O desafio chinês

O desafio chinês

Pequim já estabeleceu até data para passar à frente dos EUA: 2027

Jurandir Soares

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Desde que terminou a Guerra Fria, em 1991, a então União Soviética deixou de ser o maior inimigo dos Estados Unidos, sendo este papel assumido pela China. E o país asiático foi se impondo cada vez mais no cenário internacional, especialmente, depois da ascensão ao poder de Xi Jinping, em novembro de 2012. Foi primeiro como secretário-geral do Partido Comunista e depois, em 2014, assumindo também como presidente do país, cargo a que, após manobras de bastidores, se habilitou a permanecer indefinidamente. Hoje, a China tem condições muito melhores de fazer frente aos EUA do que tinha à URSS. Os soviéticos foram derrotados porque não conseguiram competir tecnologicamente. O sistema de economia centralizada não conseguiu alcançar as crescentes despesas decorrentes da inovação. Só na corrida espacial gastaram praticamente todos seus recursos. Com a China é diferente porque o país mantém o sistema político fechado, de um só partido, porém, abriu sua economia para o mercado. No início produzia quinquilharias que enchiam nossas lojas de 1,99. Hoje, no entanto, a China tornou-se um player mundial, produzindo desde automóveis até a tecnologia 5G, com a qual os Estados Unidos não têm condições de competir. Tentam evitar o avanço chinês nessa área, mas as alternativas que oferecem são da sueca Ericsson e ou da finlandesa Nokia e não de uma empresa americana.

No geral, no entanto, a economia chinesa ainda está atrás da americana. Porém, Pequim já estabeleceu até data para passar à frente dos EUA: 2027. Hoje, o PIB chinês é de 15 trilhões de dólares, enquanto que o americano é de 21 trilhões. Mas o país segue crescendo mesmo em meio à pandemia. Em 2020 cresceu 2,3%, e o Banco Chinês espera um crescimento de 8% para este ano. A meta dos chineses é já em 2025 tornarem-se uma nação de alta renda média. Mas todos os objetivos chineses são minimamente traçados. Agora, por exemplo, estão desenvolvendo dois eventos que discutem as metas. São a reunião do Congresso Nacional do Povo e a Conferência Consultiva do Povo Chinês. Eventos que começaram na quarta-feira e se estenderão até o dia 11. Ao todo – são cerca de 5.200 delegados –, porém, os assuntos serão futuramente decididos por 175 dos 2.980 integrantes do Congresso e 26 dos 2.200 da Conferência. Deverão definir o 14º Plano Quinquenal e a Visão 2035. No entanto, nada do que será decidido será diferente do que pensa Xi Jinping.

Segundo Tatiana Prazeres, senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais de Pequim, mais de 300 cidades chinesas já têm tecnologia 5G. E o país não está com pressa de vendê-la. Simplesmente, porque “oferece a inovação primeiro para as empresas do país, para que sejam pioneiras tanto no desenvolvimento de soluções tecnológicas e novos modelos de negócios quanto na adoção pela indústria dessas inovações”. Uma das poucas maneiras que os EUA têm para travar o avanço chinês seria agir junto a Taiwan para que não forneça os semicondutores de que os chineses são dependentes. Mas aí já se entra numa outra área que é do conflito militar, e isto é tema para outro comentário porque envolve inclusive as manobras que ambos os países desenvolvem hoje no Mar do Sul da China. Todavia, também esta questão está contemplada nos dois eventos que os chineses realizam. A equiparação que querem estabelecer com os EUA em 2027 envolve também a área militar.

 


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