2020: o que vem pela frente
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2020: o que vem pela frente

Pesquisa Methodus demonstra insatisfação da população com serviços públicos, um desafio para os governos em ano de eleição. Ano ainda traz Olimpíada, possível duelo Gre-Nal na Libertadores e grandes shows a Porto Alegre

Por
Correio do Povo

No ano em que os eleitores voltam às urnas para eleger prefeitos e vereadores, governos terão que equilibrar as contas públicas e alavancar de vez o crescimento econômico, um desafio não só para os municípios, como também para o Estado e a União.

Apesar do otimismo dos analistas, a população tem demonstrado insatisfação com a qualidade dos serviços públicos, conforme aponta pesquisa Methodus. Saúde e Segurança seguem como prioridades. Mas 2020 ainda traz Olimpíada, Libertadores para a dupla Gre-Nal e grandes shows para a Capital.

Confira as perspectivas para o próximo ano:

1 - Eleições: disputa acirradas nas capitais

2 - Estado: rejeição às medidas

3 - Governo Federal: no ritmo das reformas

4 - Finanças: guinada histórica

5 - Campo: preços aquecidos

6 - Carne: preço nas alturas

7 - América: insatisfação e violência

8 - Trump: impeachment e incertezas

9 - Herança da Copa: obras inacabadas

10 - Municípios: mais um ano de preocupação

11 - Mobilidade: gargalos a superar

12 - Saúde: avanços na atenção primária

13 - Ensino Público: busca por qualidade

14 - Particulares: aposta em parceirias 

15 - Segurança: forças policiais unidas

16 - Cárcere: cadeias superlotadas

17 - Cultura: capital do rock

18 - Copa 2022: Tite segue no comando

19 - Futebol: Grêmio e Inter na competição

20 - Tóquio: surpresas a caminho

Novas regras devem ampliar número de candidatos nas disputas pelas prefeituras

 

 Disputa à prefeitura de Porto Alegre tem pelo menos seis candidatos, entre eles o prefeito Nelson Marchezan Júnior | Foto: Ricardo Giusti

O ano de 2020 será movimentado na política em função das eleições para prefeitos e vereadores. O pleito, que ocorrerá em primeiro turno no dia 4 de outubro, será marcado por novidades. A principal delas será em relação aos modelos das coligações. Pela primeira vez, as alianças não vão valer para as disputas nas câmaras municipais (cargos proporcionais), apenas para as prefeituras (cargos majoritários). A expectativa de especialistas é que essa nova regra poderá ampliar o número de candidatos nas disputas pelas prefeituras. Essa mudança é importante porque antes, com a união dos votos nas coligações, os partidos de menor expressão acabavam muitas vezes sendo beneficiados, além da existência dos candidatos “puxadores” de votos que traziam outros candidatos junto, mesmo sendo de siglas diferentes, o que não ocorrerá mais.

Outra característica dessa eleição deverá ser a influência e utilização maior das redes sociais, como ocorreu no pleito de 2018, o que exigirá atenção, especialmente no que se refere às fake news.

Ao todo, 146 milhões de eleitores deverão participar da eleição no país. Dos 5.570 municípios brasileiros, as disputas maiores serão nas principais capitais. Em São Paulo, o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), está em tratamento de saúde, e poderá ser candidato à reeleição. Há outros nomes que já aparecem na disputa, como a deputada federal Joice Hasselmann (PSL) e o ex-governador Márcio França (PSB). No Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) também já demonstrou intenção em disputar a reeleição, tendo como concorrentes representantes da esquerda, como o deputado federal Marcelo Freixo (PSol), e de direita, como o exprefeito Eduardo Paes (Dem).

No Rio Grande do Sul, a Capital já tem um rol de pré-candidatos. O prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que deverá disputar a reeleição, poderá enfrentar candidatos de partidos da esquerda, em que há discussão de formação de uma chapa. Neste caso, o nome de destaque é da ex-deputada Manuela D’Ávila. Outros partidos tentam formar uma aliança. Entre os possíveis candidatos estão os deputados estaduais Sebastião Melo (MDB), Any Ortiz (Cidadania), Juliana Brizola (PDT) e Rodrigo Maroni (Podemos).

O segundo turno, nas cidades que se encaixem, está previsto para o dia 25 de outubro. No Estado, além de Porto Alegre, poderão ter o segundo pleito as cidades de Canoas, Caxias do Sul, Pelotas e Santa Maria.

Um dos assuntos que deverá chamar a atenção é a possível participação na eleição do partido encabeçado pelo presidente Jair Bolsonaro, o Aliança pelo Brasil. Isso porque para participar do pleito, o partido precisará registrar o seu estatuto no Tribunal Superior Eleitoral até seis meses antes do pleito. Logo, até abril. O desafio principal é conseguir as assinaturas necessárias para a nova sigla (430 mil eleitores). A criação do Aliança também colocará em xeque a força do PSL, partido no qual Bolsonaro se elegeu e passou a ter maior representatividade no cenário nacional.

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A aprovação de sete projetos do pacote é a primeira batalha a ser travada pelo Executivo

 

Eduardo Leite terá que ampliar negociações para obter vitórias no Parlamento | Foto: Alina Souza

C om o déficit nas contas públicas, estimado em R$ 5,2 bilhões, segundo o Orçamento de 2020, o governador Eduardo Leite (PSDB) deverá enfrentar dificuldades para reverter essa situação. A primeira batalha deverá ser conseguir a aprovação dos sete projetos restantes do pacote de reforma RS, encaminhado à Assembleia Legislativa e que altera as carreiras e a previdência do funcionalismo. Apesar da aprovação de um dos projetos no final de dezembro, Leite terá que ampliar articulação com os deputados da base para conseguir a aprovação das medidas, o que poderá ocorrer em janeiro, em convocação extraordinária. Especialmente porque a discussão ocorre em ano eleitoral, em que a pressão será mais intensa sobre os deputados.

A pressão, assim como ocorreu em 2019, virá ainda do funcionalismo em rejeição às medidas. Outro ponto de conflito deverá ser porque, buscando compartilhar o déficit, o governo conseguiu aprovar na Assembleia o orçamento prevendo congelamento dos gastos dos demais poderes, o que gerou críticas e já tem questionamento na Justiça, como ocorreu na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Ainda sobre finanças, o Executivo pretende fazer avançar o processo de privatização das empresas do setor de energia. O governo espera conseguir valor considerável com a negociação das empresas CEEE, CRM e Sulgás. O calendário estipulado era conseguir a privatização da CEEE no começo do segundo semestre; já a Sulgás ficaria para o final do ano.

Outra frente que deverá exigir energia do Executivo é conseguir a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, que vem sendo negociada nos últimos anos. Basicamente, esse regime envolve a dívida do Estado com a União, com prolongamento do prazo. Atualmente, as parcelas não estão sendo pagas desde 2017, por meio de liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Essas são algumas medidas do governo para conseguir melhorar o caixa e, quem sabe assim, Leite consiga, realmente, colocar em prática a promessa de campanha de pagar os salários dos servidores em dia. Efetivamente, a promessa era para 2019, o que acabou não acontecendo e fez com que o funcionalismo amargue 50 meses de parcelamentos e incertezas sobre o recebimento dos salários.

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Julgamentos polêmicos, reformas e articulações políticas movimentarão Brasília

 

No Congresso, devem tramitar duas reformas polêmicas em 2020: a tributária e a administrativa | Foto: Ana Volpe / Agência Senado / CP

E m 2020, governo e Congresso devem se mover de acordo com os rumos que o processo eleitoral tomar nos próximos meses. Apesar de negar especulações sobre possível troca de ministros, o presidente Jair Bolsonaro pode promover algumas mudanças no primeiro escalão durante as articulações para compor chapas majoritárias, especialmente nas capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro. Ministros como Álvaro Antônio, supostamente envolvido em denúncias sobre uso de candidatas “laranjas” para fraudar o Fundo Eleitoral, são candidatos a perder o cargo para alguma indicação que atenda a interesses eleitorais.

No Congresso, devem tramitar duas reformas polêmicas, a serem encaminhadas pelo governo: a tributária e a administrativa. A primeira deve propor, além de um novo sistema tributário, a redução da carga de tributos do empresariado, promessa de campanha de Bolsonaro, e tem potencial para promover desdobramentos e reações dos segmentos que terão de absorver esta carga.

Uma comissão mista criada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Dem-AP), tem o objetivo de encontrar um consenso entre as propostas sobre o assunto, que já tramitam no Congresso e as ideias do governo. O colegiado deve concluir os trabalhos até o final de março. A segunda proposta pretende tornar a máquina pública mais enxuta e eficiente, além de mexer com “privilégios” do funcionalismo.

