Lembranças de cinema

Lembranças de cinema

Atriz e produtora Fernanda Petit exibe curta no YouTube, que é um projeto de suas memórias pessoais do Cine Marrocos, que funcionou na Capital até 1994

Luiz Gonzaga Lopes

Fernanda Petit trata de suas memórias afetivas do Cine Marrocos com a participação de saudosos espectadores e cinéfilos; projeto vai virar monólogo em 2021

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A atriz e produtora Fernanda Petit tinha desde sempre a ideia de montar um espetáculo com suas reminiscências do Cine Marrocos, clássica sala de exibição do Menino Deus, que abriu em 1932 e teve a última sessão em 1994, destino da maior parte dos cinemas de calçada da Capital, à exceção do resiliente Capitólio. Pois a ideia de Fernanda começou a ganhar corpo com a exibição do curta “Drops Cine Marrocos” no YouTube, contemplado com o FAC Digital da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac/RS) e Feevale.

O curta foi idealizado pela atriz, que completa 23 anos de carreira, e muitos prêmios, o mais recente de melhor atriz no Prêmio Braskem em Cena, em 2016, com o espetáculo “O Mal Entendido”. O projeto foi realizado em parceria com o cineasta Gabriel Messias (filho de peixe (Dilmar Messias), peixinho é). Segundo Fernanda, o curta é “um convite para tirar o pó do passado e revirar nas gavetas da memória, aquela onde os cinemas de calçada estão guardados, trazendo à tona, ou à flor da pele, a nostalgia de uma época, vivida por aqueles que tiveram a sorte de experienciar uma dessas salas.

A protagonista (Fernanda) funde suas memórias de infância no cinema  (hoje estacionamento, farmácia e pizzaria), cujo pai Clóvis era gerente até 1994, com lembranças carinhosas de espectadores e cinéfilos que vivenciaram a época, como a atriz e professora Mirna Spritzer e o cineasta e roteirista Jerri Dias. O curta é o passo inicial para o monólogo “A Última Sessão” a ser encenado por Fernanda no próximo ano, que busca interessados para realizar o sonho.

Assista ao curta:

Quem ensina conto, ganha um ponto 

O premiado escritor gaúcho Amilcar Bettega preparou uma oficina literária de introdução ao conto para dividir com o público uma visão mais crítica sobre o gênero e estimular os participantes a produzirem seus próprios textos. Serão quatro aulas virtuais ministradas ao vivo para apresentar as origens desse tipo de narrativa, trazendo comparações de produções clássicas e modernas, e análises de textos de personalidades como Edgar Allan Poe, Anton Tchekhov, Ricardo Piglia, Ernest Hemingway e Sérgio Sant’Anna.

Com duração de oito horas, o curso reserva espaço para a leitura e discussão dos textos dos alunos que quiserem se aventurar na escrita. Os encontros serão transmitidos pela plataforma Zoom nos dias 4, 11, 18 e 25 de novembro, sempre às quartas, das 18h às 20h. Matrículas podem ser feitas pelo www.institutoling.org.br

50 Tons de novembro 

Quando Dejeane Arruée e Graziela Pires decidiram criar a banda 50 Tons de Pretas, eles não pensavam que a transcendência daquilo que estavam fazendo poderia ser tão esfuziante. Elas sabiam que o projeto era algo transformador, pulsante e representativo. Passados três anos, elas lançam seu primeiro disco, “Voa” nos formatos digital e físico. O disco terá live com show de lançamento dia 20 de novembro, mas o avant-première será no dia 6, com o lançamento do single Voa, também em uma live nas redes da banda. 

O trabalho vem sendo construído desde 2017, de forma independente, e contou com apoio do público em financiamento coletivo. “A ideia seria lançar ainda em 2018, mas adiamos para 2019 por conta de nossa primeira turnê. Mas produzir um disco, entrar em estúdio e finalizar não é tarefa simples, então, para deixar do jeito que queríamos, optamos por lançar com calma em 2020, e aqui estamos”, afirmam Dejeane e Graziela.

As gurias incluíram no disco uma canção composta em parceria com Macau, compositor de “Olhos coloridos”. A música foi escrita durante viagem ao Rio de Janeiro em 2019. Além da banda que já acompanha as artistas Dejeane Arruée (vocal e trombone) e Graziela Pires (vocal), formada por João Costa (bateria), Vladimir Godoy (baixo) e Gustavo Nunes (violão), o disco tem músicos convidados e participações especiais, como Tonho Crocco e Tati Portella. O disco foi gravado em diferentes estúdios, entre eles Tabuleiro e Áudio Porto, com masterização final de Marcos Abreu. 

O Cinema Negro está agindo 

A Comissão Organizadora do 1º Festival Cinema Negro em Ação, realizado pela Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) e Instituto Estadual de Cinema (Iecine) divulgou no final desta semana o balanço dos concorrentes inscritos. O Festival Cinema Negro em Ação, que acontece de 20 a 27 de novembro, como parte da programação do Mês da Consciência Negra, recebeu 280 produções nas categorias videoclipe, videoarte, curta-metragem e longa-metragem em formato digital.

Computando as produções com direção coletiva, a premiação será disputada por 314 realizadores negros e negras de estados como Alagoas, Amazônia, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Sergipe, Tocantins e do Distrito Federal, além de concorrentes internacionais de Cabo Verde e Portugal. Como parte da programação do 1° Festival Cinema Negro em Ação, será realizado o Encontro Mercado e Oportunidades, com players convidados parceiros do festival, dentre os quais, a plataforma Netflix.

O evento vai selecionar 14 projetos em desenvolvimento de séries e longas-metragens, que receberão o selo Cinema Negro em Ação e serão apresentados em encontros exclusivos com os realizadores. O Encontro Mercado e Oportunidades recebeu 29 inscrições de 17 mulheres e 12 homens dos estados da BA, PR, RJ, RS, SP. 


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