Ultraconservador

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Presidente americano Donald Trump indicou Amy Barrett para a Suprema Corte

Rodrigo Constantino

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O presidente americano indicou a substituta de Ruth Ginsberg para a Suprema Corte, e se trata de Amy Barrett. Seu currículo acadêmico é invejável, a juíza trabalhou também com Antonin Scalia, um dos nomes mais relevantes a passar pela Corte. Mãe de sete filhos, Barrett é uma “originalista”, ou seja, defensora de que o papel do juiz não é criar leis, mas sim aplicar aquelas existentes. Ela também é católica.

Só isso já foi suficiente para que nossa imprensa tratasse a escolhida por Trump como uma “ultraconservadora”. Oi? O que isso sequer significa? Então basta não ser um juiz ativista, que se julga um ungido iluminado a “empurrar a história”, para ser rotulado de ultra-alguma coisa? Para ser definido pela mídia como radical?
O caso está longe de ser isolado, e merece reflexão. Repare, caro leitor, que jamais você encontra na imprensa a expressão “extrema esquerda”, e é bastante raro ver um esquerdista chamado de radical. Isso vale até mesmo para defensores da ditadura cubana, invasores de propriedades, apoiadores de vândalos que promovem quebra-quebra em “manifestações”. Se é de esquerda, nunca é radical ou extremista, pode notar.

Por outro lado, a expressão “extrema direita” é usada com tanta frequência que foi banalizada. Até Trump é chamado disso! Para ser considerado um radical à direita, basta defender o livre mercado, o império das leis e as tradições familiares. Quando tudo é “extremismo”, nada é. O perigo dessa postura é que os verdadeiros radicais acabam misturados aos conservadores legítimos.

Para nossos jornalistas, basta o sujeito estar à direita do PSDB para ser um “radical de direita”. Qual o sentido disso? Ora, os tucanos defendem a socialdemocracia e uma visão progressista para os costumes. Na Europa e nos Estados Unidos eles seriam, portanto, da esquerda. Mas eis que no Brasil em que nem o PT ou o PSOL são chamados de extrema esquerda, os tucanos viraram direita!

Nada disso faz qualquer sentido lógico ou histórico, mas serve para produzir muita confusão nos leigos. É uma estratégia deliberada que empurra para o extremismo gente que simplesmente defende valores morais básicos e princípios conservadores, enquanto alivia a barra dos revolucionários que não se importam de usar métodos violentos para criar o “novo mundo”.

Rótulos podem ajudar nos debates se simplificarem os conceitos com base em certos denominadores comuns. Mas acabam produzindo mais caos se forem utilizados de maneira tão elástica e irracional. Chamar uma juíza católica legalista e contra o aborto de “ultraconservadora” é simplesmente absurdo. É coisa de ultraesquerdista...


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