Embora Bolsonaro tenha afirmado que a reforma administrativa será “a mais suave possível”, estão previstas mudanças de impacto, como o fim da estabilidade dos novos servidores. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Dem-RJ), prevê que a proposta do governo deve ser enviada ainda em janeiro. A Câmara já mapeou a situação administrativa do Congresso e constatou “desperdício de dinheiro público”. “É importante que se construa uma reforma dos três poderes”.

Outra pauta que vai mobilizar o Congresso em 2020 é a discussão sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, um dos instrumentos da Operação Lava Jato. Depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido que a prática fere o direito constitucional da presunção de inocência até o trânsito em julgado, Câmara e Senado se articulam para reverter a decisão. Uma proposta de emenda à Constituição tramita na Câmara, e um projeto de lei, no Senado.

No Judiciário, além de julgamentos polêmicos, está prevista para 2020 uma alteração na composição do STF. Será a primeira das duas vezes em que o presidente indicará um ministro do Supremo durante sua gestão. Em novembro, o decano do tribunal, Celso de Mello completa 75 anos e vai se aposentar. Bolsonaro havia afirmado em maio que, na primeira oportunidade, indicaria o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que ficou conhecido como o “juiz da Lava Jato”, para uma vaga no STF. Dois meses depois, contrariado com uma decisão da Corte, que criminalizou a homofobia, voltou atrás e disse que indicaria um ministro “terrivelmente evangélico”. O advogado-geral da União, André Luiz Mendonça, passou a ser cogitado para a função e é um dos nomes com mais chance de ser indicado por Bolsonaro.

Entre os julgamentos previstos para 2020, estão o que pode anular a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do sítio de Atibaia e o que pode invalidar o acordo de colaboração premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, usado como base em vários inquéritos da Lava Jato. Será colocado em xeque o instituto da delação premiada. 

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Previsões otimistas, privatizações e enxugamento da máquina pública

 

Entidades apostam nos efeitos das reformas para alavancar a indústria | Foto: Guilherme Testa

E conomistas, executivos e políticos não falam em outra coisa para 2020: a economia tem tudo para deslanchar. “Vamos fazer a reforma tributária”, garante o presidente Jair Bolsonaro. O ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que o sistema tributário brasileiro dará uma guinada histórica. Os economistas também fazem eco às promessas do governo depois de um ano movimentado nas reformas e nas privatizações. Há chance do PIB crescer, assim como o câmbio estabilizar em patamar razoável entre R$ 3,90 e R$ 4,20, dependendo da volatilidade do momento e das circunstâncias globais.

O vice-presidente da Federasul, Fernando Marchet, disse que, no panorama mundial, para contextualizar o Brasil, 2020 começa marcado por dois importantes acontecimentos globais: guerra comercial EUA x China e a saída do Reino Unido da Zona do Euro (Brexit). No plano brasileiro, ele foi bem confiante: “Somos otimistas e, apesar dos altos e baixos da economia, o Brasil pode ter um bom desempenho, o que deve se repetir ainda em 2021. Se o Brasil seguir com essa estratégia econômica, acreditamos que o PIB chegue a 2,7% em 2020 e 3,5%, em 2021”.

Para Marchet, o clima de otimismo também deve atingir o Rio Grande do Sul. “O cenário é de crescimento superior a 2%”. Na Fiergs, há um apoio institucional às reformas que estão em andamento no governo federal e no governo estadual. “O ano de 2019 foi ótimo para o Brasil começar a arrumar a casa”, disse o presidente Gilberto Porcello Petry. Ele projeta que em 2020 o PIB do país deverá chegar a 2%.

36,6%

dos porto alegrenses entrevistados pela pesquisa Methodus possuem alguém desempregado na família. Destes, 15,6% estão com algum familiar a mais de 12 meses sem emprego. O índice é uma das justificativas para a insatisfação dos eleitores com os governos. O desalento daqueles que estão desempregados afeta diretamente o grupo familiar, causando uma ampliação da dependência dos serviços públicos, e torna-se um dos grandes desafios para 2020.

 

Para o economista-chefe da Fiergs, André Nunes de Nunes, o menor avanço do PIB gaúcho em relação ao Brasil se deve ao Estado ter partido de uma base de crescimento mais elevada. Já o desempenho nacional foi influenciado pela queda da demanda externa, especialmente da Argentina, patamar das taxas de juros ainda alto e insuficiente para estimular a economia, e a incerteza em relação à aprovação da reforma da Previdência.

Além disso, o desempenho da indústria nacional foi afetado pela queda na indústria extrativa (-9,8%), devido ao desastre de Brumadinho. Para 2020, afirma que o Brasil parte de momentos significativos para reformas específicas e estruturantes: tributária e administrativa.

Confiança e otimismo também marcam as previsões do setor de serviços, agrupado na Fecomércio. A entidade defende para 2020 a manutenção da agenda de reformas estruturais iniciadas em Brasília e pelo governo gaúcho, como ajuste fiscal, privatização de estatais e alterações na carreira do funcionalismo estadual. Para o comércio, a previsão é de crescimento de 2,5% e dos serviços, de 2%.

Mesmo reconhecendo as dificuldades econômicas pelas quais o país atravessa, com recuperação lenta e baixa inflação, o presidente da Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, alerta que as medidas adotadas este ano vão se refletir positivamente no desempenho da economia. Responsável por analisar os dados do setor, o economista Marcelo Portugal ressalta que a melhoria da economia gaúcha passa pela privatização de estatais como CEEE, CRM e Sulgás, manutenção do orçamento congelado e também pela adesão ao regime de recuperação fiscal. 

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Entidades projetam um 2020 com aumento do PIB agropecuário e safra recorde de soja

 

Expectativa de safra recorde de soja no Rio Grande do Sul, devendo superar 19 milhões de toneladas | Foto: Guilherme Testa

O ano de 2019 se encerrou com perspectivas positivas para o setor agropecuário gaúcho. A demanda externa e a taxa de câmbio favoreceram a cotação das principais commodities, o que leva o segmento a acreditar que o próximo ano será melhor em termos de rentabilidade para o produtor gaúcho. Na soja, principal produto agropecuário do Estado, a expectativa é de safra recorde no Rio Grande do Sul, com uma produção possivelmente superior a 19 milhões de toneladas. O volume total de grãos produzidos no Estado pode chegar a 35,4 milhões de toneladas no ano que vem.

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) estima um crescimento de 7,46% do setor agropecuário para 2020, bem acima da projeção para o total do Estado, que é de um aumento de 2,53% do PIB. A expectativa é de que esse crescimento tenha impacto positivo no bolso do produtor, o que não aconteceu nos últimos três anos. “A maior rentabilidade vem justamente pela demanda chinesa, nas três carnes (bovina, suína e de frango) e nos setores de soja e de milho. As perspectivas são as melhores. Além do mais, o Brasil começa a crescer”, afirma o presidente da Farsul, Gedeão Pereira.

No caso das carnes, o aumento das exportações para a China impactou nos preços praticados no mercado interno, especialmente no último trimestre de 2019. No caso do arroz, que deve apresentar nova redução de área no Rio Grande do Sul, mas com produção praticamente estável, em cerca de 7,3 milhões de toneladas, a entidade que representa os produtores acredita que 2020 possa alcançar preços melhores em razão da abertura de novos mercados e do aquecimento do consumo interno. “Acho que os grãos vão pegar carona com a carne”, afirma o presidente da Federarroz, Alexandre Velho.

Um dos setores que deve apresentar mudanças em 2020 é a cadeia produtiva do leite, que busca se adequar às novas exigências de qualidade do leite cru, incluídas nas Instruções Normativas 76 e 77 do Ministério da Agricultura.

Relatório recente da Emater apontou que mais de 14 mil produtores deixaram a atividade nos últimos dois anos, influenciados pela remuneração e pela falta de mão de obra para seguir na profissão.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Carlos Joel da Silva, afirma que 2019 foi marcado pela mobilização contra alterações na Previdência dos trabalhadores rurais. Por outro lado, ele acredita que a agricultura familiar não está sendo reconhecida como deveria. “Precisamos que os governos criem mais políticas públicas que fortaleçam a atividade. É preciso um projeto de crescimento da agricultura familiar em nível de Brasil”, alerta o dirigente.

Os desdobramentos da guerra comercial entre China e Estados Unidos e a taxação das exportações de produtos agropecuários pela Argentina também estão entre os fatores que podem influenciar as cotações agropecuárias em 2020. 

