O perigo que vem da Ucrânia

O perigo que vem da Ucrânia

Putin apoia separatistas das cidades de Donetsk e Lugansk

Jurandir Soares

publicidade

Mais uma vez estamos vivenciando momentos de tensão entre Ucrânia e Rússia, capazes de levar a uma guerra entre os dois países e com a agravante de envolver a Otan, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, força criada ao tempo da Guerra Fria para defender o Ocidente frente às ameaças de Moscou. Tudo continua girando em torno do apoio que o governo de Vladimir Putin vem dando aos separatistas de duas cidades do Leste da Ucrânia.

O que acontece vem na extensão da repressão de Stalin na década de 1930 e com os acontecimentos pós-queda do comunismo no Leste europeu e o fim da União Soviética, em 1991. Stalin protagonizou o Holodomor, o Holocausto ucraniano, matando pela fome cerca de 2,5 milhões de pessoas, em ação de caráter genocida. Tratou de sufocar a cultura ucraniana e de incentivar o ensino do russo, com o correspondente deslocamento de população russa para a região. Tanto que, nos anos 1980, 45% da população do Leste da Ucrânia era de origem russa.

Após o término da URSS, a Ucrânia tentou fazer o mesmo que fizera a maior parte dos países que orbitavam em torno de Moscou. Ou seja, passar para o âmbito da União Europeia ou da Otan. Em 2005, foi deflagrada a Revolução Laranja com esse objetivo. Tudo ia relativamente bem até que Vladimir Putin, depois de fortalecer-se na Rússia, resolveu intervir, para evitar que o segundo país mais importante da extinta URSS passasse também para a influência do Ocidente. Para tentar mudar o cenário, Putin conseguiu eleger na Ucrânia um seu aliado, Viktor Yanukovych, e passou a incentivar o separatismo nas províncias de Donetsk e Lugansk, no Leste do país. Regiões que se declararam autônomas, em 2014, dando origem a um movimento de rebelião dentro do país, que resultou na fuga de Yanukovych para Moscou. Em represália, Putin anexou para a Rússia a província da Crimeia, que havia sido dada à Ucrânia em 1952.

Porém, a guerra civil se estabeleceu na região, com os separatistas tendo o apoio velado de Moscou, já tendo, desde 2014, morrido mais de 13 mil pessoas, tendo ocorrido o deslocamento interno de 1,4 milhão de pessoas e externo de cerca de 925 mil. Para Putin, são voluntários russos que lutam ao lado dos separatistas. Interessante que usam armamentos pesados do exército russo. Como o governo ucraniano não está conseguindo sufocar a tentativa de secessão, pediu, nesta semana, ajuda para a Otan, explicitando sua intenção de passar a fazer parte da organização. Sabendo do perigo que isto representa, a chanceler alemã Angela Merkel saiu a campo, procurando mediar um diálogo entre as duas partes. Afinal, ela que é nascida no país que foi o maior protagonista e o maior perdedor da Segunda Guerra Mundial, e sabe bem onde poderia chegar essa confrontação. Assim, a diplomacia está agindo, mas não se vislumbra por parte de Putin uma intenção de deixar de apoiar os separatistas. Com isto o perigo persiste.

 


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895