O Rebelado

O Rebelado

Em seu poema semanal, Luiz Coronel faz versos intensos sobre um anjo rebelado

Luiz Coronel

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Intentava mudar o mundo,
porém, dia após dia, 
sobre seu ardor jogavam
farto balde d’água fria.


A uns e outros bradava,
com inquietante euforia:
- O futuro não se adia!

 

Aquele grito contido
na garganta persistia.
Devia unir o seu grito
ao que das ruas se ouvia


As paredes eram mudas.
Só o eco respondia.


Sua límpida recusa,
pouco a pouco se esvaia
entre escusas notícias,
trampolinagens do dia.


Sabia ter pouco tempo.
A outros entregaria
seu sonho, sua rebeldia.


Que nos ombros levassem,
o peso que o tempo infundia. 


Arrastava uma certeza:
O mundo pode mudar
no espaço de um só dia.


Seis braços o conduziram
a grande noite sombria, quando balbuciante aurora,
anunciava um novo dia. 

 


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Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895