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Cotação impactou na inflação em novembro, mas cortes devem ficar mais acessíveis 

 

Elevação de preço da carne está relacionada ao aumento das exportações | Foto: Ricardo Giusti

O aumento do preço das carnes deu o que falar em 2019 e influenciou a inflação. Entre novembro e dezembro, o preço da carne bovina aumentou em 8,09%, segundo o IBGE, o que contribuiu para a elevação do IPCA em 0,51% no mês passado.

O preço mais salgado está relacionado principalmente ao aumento as exportações para a China, favorecidas pelo dólar alto – embora o mercado interno ainda seja o destino de 80% da carne produzida no país. A alta demanda do mercado asiático deve-se a uma epidemia de peste suína africana, que dizimou boa parte do rebanho de suínos do gigante asiático, maior produtor do mundo. Surgido em agosto de 2018 no nordeste do país, o vírus se espalhou pela maioria das regiões e também foi registrado em países vizinhos.

Segundo o coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da Ufrgs, Júlio Barcellos, os levantamentos mais recentes apontam que, nos últimos dias, os valores já não subiram com a mesma velocidade. Para o consumidor gaúcho, a entrada de carne produzida no Brasil Central, que já está ocorrendo, deve representar preços mais acessíveis por cortes de boa qualidade. “Essa carne chega com grandes vantagens tributárias, o que permite que o varejo faça promoções”, afirma Barcellos.

Na pecuária bovina, o especialista vê dois movimentos motivados pela alta nos preços: a retenção de carne e a possibilidade de investimentos em tecnologias, como pastagens e genética. Conforme Barcellos, o aumento das cotações ocorre num momento importante para a produtividade, que é o período de primavera e verão. Isso deve repercutir em possível aumento de produção para o final de 2020. “A manutenção dos preços vai depender muito de como os frigoríficos de grande porte vão atuar na formação do preço do boi. O número de plantas habilitadas para a China pode ser decisivo”. 

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Tensão em vários países respinga em 2020. Especialistas apontam fragilidade e indecisão

 

Protestos e violência viraram rotina em países da América Latina | Foto: Martin Bernetti / AFP / CP

O ano de 2020 terá reflexos da onda de protestos que tomou conta da América Latina em 2019. Chile, Venezuela, Bolívia, Equador e Colômbia passaram por momentos de violência extrema entre autoridades e manifestantes por conta de insatisfações com políticas públicas, previdência e desemprego. Além destas nações, Argentina e Uruguai também tiveram mudanças drásticas, embora não tenham passado por tantos confrontos físicos. Os eleitores destes dois países levaram às urnas recentemente sua vontade de mudança. Enquanto a Argentina deixou para trás o governo liberal e de direita de Mauricio Macri e optou pelo peronista de centro-esquerda Alberto Fernández, o Uruguai deu adeus aos 15 anos do governo da esquerda e virou-se para a direita elegendo Luis Lacalle Pou, que estará no cargo em março. Tudo se mostra praticamente o inverso do que era. O empréstimo de 56 bilhões de dólares concedido aos argentinos pelo FMI para resolver “todos os problemas” trouxe mais recessão e desvalorização do peso. Administrar esse momento de austeridade é tarefa agora para o novo presidente.

A Venezuela, antes rica produtora de petróleo, viveu seu pior momento neste último ano com inflação gritante, falta de água, de energia e de comida, e 2020 promete mais quedas de braço entre o presidente Nicolás Maduro e o autoproclamado interino Juan Guaidó, líder da oposição que exige nova eleição e a anulação daquela ocorrida em maio de 2018.

Outro pleito questionado é mais recente. Reeleito em outubro e fechando 13 anos no poder, Evo Morales acabou renunciando e está asilado na Argentina após a Organização dos Estados Americanos apontar fraude e as Forças Armadas apoiarem a oposição. O governo interino promete que a população irá novamente às urnas em breve. No Equador, a destruição vista em ruas e prédios por conta das manifestações de novembro contra a alta de 120% no preço da gasolina deixou marcas. A agitação arrefeceu durante dezembro, mas grandes avenidas se transformaram em canteiros de obras para que se consertasse o que foi destruído pelos manifestantes. Na Colômbia, dezembro foi palco de pelo menos três greves gerais que mostravam o descontentamento com o governo liberal.

Outro país em processo de reconstrução e retomada é o Chile. Após dezenas de mortos e centenas de feridos em Santiago, o cenário agora é de expectativa, já que um plebiscito para mudança na Constituição deverá ocorrer em abril. Consultas municipais já foram feitas em 15 de dezembro e os resultados apontavam para mais de 70% dos 2 milhões de votantes pedindo nova carta. “Será preciso encontrar o caminho tateando”. A frase já soava como previsão para 2020 e foi dita no começo de dezembro pelo professor Alessandro Miebach, doutor em Economia e docente do curso de Relações Internacionais da Ufrgs.

O processo de desenvolvimento da América Latina hoje, disse, é uma incógnita, seja qual for a ideologia adotada em cada governo. Incontáveis conflitos ocorreram e 2020 precisará ser de reequilíbrio. Iniciar um novo ano após tantos conflitos é uma tarefa difícil, o que também foi lembrado recentemente por Andrés Haines, professor do Departamento de Ciências Econômicas da Ufrgs, pesquisador em economia e geopolítica. “Não é bom para ninguém, para os vizinhos ou para a região”, ressaltou. Prever o que virá em 2020 para os latino-americanos não se pode, mas a afirmação de Haines é um indicativo: “Todos ficaram mais fragilizados e expostos”.

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Campanha à reeleição e investigação aberta no Congresso levarão reflexos ao mundo todo

 

Perspectiva de um ano difícil para o presidente Donald Trump | Foto: Brandan Smialowski / AFP / CP

Boas ou ruins, as relações dos EUA com outras nações influenciam gestões e políticas. Figurando como primeira economia do mundo, o país trava uma guerra comercial com a China, se desentende no Oriente Médio com o Irã quando desfaz o acordo nuclear e cria celeumas também na própria América. O Brasil foi uma das “vítimas” recentemente, ao ser ameaçado de taxação e acusado de valorizar sua moeda de modo artificial, prejudicando fazendeiros americanos que compram produtos daqui. Com o vizinho México há dificuldades por conta da rigidez do presidente Donald Trump com a migração em uma fronteira que acaba atraindo também populações da Guatemala, Nicarágua e El Salvador.

Migração, guerra comercial e sanções aos iranianos são temas que Trump sempre traz à tona e com inúmeras críticas. O temperamento explosivo será testado em 2020. Trump é candidato à reeleição e a ânsia pela vitória já mostrou o quanto o cenário será agitado, sobretudo por causa do processo de impeachment contra ele, já aprovado na Câmara e a ser votado no Senado em janeiro. Ao telefonar para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, o republicano teria atrelado o envio de 391 milhões de dólares (R$ 1,7 bilhão) em ajuda militar a um “pedido”. Queria que o ucraniano investigasse o filho de Joe Biden, Hunter Biden. Joe era vice-presidente no governo Barack Obama (2009- 2017) e teria levado o governo ucraniano a demitir o procurador que investigava irregularidades na Burisma Holding, empresa de gás ucraniana onde o filho trabalhava. Hunter entrou no conselho da empresa de energia para auxiliar nos contatos com organizações estrangeiras, inclusive americanas. Segundo Trump, haveria corrupção em meio a esse contexto. O pedido a Zelenski atrelado a dinheiro foi a munição que os democratas precisavam para levar ao plenário do Congresso o processo de impeachment de Trump.

A perspectiva é de um 2020 difícil até quase o final, já que o pleito está marcado para 3 de novembro. O impeachment dificilmente passará porque no Senado a maioria é de aliados ao presidente. Recentemente, outro pré-candidato democrata tornou-se uma pedra no sapato do republicano. Como a mudança climática é um tema delicado e Washington saiu do Acordo de Paris, o exprefeito de Nova Iorque Michael Bloomberg se manifestou com a promessa de não abandonar a luta na defesa do clima. Bloomberg, inclusive, marcou presença na COP25 em Madri, conforme noticiou a AFP.

As ações durante a campanha tanto podem mudar destinos pelo planeta quanto agravar dificuldades econômicas ou políticas. A frase dita no início de dezembro quando Trump foi chamado a divulgar declarações de impostos vai deixar marcas: “Estou limpo”, enfatizou, além de se considerar uma vítima da oposição. Os democratas vão passar o ano tentando desfazer essa afirmação.

