Taline Oppitz

Chuvas no RS: Dimensões da tragédia exigirão união de esforços e flexibilização de leis

Relatos, vídeos e pedidos de socorro se acumulam

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante sobrevoo em Porto Alegre
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante sobrevoo em Porto Alegre Foto : Ricardo Stuckert / PR / CP

O momento ainda exige esforço concentrado nos salvamentos de pessoas ilhadas. Os números divulgados por autoridades são preliminares. Não há, por enquanto, estatística correta para dar a dimensão da tragédia enfrentada no Rio Grande do Sul.
Relatos, vídeos e pedidos de socorro se acumulam. Os desafios são incontáveis e se estenderão por tempo indeterminado.

A certeza, no momento, é a de que estamos, o Rio Grande do Sul e o país, diante de um desafio sem proporções.

Em reunião, neste domingo, entre o presidente Lula, representantes de todos os poderes da República, o governador Eduardo Leite e demais autoridades, o tucano traçou um pouco do cenário do que está por vir, após este primeiro momento, de salvar vidas.

Os desafios logísticos, de abastecimento, para municípios que estão sem acesso, e para atender desabrigados e desalojados, são apenas parte das dificuldades. Haverá a necessidade de reconstrução de casas, vidas, estradas, serviços públicos, entre eles essenciais, como de hospitais.

Em sua manifestação, Leite destacou, na presença dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e Arthur Lira, a necessidade de flexibilização de regras fiscais.

O governador destacou que em momentos de normalidade, o Rio Grande do Sul já enfrenta restrições fiscais, e que agora a situação exige excepcionalidades. “Se o governo liberar hoje R$ 1 bilhão, R$ 10 bilhões, R$ 100 bilhões, temos limites legais de utilização. A burocracia não pode impedir os atendimentos. A máquina pública está sufocada e se não mudar, não vamos dar conta”, disse Leite.

Segundo Lira e Pacheco, a situação do Estado irá mobilizar ações e votações em Brasília na próxima semana. Lula prometeu que a buraco fiscal não afetará o auxílio ao Rio Grande do Sul. Uma das palavras mais utilizadas na reunião com autoridades da República foi união. E o Estado precisará dela. Por parte de agentes públicos e da população.

Em tempo: além das ações anunciadas por Lula, envolvendo todas as áreas do governo, o presidente tocou em um ponto decisivo: a necessidade de iniciativas no campo da prevenção. E assim deve ser, na prática. Temas ambientais normalmente ganham destaque em momentos de tragédia, mas não podem ficar restritos aos discursos. Caso contrário, a tragédia de agora, será mais uma, entre tantas que passaram e outras que certamente virão.