imigrantes ilegais, que foram separadas de seus pais na fronteira, os quais não encontram mais.

Enfim, a campanha entra na reta final, e ambos concentram suas ações nos chamados swing states, os estados pêndulos, que ora oscilam para os republicanos, ora para os democratas, os quais podem ser decisivos para o pleito. Biden segue à frente nas pesquisas, mas é preciso ressaltar que pesquisa nos EUA não corresponde à pesquisa no Brasil, porque o que conta lá não é voto popular, mas o do Colégio Eleitoral. Basta observar a última eleição em que Hillary Clinton conquistou cerca de 3 milhões de votos a mais do que Trump, porém o republicano ganhou no Colégio Eleitoral e foi eleito. Resta aos norte-americanos escolher entre o atual ocupante da Casa Branca, que é atropelador, muitas vezes desrespeitoso, mas que se impõe como um dirigente forte, especialmente no trato com as questões externas. Ou um candidato que se apresenta como moderado, mas que não demonstra ter muita firmeza para os assuntos de política externa. Não é sem razão que Trump tem insistido com os inimigos externos em sua campanha, procurando mostrar que Biden não saberá lidar com eles.


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