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Viadutos, trincheiras e duplicações seguem sem previsão de serem concluídos

 

Prefeitura promete que a tão esperada duplicação da avenida Tronco deverá estar finalizada até 2022 | Foto: Ricardo Giusti

O s dias de Copa do Mundo 2014 passaram tão rápido quanto um sonho bom na vida dos porto-alegrenses. Mas do efêmero evento futebolístico, realizado há quase seis anos, restaram como lembranças obras inacabadas, que ainda fazem parte do cotidiano dos moradores de Porto Alegre. São viadutos, trincheiras, duplicações de avenidas, corredores de ônibus e outras melhorias viárias. Entretanto, o que era para ser uma boa memória, se tornou um pesadelo que vai seguir ao longo de 2020.

Da lista original, aquela divulgada nos meses que antecederam o torneio, já são uma realidade os viadutos da Rodoviária, da Padre Cacique - pertinho do estádio Beira-Rio - e o da Terceira Perimetral, que cruza a avenida Bento Gonçalves. Mas ainda restam ao menos 11 obras e destas, duas poderão ser entregues ainda nestes últimos dias de 2019 e quatro em 2020. E no final do próximo ano, o leitor do Correio do Povo ainda estará se inteirando do andamento de outras duas, com data para 2021 e uma terceira com promessa de término apenas em 2022, quando já estará ocorrendo a Copa do Mundo no Catar, oito anos depois da edição brasileira.

Já a trincheira da avenida Plínio Brasil Milano e o trecho 2 da duplicação da Voluntários da Pátria não têm mais previsão de sair do papel, segundo informação da Prefeitura. Ao todo, o pacote das “obras da Copa” somava R$ 560 milhões em investimentos. A trincheira da avenida Ceará, no cruzamento com a avenida Farrapos, teve a obra retomada em março de 2018 e conforme a Prefeitura de Porto Alegre, a estrutura pode ser entregue nos próximos dias. Está praticamente pronta, restando poucos detalhes para a liberação do tráfego, projetado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) em 75 mil veículos por dia. A obra foi orçada em R$ 37,1 milhões.

70,7%

dos entrevistados pela pesquisa Methodus se dizem insatisfeitos com a infraestrutura de Porto Alegre. Os que não estão nem satisfeitos, nem insatisfeitos somam 20,7% e apenas 8,6% estão satisfeitos. Para 85,7%, a prioridade da prefeitura da Capital deve ser com o asfaltamento de ruas. O investimento em praças e parques é prioritário para 75,6%. Já a ampliação da Orla do Guaíba é importante para 16,6% dos entrevistados, enquanto para 11,9% a prioridade seria a ampliação das áreas de estacionamento rotativo (área azul).

 

Outra intervenção que está para ser concluída em breve é a colocação de 814 barreiras de concreto no corredor de ônibus da avenida Protásio Alves, em um trecho de 1,6 quilômetro, entre o Hospital de Clínicas e o Colégio Santa Inês. No total, seis estações, com uma média de 250 metros de extensão cada, receberam o serviço. Ao longo de 2020, a Prefeitura de Porto Alegre prevê ainda entregar as trincheiras da rua Anita Garibaldi e da avenida Cristóvão Colombo. Entram nesta lista também a duplicação do trecho 1 da rua Voluntários da Pátria, da avenida Ernesto Neugebauer e nova infraestrutura e pavimentação na rua José Pedro Boéssio, entre a Ernesto Neugebauer e a avenida Palmira Gobbi.

Os trabalhos na trincheira da Anita, no cruzamento com a avenida Carlos Gomes, contratados por R$ 16,9 milhões, estão também na reta final, com a frente de trabalho se concentrando na finalização do alargamento que vai comportar uma das alças de acesso. Entretanto, apesar do estado adiantado, a Prefeitura não determinou o prazo para entrega destas obras, apenas se limitando a informar que elas serão entregues neste próximo ano.

Terminado 2020, restarão ainda mais capítulos desta interminável novela. A duplicação da avenida Severo Dullius, via de acesso ao Porto Alegre Airport - Aeroporto Internacional Salgado Filho, e o corredor de ônibus da avenida João Pessoa ficam de promessa para 2021. Já a duplicação da avenida Tronco - apontada como estratégica para a Copa -, uma gigantesca obra de R$ 123,3 milhões, teve o trabalho retomado em meados deste ano e a Prefeitura prevê que esteja pronta até 2022. Sobre as duas outras intervenções que não possuem previsão de início, equipes técnicas trabalham na avaliação de viabilidade de execução, mas até agora nada definiram.

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Prefeitos sonham com a PEC que eleva repasses ao Fundo de Participação dos Municípios

 

De acordo com levantamento da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), 56,75% das prefeituras terão dificuldade em fechar as contas de 2019. Isso reflete em outro ponto: somente 24,57% das administrações conseguiram antecipar o pagamento do 13º salário aos servidores. Para tentar contornar a crise, 76,82% das prefeituras adotaram medidas de economia para poder fechar as contas deste ano, como redução de turno e do uso de veículos.

Mas a tendência é que 2020 não seja muito diferente de 2019, segundo o vice-presidente da entidade e prefeito de Taquari, Maneco Hassen. "Os municípios estão fazendo o que dá. O cenário vai seguir bastante difícil", avalia. Alternativas, conforme o prefeito, são escassas. Para o custeio, 2020 vai iniciar um pouco melhor devido à antecipação para dezembro dos repasses do ICMS pelo Estado.

Também há a esperança da aprovação do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional, que vai aumentar gradualmente em até 1% o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), cujos recursos são repassados pela União. Principais problemas que os prefeitos têm enfrentado para o fechamento das contas são os atrasos dos repasses estaduais e aumento na demanda da população por serviços públicos.

Hassen lembra que os atrasos na saúde, por parte do Estado, têm prejudicado o fluxo de caixa dos municípios. “Há R$ 645 milhões em atraso. Como é uma área fundamental, os municípios utilizam outros recursos para não deixar a população desassistida”, explica.

Entretanto, para que as administrações não iniciem 2020 com o saldo negativo, o Banrisul confirmou a antecipação do repasse de R$ 110 milhões em ICMS no dia 30 de dezembro. No âmbito dos investimentos, o vice-presidente da entidade também não vê uma solução em 2020. “Ou é o FPM ou são emendas parlamentares. Fora isso, o que os municípios têm utilizado são financiamentos do BRDE e BNDES. São raríssimos os repasses a fundo perdido, que existiam antigamente”.

Matéria que já passou pelo Senado e agora tramita na Câmara, a PEC 391/2017 aumenta os repasses ao Fundo de Participação dos Municípios, que é uma das principais fontes de receita das prefeituras. O presidente da Confederação Nacional de Municípios, Glademir Aroldi, explica que o repasse adicional representa aporte financeiro de R$ 1 bilhão já no próximo ano, uma vez que o texto aprovado pelo Senado estabelece o repasse escalonado. Serão 0,25% no primeiro e no segundo ano; 0,5% no terceiro; e 1% a partir do quarto ano. Assim, pelos próximos quatro anos, as prefeituras podem receber até R$ 10 bilhões, sendo R$ 1 bilhão em setembro de 2020; R$ 1,16 bilhão em 2021; R$ 2,46 bilhões e em 2022; e R$ 5,21 bilhões em 2023.

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Governo aposta na retomada das obras da ERS 118 e entrega pode, enfim, sair em 2020

 

Obra da nova ponte do Guaíba segue em ritmo acelerado, mas sem previsão de conclusão | Foto: Ricardo Giusti

Com mudanças na administração de importantes rodovias federais gaúchas e no Porto Alegre Airport – Aeroporto Internacional Salgado Filho, o Rio Grande do Sul viveu um ano de transformações. Mesmo com a recuperação da economia andando a passos lentos, algumas obras de infraestrutura aguardadas há décadas ganharam vida, como a nova Ponte do Guaíba, nas BRs 116 e 290, que encerrou o ano com 90% dos serviços executados, além da a ampliação do aeroporto da Capital e a retomada da duplicação da ERS 118.

A maioria das obras já vêm de longo período de negociações de governos anteriores. As dificuldades para executar um projeto, além dos gargalos econômicos, resultam num problema conhecido dos gaúchos que é a falta de logística. Os problemas enfrentados em deslocamentos por rodovias precárias ou no embarque e desembarque do aeroporto da Capital prejudicam o desenvolvimento da região e impedem maiores investimentos no Rio Grande do Sul.

Considerada prioridade pela Secretaria de Logística e Transportes, a duplicação da ERS 118 surge como principal aposta do governo para a retomada das obras no Estado. O titular da pasta, Juvir Costella, destaca que o Plano de Obras de 2019 previa investimentos de R$ 301 milhões para rodovias estaduais, dos quais R$ 131 milhões voltados à conclusão da via.

“Cerca de 80% dos trabalhos estão concluídos, os seis contratos vigentes estão em plena atividade e estamos com algumas obras em vias de inauguração. Éocaso do viaduto sobre a avenida Theodomiro Porto da Fonseca, em Sapucaia do Sul, e das pontes sobre o Arroio Sapucaia”, observa. Conforme Costella, quem passa pela ERS 118 constata ‘perfeitamente’ o avanço das obras. “Temos trechos com tráfego já liberado. A construção da nova pista está praticamente concluída e avançamos na restauração da antiga. Tudo se encaminha para que possamos inaugurar essa obra dentro do prazo que estabelecemos: dezembro de 2020”, frisa.

64,3%

dos entrevistados pela pesquisa Methodus se dizem insatisfeitos com os serviços de mobilidade na Capital. Entre as áreas abordadas, é o menor índice de insatisfação. Outros 21,8% são indiferentes e 13,9% estão satisfeitos. Entre os itens considerados prioritários pelos porto-alegrenses estão a melhoria na circulação de ônibus e lotações (83,8%), a ligação via Catamarã do Centro a zona Sul da Capital (40,1%), a ampliação de ciclovias (36,3%) e o aumento na oferta de táxis e aplicativos (30,1%)

 

Sobre o processo de concessão da RSC 287, entre Tabaí e Santa Maria, e da ERS 324, entre Nova Prata e Passo Fundo, que se arrasta desde 2018, a previsão é de que os editais das rodovias sejam finalizados e lançados em meados de 2020. "Ao longo de 2019, fizemos um processo transparente, com consulta pública por e-mail e audiências públicas nas comunidades. A sociedade ajudou a construir esses projetos, que resultarão em R$ 3,3 bilhões pelos próximos 30 anos, incluindo a duplicação dos trechos concedidos”, diz.

Em 2019, foi concluída a pavimentação dos acessos aos municípios de Muliterno, São José do Hortêncio e Caraá. Para 2020, o objetivo é concluir os acessos das cidades de Carlos Gomes, Ubiretama, Sertão Santana, Sério, Boqueirão do Leão, Cândido Godói e Guabiju-São Jorge. Costella reforça que a secretaria retomou as obras de oito acessos municipais com investimentos previstos de R$ 37 milhões.

Outras metas do governo são a conclusão da nova Ponte do Costa, na ERS 702, em Piratini, e da obra do viaduto da ERS 040, em Viamão, cuja previsão de entrega é em março. No setor aeroviário, a ideia é iniciar a ampliação do aeroporto de Passo Fundo. De acordo com a secretaria, as obras dependem da autorização da Secretaria Nacional da Aviação Civil, em Brasília. O pedido está em análise.

“Nos primeiros meses de 2020, lançaremos a licitação do projeto e das obras de ampliação do aeroporto de Santo Ângelo. Cada aeroporto conta com R$ 44 milhões do governo federal”, destaca. A recuperação da ERS 142, entre Não Me Toque e Carazinho, totalizando 18 quilômetros, e a construção de terceiras faixas em sete pontos críticos da rodovia também devem ser concluídos. A pasta destinou mais de R$ 50 milhões para recuperação de rodovias. 

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Prefeito considera que medida vai gerar “uma revolução” no atendimento à saúde da população

 

Intenção da prefeitura é qualificar o atendimento de saúde na Capital  | Foto: Ricardo Giusti

Quatro organizações sociais serão responsáveis pela contratação de profissionais para a atenção primária em saúde em Porto Alegre. O termo de colaboração foi assinado pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior, pelo secretário municipal de Saúde, Pablo Stürmer, e representantes da Irmandade Santa Casa, Divina Providência, Instituto de Cardiologia e Associação Hospitalar Vila Nova. Marchezan agradeceu às instituições por terem aceito o que considera “um gigantesco desafio” e ressaltou que isso vai significar “uma revolução no atendimento à saúde da população”.

Isso porque a estimativa é que, nas quatro unidades de saúde já abertas até as 22h e nas outras quatro que passarão a ter horário estendido em 2020, serão feitos ao todo 240 mil atendimentos a mais por ano. Já nas 32 unidades abertas até as 20h, serão em torno de 400 mil atendimentos anuais. O documento assinado tem duração de 180 dias e garante o fornecimento de profissionais para as unidades de saúde da atenção básica.

A medida vai possibilitar a adesão imediata ao programa federal Saúde na Hora e o preenchimento de postos de trabalho vagos após a decisão do Tribunal de Justiça do RS, em 2013, e reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal, neste ano, pela inconstitucionalidade da lei que autorizou a criação do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família. Atualmente, existem 34 cargos vagos de médicos em Equipes de Saúde da Família. Com a contratualização com as entidades, será possível fazer as reposições.

85,2%

dos entrevistados pela pesquisa Methodus se dizem insatisfeitos com a área de saúde em Porto Alegre. Apenas 4,9% estão satisfeitos e os demais 9,8% são indiferentes. Entre as prioridades estão o aumento de vagas em hospitais públicos (72,4%) e na oferta de consultas com especialistas (58,3%), as ampliações da distribuição de medicamentos (43,9%) e do atendimento do Tele Saúde (19,8%).

 

Além disso, com o novo modelo, o número de profissionais, que era de 834, vai saltar para 1.027. A prefeitura ainda encaminhou projeto de lei para criação de 864 cargos de agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, em tramitação na Câmara Municipal. As quatro entidades ficarão responsáveis pela contratação de médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos de enfermagem e técnicos e auxiliares de saúde bucal.

Os serviços seguirão indicadores e metas, com ênfase na qualidade dos atendimentos prestados. Cada uma das organizações atenderá unidades de saúde de duas gerências distritais. “A parceria oportunizará o provimento de recursos humanos para atuarem em nossas unidades de saúde e solucionar desafios impostos pela burocracia estatal”, afirmou. O provedor da Santa Casa, Alfredo Englert, disse que é a oportunidade para a instituição aumentar a responsabilidade com a população. 

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Reestruturação 13 da carreira, disputa de projetos, salários, BNCC e qualidade em destaque

 

Cpers projeta um ano de continuidade no embate com o governo do Estado | Foto: Alina Souza

O ano em que o Cpers voltou à Praça da Matriz, na Capital, e impôs nova greve ao governo, dita os passos do magistério estadual para 2020. Além das questões funcionais que tramitam na Assembleia Legislativa, para o próximo ano, o sindicato projeta ainda o enfrentamento de, pelo menos, duas grandes polêmicas: a implantação das escolas cívicomilitares e o novo Ensino Médio.

“Nos preocupa muito, a transformação da escola pública com o melhor Ideb da região de Caxias do Sul em uma escola cívico-militar”, aponta a presidente do Cpers, Helenir Schurer, referindo-se ao desempenho da Escola Estadual Alexandre Zattera, no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Em relação ao Ensino Médio, a dirigente teme o corte de áreas do conhecimento do currículo. “Essa mudança restringe ainda mais o aprendizado dos alunos da escola pública, reduzindo suas chances no mercado de trabalho, entre outros prejuízos.”

Nas questões relativas à carreira dos professores, a expectativa é ampliar a mobilização. “É fato histórico, o apoio que recebemos da sociedade”, avalia Helenir. “Esta mesma sociedade, agora precisa se posicionar sobre o que quer para seus idosos, uma vez que eles estão entre os mais atingidos pelo confisco salarial recém aprovado pelo governo”, observa. Assim, a dirigente projeta um ano de continuidade no embate com o governo. “Não vamos aceitar a proposta que, apesar de melhorar a ‘vestimenta’ dos projetos, continua repassando a conta para os próprios trabalhadores”, adianta.

Na Secretaria Estadual da Educação, dificuldades financeiras do governo ainda serão empecilho em 2020. O titular da pasta, Faisal Karam, lembra que a reforma federal trabalhista e da previdência deverão se alinhar à proposta do Estado, para o novo plano de carreira dos educadores gaúchos, a se definir no novo ano. A reestruturação da Secretaria (que teve muitas baixas em 2019, com pedidos de demissão e aposentadoria) deverá se consolidar, e os cerca de 5 mil contratos docentes aprovados permitirão atender as escolas em 2020.

Em relação a projetos e ações pedagógicas, o secretário prevê crescimento no Ideb; ampliação do uso do diário eletrônico em escolas (para controle escolar em tempo real e ajustes no fluxo de estudantes); ampliação do Programa Jovem RS Conectado com o Futuro e de parcerias com entidades; bem como promoção do programa RS Seguro, em escolas de vulnerabilidade e dificuldades, com contraturno escolar a esses jovens. O secretário adianta que utilizará a verba federal para ampliar o Ensino Médio em tempo integral; explica que a BNCC da Educação Infantil (EI) e do Ensino Fundamental (EF) já foram trabalhadas, e que o ano será de construção da base do Ensino Médio (EM).

Revelou que será formatada uma nova proposta para a escola gaúcha, unificando critérios na avaliação dos alunos. Em sala de aula, a meta será organizar as turmas com cerca de 25 alunos cada, na Educação Básica, e realizando ajustes em Educação de Jovens e Adultos (EJA) e no EM, modalidades com muito abandono. Sobre o fechamento de escolas, afirmou que seguirão as buscas de parcerias para os anos iniciais do EF com municípios, além de otimizar ações e recursos em transporte e merenda escolar.

Na Secretaria de Educação de Porto Alegre (Smed), o ano será de fechamento do ciclo de quatro anos da atual administração municipal. “Um dos nossos principais desafios, desde o início, foi buscar aumento da qualidade do ensino e, para isso, desenvolvemos uma série de iniciativas”, explica o secretário Adriano Naves de Brito, lembrando que, em 2020, haverá a 2ª edição da Prova Porto Alegre, que, junto do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), fornecerá um diagnóstico do aprendizado dos alunos da escola pública municipal. “E será a primeira vez que o cargo do diretor estará vinculado a este diagnóstico, fortalecendo o seu papel como líder na busca pela excelência da aprendizagem”, considera.

No aspecto pedagógico, acrescenta que, em 2020, será implantada a Base Curricular da Educação Infantil em Porto Alegre. “A ideia é fornecer um parâmetro de ensino único às redes pública estatal e comunitária”, explica. E no Ensino Fundamental, este sim, obrigatório, conforme previsto em lei, será iniciada a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). E terá continuidade a parceria com a sociedade civil na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Em infraestrutura, a expectativa é, até o final do ano, ter a rede wi-fi instalada em toda a rede. Já as oito creches iniciadas com verba federal do FNDE, e que estão com as obras paralisadas, serão retomadas em 2020.

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Filantropia, parcerias, novo Ensino Médio, EAD e ingresso aos 6 anos vão pautar 2020

 

Entre as questões de ordem financeira e pedagógica que devem pautar 2020 nas particulares gaúchas, o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do RS (Sinepe/RS), Bruno Eizerik, destaca que a filantropia para o setor é tema que continuará a demandar atenção e discussão, porque apesar de ter saído uma PEC paralela, ainda é preciso lei complementar para deliberar sobre este assunto. E tem ainda a reforma tributária, que não deve mexer nos tributos para a Educação, mas que sempre requer alerta e cuidado.

Bruno projeta um novo ano de avanço em parcerias. Junto ao setor público, avalia que ambos podem ser beneficiados, em qualidade, oferta e custos. Ele argumenta que, na avaliação internacional Pisa, a rede privada obteve pontuação que lhe permitiu melhores colocações no ranking. E, com o Pisa S, a perspectiva é de maior participação das escolas particulares e possibilidade de aperfeiçoamento do ensino e de apoios à rede pública.

No campo pedagógico, o dirigente lembra que 2019 foi de preparo das escolas para a nova base curricular da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, que entram em pleno vigor em 2020. E ressalta que, agora, será tempo de pensar no novo Ensino Médio, que envolve custos e mudanças obrigatórias, a serem implementados até 2023. Com a recente permissão para ampliar a carga horária na Educação a Distância (EAD), essa será outra matéria que mobilizará as particulares, especialmente no Ensino Superior. O campo acadêmico também defenderá “maior apoio do financiamento público, principalmente buscando o retorno do Fies administrado de forma mais séria e melhor utilizado como instrumento de ingresso de estudantes que procuram a universidade”.

O ponto de corte na idade para o ingresso no Ensino Fundamental será outra problemática a ser enfrentada, pois o assunto é controverso, requer debate profissional e, segundo Bruno, afeta as escolas, que já realizaram suas matrículas para 2020.

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Integração é a arma contra o avanço da criminalidade, afirmam as autoridades

 

Brigada Militar projeta receber 2.576 novos soldados e dar início à formação de 200 capitães no próximo ano | Foto: Alina Souza 

A o que tudo indica, 2020 será o ano em que a criminalidade sentirá o peso do Estado. Isso por que, se por um lado o Rio Grande do Sul e o país estão apertando cada vez mais os cintos, por outro o trabalho integrado entre as forças de segurança otimiza o emprego destes recursos – financeiros e humanos – e poderá proporcionar indicadores parecidos com os de 2019 ou até melhores. De janeiro a novembro, o RS registrou 146,9 homicídios ao mês.

Se dezembro mantiver a média, o ano vai encerrar com 1.763 mortes. O número é o menor para 100 mil habitantes desde 2010. Para que os gaúchos se sintam cada vez mais seguros no próximo ano, a ideia, tanto do comando da Brigada Militar, quanto da chefia da Polícia Civil, é somar forças. Em outra frente, a Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado quer se manter bem preparada para combater os crimes transfronteiriços, como tráfico de drogas e armas, e também evitar que as rodovias federais gaúchas se transformem em cenários de tragédias no trânsito.

O comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Rodrigo Mohr Picon, é um dos gestores que aposta numa maior visibilidade do Estado frente à criminalidade. “Vejo um trabalho de inteligência, de integração com prefeituras, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros. Nós já temos feito operações integradas e o cara que está errado, se ‘arrebenta’, porque vê o Estado forte e isso, principalmente nestes crimes de receptação, dá um impacto muito grande”, defende. A chefe de Polícia, delegada Nadine Anflor, também pretende seguir o mesmo norte no trabalho da Polícia Civil. “Uma de nossas metas é intensificar a integração do trabalho policial, interno e externo, como já vem sendo feito dentro do RS Seguro, em que uma unidade da BM patrulha nas mesmas áreas da investigação das Delegacias de Polícia”.

88,4%

dos entrevistados pela pesquisa Methodus se dizem insatisfeitos com a segurança pública em Porto Alegre − a maior rejeição entre os itens abordados. Outros 6,9% não estão nem satisfeitos, nem insatisfeitos e apenas 4,7% se dizem satisfeitos. Nesta área as prioridades são: ampliação nos bairros das câmeras de monitoramento (58,0%), melhoria da iluminação pública (54,5%), aumento da segurança no transporte público (43,4%) e ampliação do atendimento da guarda municipal (37,6%).

 

As rodovias federais do RS são importantes rotas de integração com os países vizinhos. Por isso, a PRF quer intensificar ainda mais o enfrentamento da criminalidade, em especial dos delitos transfronteiriços. Somente em 2019, os agentes federais apreenderam quase 1 tonelada de cocaína, mais de 7 milhões de maços de cigarros contrabandeados e 14 toneladas de maconha. “O planejamento da PRF envolve um maior investimento nas soluções tecnológicas e valorização da área de inteligência. Entendemos que o modelo ideal de policiamento é aquele orientado à inteligência”, ressalta o superintendente no RS, Luís Carlos Reischak.

Além de reforçar a atuação conjunta, a BM projeta outras iniciativas. De acordo com o coronel Mohr, a principal delas é ampliar o efetivo. “A partir de 2020, a gente deverá começar a receber 2.576 soldados. Então vamos ter um aumento no policiamento e mais um curso para 200 novos capitães”, detalha. A BM ainda dará uma atenção maior à questão preventiva do policiamento ostensivo, bem como contar com o apoio ainda maior da comunidade pelo Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública do Estado do RS (Piseg). A iniciativa permite que empresas gaúchas contribuintes de ICMS tenham valores destinados ao aparelhamento da segurança pública abatidos do imposto devido.

Na Polícia Civil, Nadine acredita que 2019 foi um bom ano, mesmo com a troca de lideranças. “A Polícia Civil é uma instituição com um trabalho consolidado. Então vamos dar continuidade ao que está sendo feito”, resume.

Para enfrentar organizações criminosas cada vez mais desenvolvidas e que fazem uso das rodovias federais para seus negócios ilícitos, Reischak adianta que a instituição vai focar também na capacitação de seus agentes. “O treino policial é cada vez mais necessário em uma polícia moderna”, acrescenta. Além disso, a PRF também não vai deixar de lado a redução da violência no trânsito. “Nossos planejamentos operacionais continuarão cada vez mais orientados por modelos e conhecimentos estatísticos, de forma que as ações de fiscalização sejam estabelecidas nos trechos críticos e voltadas por combater aquelas condutas que mais causam mortes no trânsito”, detalha.

Conforme o superintendente, o ano de 2020 será fundamental para a PRF no RS. “Esperamos editar e implantar o Plano Tático da PRF gaúcha ainda no início do próximo ano. É um documento estratégico que norteará as ações, prioridades e investimentos para o próximo biênio”, conclui.

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Interminável precariedade das penitenciárias

 

Viaturas foram transformadas em cadeias improvisadas no Estado | Foto: Alina Souza

O secretário da Administração Penitenciária (Seapen), Cesar Faccioli, acredita que 2020 será um ano em que poderão ser minimizados os problemas do sistema prisional. Um dos fatores para esta confiança é a construção do Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), cujas obras deverão ficar prontas no final do primeiro semestre. O espaço servirá para qualificar a porta de entrada dos presos ao sistema penitenciário. A unidade será instalada junto ao Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) e contará com a presença de representantes do Judiciário, Defensoria Pública, Ministério Público, cartórios e o que for necessário para a rápida realização das audiências de custódia, agilizando todo o processo. Isso ficou acertado durante as audiências de conciliação com o Sistema de Justiça, no âmbito do habeas corpus que pedia a remoção dos presos custodiados em viaturas. “Um problema que, por hora, conseguimos contornar. O Nugesp será a solução definitiva para isso”.

Estancar a superlotação no sistema carcerário não é tão simples. De acordo com Faccioli, a questão não é fácil de ser resolvida em nenhum dos presídios do país. No Rio Grande do Sul, particularmente, a própria criação da Seapen foi uma sinalização do governo no sentido de priorizar a gestão prisional. “Ao longo de 2019, recebemos 13 mil detentos que, somados aos já existentes, torna a solução complexa”, comentou Faccioli. “Ao longo do ano, adotamos estratégias que se complementassem entre o investimento em novas casas prisionais, como fizemos com a inauguração da Penitenciária de Bento Gonçalves, com capacidade para 420 presos, e o investimento no tratamento penal, procurando reduzir o índice de reincidência e trabalhar a ressocialização dos detentos”, afirmou.

Além de Bento Gonçalves, foram finalizadas as obras em Sapucaia do Sul, com 600 vagas, e concluída a reforma da ala incendiada da Pecan II, recuperando 260 vagas. Também foram retomadas obras, em parceria com o Departamento Penitenciário Nacional. “Instalamos scanners corporais e detectores de metais em diversas unidades prisionais”, disse. “O ano de 2020 deverá marcar, ainda, o início das obras do primeiro presídio federal em solo gaúcho, em Charqueadas”.

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Roqueiros invadem Porto Alegre para uma agenda de grandes shows ao longo do ano

 

Metallica se apresenta na Arena do Grêmio, em sua turnê "WorldWired Tour”, no dia 12 de abril | Foto: Jeff Yeager / Divulgação / CP

O s fãs de rock podem separar para os vários shows agendados para o primeiro semestre em Porto Alegre. A Capital vai receber Metallica, Kiss, The Circle, entre outros. Isso que Os Mutantes, por readequação da agenda, cancelaram a apresentação que aconteceria no Opinião. No dia 30 de janeiro, terá o Folk In Concert, reunindo três atrações, a partir das 19h, no Teatro do Bourbon Country: o duo paulista Olam Ein Sof, os gaúchos do Bando Celta e a banda mineira Tuatha De Danann.

De acordo com o produtor Carlos Branco, "os artistas confirmados no espetáculo transitam na vertente da música folk, que hoje pode congregar desde a música medieval ao heavy metal, com influências da cultura celta e com letras que falam de harmonia, relação entre as pessoas e um mundo melhor".

O duo Olam Ein Sof, formado por Fernanda Ferreti e Marcelo Miranda, será o responsável pela abertura. Em seguida, o Bando Celta subirá ao palco com um show colorido, dançante e bem-humorado, que une música celta com o novo folk. O quarteto explora as sonoridades de diversos instrumentos com Renato Zingano Velho no violão, mandola, banjo e vocais, Caio Haag nos vocais e bodhran, Leandro Dias na gaita de foles e flautas, e Christian Feel no violino.

Para encerrar, a banda Tuatha De Danann, da cidade de Varginha, assume os microfones trazendo harmonias com base no heavy metal e na música celta, interpretadas por Bruno Maia (vocal, guitarra, flautas, banjo, bouzouki e bandolim), Giovani Gomes (baixo e vocais) e o tecladista Edgard Brito. Em 11 de fevereiro, chegam os italianos do Lacuna Coil, da vocalista Cristina Scabbia, em turnê do novo álbum “Black Anima”, no Opinião. A banda norte- americana Uncured fará a abertura.

Março será um mês lotado de atrações. Logo no dia 3, também no Opinião, o Amon Amarth, da Suécia, formado por Johan Hegg (vocal), Ted Lundström (baixo), Johan Söderberg (guitarra), Olavi Mikkonen (guitarra) e Jocke Wallgren (bateria), chega com a sua turnê "Berserker Latin America 20", para promover o álbum "Berserker", lançado em 2019.

A abertura será dos alemães da Powerwolf, em sua primeira passagem pelo Brasil. O grupo formado por Attila Dorn (vocal), Matthew Greywolf (guitarra), Charles Greywolf (guitarra), Falk Maria Schlegel (teclado) e Roel van Helden (bateria) promove o álbum "The Sacrament Of Sin", de 2018. Novamente no Opinião, no dia 17, às 18h30min, será a vez do metal sinfônico da banda Turilli / Lione Rhapsody, formada em 2018 pelos ex-membros do Rhapsody of Fire Luca Turilli e Fabio Lione.

No dia 20, no Pepsi On Stage, a partir das 20h30min, ocorre o show da banda Sammy Hagar & The Circle, capitaneada pelo exvocalista do Van Halen, Sammy Hagar, ao lado do baterista Jason Bonham, do baixista Michael Anthony e do guitarrista Vic Johnson. Eles estão divulgando o álbum de estreia, "Space Between", mas também tocarão músicas do Van Halen, Montrose e Led Zeppelin.

Em abril, no dia 7, o Sonata Arctica, banda finlandesa de power metal, se apresenta no Opinião, às 21h, em show da turnê do novo álbum “Talviyö”. E então, se tudo correr bem, e o guitarrista e vocalista James Hetfield não tiver mais problemas, no dia 12, às 21h, o Metallica toca na Arena do Grêmio, em sua turnê "WorldWired Tour", que já teve mais de 150 shows desde outubro de 2016.

A base do show, além de clássicos como "Enter Sandman", "Master of Puppets", "Battery", "For Whom the Bell Tolls", "Unforgiven", continuará sendo o disco "Hardwired... To self-destruct", lançado em 2016. A abertura ficará a cargo da Ego Kill Talent, às 18h30min e Greta Van Fleet, às 19h30min. Em 6 de junho, também na Arena, chega o Kiss em sua terceira passagem por Porto Alegre, onde esteve 1999 e 2012, com "End of The Road Tour", sua anunciada turnê de despedida. 

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Eliminatórias da Copa do Mundo estão no caminho da Seleção Brasileira em 2020

 

Técnico Tite segue no comando da Seleção Brasileira no próximo ano | Foto: Lucas Figueiredo / CBF / CP

Não chega a ser um título em si, mas está longe de ser uma façanha qualquer. De todas as seleções que já disputaram a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira é a única a ter disputado todos os Mundiais desde 1930, no Uruguai. A partir de março, a caminhada começa mais uma vez. Se em outros continentes, a Copa de 2022 já começou de forma oficial com as Eliminatórias, casos da África e da Ásia, na América do Sul a disputa inicia em 2020 e só termina em 2021, quando estarão definidos todos os 32 participantes do mais importante torneio de futebol do planeta.

No dia 17 de dezembro, no Paraguai, foi sorteada a ordem dos confrontos. Não que faça muita diferença, até porque a fórmula segue a mesma de anos anteriores. Ou seja, as dez seleções do continente - Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia e Venezuela - jogam entre si em turno e returno. Ao final das 18 rodadas, as quatro melhores colocadas estão com vaga assegurada no Catar 2022, enquanto quem chegar em 5° lugar segue com chances, mas disputa uma repescagem com adversário indefinido ainda por parte da Fifa.

Mesmo sem gozar do mesmo prestígio que tinha no período anterior à Copa da Rússia, em 2018, o técnico Tite segue no comando da Seleção Brasileira. Apesar da conquista da Copa América em 2019, o desempenho do time em campo está muito aquém do esperado pela torcida. A esperança é que nomes, como os atacantes Bruno Henrique e Gabigol, do Flamengo, e Everton, do Grêmio, surjam como alternativas para que a equipe ganhe em criatividade do meio de campo para a frente.

A estreia brasileira nas Eliminatórias será no dia 26 de março do próximo ano, em casa (mas em local ainda indefinido) diante da Bolívia. Cinco dias depois, o time volta a campo, desta vez no Peru para enfrentar os anfitriões. O restante da primeira rodada das Eliminatórias Sul-Americanas prevê os seguintes duelos: Colômbia x Venezuela, Argentina x Equador, Paraguai x Peru e Uruguai x Chile.

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Libertadores pode registrar o seu primeiro Gre-Nal da história

 

Portaluppi segue no comando do tricolor e Coudet é a esperança da torcida colorada | Fotos: Lucas Uebel / Grêmio e Ricardo Duarte / Inter

A Taça Libertadores de 2020 pode ter um encontro inédito e impactante para os gaúchos. Existe grande chance de ocorrer Gre-Nal na fase de grupos, que começa em março. A competição continental é uma das várias que a dupla terá pela frente no próximo ano, junto com Gauchão, Brasileirão e Copa do Brasil. O Grêmio vai para a 20ª participação no torneio continental, sendo a 5ª vez consecutiva, onde buscará o tetracampeonato. Já o Inter estará presente pela 14ª vez, a segunda seguida, tentando o tricampeonato. Também estarão na disputa o atual campeão Flamengo, Athletico Paranaense, Santos, Palmeiras, São Paulo e Corinthians. Ao todo, são 47 clubes de dez países. A fase de grupos começa em 4 de março. A grande final está marcada para 21 de novembro, no Maracanã, que completará 70 anos em 2020.

A primeira etapa da Libertadores começa em janeiro. E o Internacional entrará em campo pela segunda fase, na primeira semana de fevereiro, quando terá de encarar um mata-mata contra um time chileno – Union Española ou Universidad de Chile – a ser definido em janeiro. Se avançar, o Inter ainda terá uma terceira fase, quando terá pela frente o vencedor do confronto entre Macará (Equador) e Deportes Tolima (Colômbia).

Quem passar desta etapa, cairá na Chave 5 da fase de grupos, que começará em março, com Grêmio, Universidad Católica e o América de Cali, ou seja, dois clássicos Gre-Nal se avizinham. Nunca na Libertadores os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul se encontraram. Em 2019, houve uma chance real de confronto nas semifinais, quando o tricolor passou pelo Palmeiras nas quartas de final. Porém, no outro lado do chaveamento, o Inter acabou derrotado pelo Flamengo.

A fase de grupos também pode ser contemplada com outro clássico, Palmeiras e Corinthians, apelidado de Derby Paulista. O Corinthians, assim como o Inter, entrará na disputa na segunda fase e, se avançar, vai para o Grupo B, que além de seu maior rival, o Palmeiras, tem ainda Bolívar (Bolívia) e Tigre (Argentina).

O Inter, que estará sob o comando do treinador argentino Eduardo Coudet, ex-Racing, já ganhou a Libertadores em duas oportunidades. Em 2006, venceu o São Paulo na decisão e foi campeão do mundo. Em 2010, derrotou o Chivas Guadalajara na final. A equipe do Beira-Rio ainda foi vice em 1980, ocasião em que foi derrotada pelo Nacional de Montevidéu na decisão. O 7° lugar no Brasileirão de 2019 garantiu ao Inter uma vaga na Libertadores.

Já o Grêmio, sob o comando de Renato Portaluppi, é um dos três times brasileiros que mais participou da competição. Disputará a 20ª em 2020, ao lado de Palmeiras e São Paulo. As três equipes já conquistaram três vezes a Libertadores. O tricolor gaúcho venceu em 1983, ao passar pelo Peñarol na final, e depois foi campeão do mundo. O bicampeonato chegou em 1995, sobre o Atlético Nacional, e o tri é recente, na temporada de 2017, quando derrotou o Lanús.

O time gaúcho foi vice-campeão ainda em duas oportunidades, em 1984, derrotado pelo Independiente, que na ocasião ganhou o título pela 7ª e última vez, sendo o maior vencedor até os dias de hoje. Em 2007, o Grêmio perdeu a decisão para o Boca Juniors. Em 2020, o Grêmio terá novamente pela frente a Universidad Católica, que já enfrentou na fase de grupos de 2019, com derrota de 1 a 0 no Chile, e vitória por 2 a 0 na Arena. Já o América de Cali é velho conhecido da época do primeiro título continental, em 1983, pelas semifinais. E em 1996, na mesma fase. Cada um avançou uma vez à decisão.

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Olimpíada retorna à Ásia em uma edição que deve ser marcada pela tecnologia

 

Estádio Olímpico de Tóquio está pronto e foi inaugurado oficialmente no dia 16 dezembro com seus 68 mil lugares | Foto: Behrouz Mehri / AFP / CP

Cinquenta e seis anos depois, a Olimpíada retorna a Tóquio, sede dos Jogos de 1964. A capital japonesa será a primeira na Ásia a receber a competição pela segunda vez, entre os dias 24 de julho e9de agosto do próximo ano. O principal palco do evento, o Estádio Olímpico de Tóquio, está pronto e foi inaugurado oficialmente no dia 16 dezembro, com seus 68 mil lugares.

Desde o encerramento dos Jogos do Rio, em 2016, com a aparição do primeiro-ministro Shinzo Abe saindo de um túnel vestido de Mario, no estilo dos jogos de videogame, espera-se uma edição cheia de surpresas tecnológicas. Os japoneses certamente encantarão o mundo, mas não sem também sofrer com alguns problemas na preparação. No caso deles, o principal até agora foi a mudança no design original do estádio, considerado muito caro. A diferença é que mesmo com o atraso no início das obras e a correria para fazer um projeto novo, a estrutura ficou pronta a tempo.

Tóquio 2020 vai marcar a estreia do surfe, skate, caratê e escalada, além da volta do baseball e softball. Será a primeira edição dos Jogos Olímpicos após as aposentadorias de Michael Phelps e Usain Bolt, dois dos maiores atletas da história, que competiram pela última vez no Rio. Novos nomes surgem para alcançar o status de lenda, como a americana Simone Biles, cotada para, em breve, ser a maior ginasta de todos os tempos. Nos EUA igualmente há ainda os fenômenos da natação Katie Ledecky e Caeleb Dressel, que ganhou nada menos que oito ouros no último Mundial, destruindo uma série de recordes de Phelps, além dos grandes astros do basquete, que não vão ficar de fora após o fracasso do time B no Mundial. Outros atletas já consagrados buscam mais uma conquista histórica, como a nadadora húngara Katinka Hosszú, os velocistas jamaicanos Asafa Powell, Yohan Blake e Shelly-Ann Fraser-Pryce e americanos Justin Gatlin e Tyson Gay.

O Brasil vive uma situação curiosa. Após o esforço feito para a Olimpíada que seria disputada em casa e que resultou no 13° lugar no quadro geral de medalhas (a meta era furar o Top 10), com um recorde de 19 pódios, os investimentos despencaram. Porém, o ciclo de Tóquio 2020 foi muito bom e é grande a chance de que o país melhore o desempenho em relação à Rio 2016. Isso porque, em 2019, atletas brasileiros foram ao pódio em 20 Mundiais de diferentes modalidades.

Alguns candidatos à medalha olímpica (talvez ouro) são Isaquias Queiroz (canoagem), Martine Grael/Kahena Kunze (vela), Ana Marcela Cunha (maratona aquática), Mayra Aguiar (judô), Beatriz Ferreira (boxe), Gabriel Medina (surfe), Pamela Rosa (skate), Darlan Romani (arremesso de peso), os revezamentos do atletismo e da natação, além de alguma surpresa na ginástica e nos esportes coletivos, com ênfase para o futebol e o vôlei (de quadra e de praia).

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Créditos

Edição: Jonathas Costa, Luciamem Winck e Simone Lopes

Textos: Amauri Knevitz Jr, Carlos Corrêa, Chico Izidro, Danton Júnior, Dulci Emerim, Eugênio Bortolon, Felipe Samuel, Gabriel Guedes, Maria José Vasconcellos, Mauren Xavier, Paulo Roberto Tavares e Simone Schmidt