Universidades do RS no ranking de patentes

Universidades do RS no ranking de patentes

O mais recente levantamento sobre patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) revela os maiores depositantes de pedidos de propriedade intelectual em 2020. A produção acadêmica gaúcha tem destaque

Mestrado de Gabriela Antonioli, da UCS, revela tecnologias ambientais na produção de alimentos

Por
Maria José Vasconcelos

O ranking de patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) apontou os maiores depositantes de pedidos de Propriedade Intelectual de 2020. A classificação dos 50 maiores pedidos feitos, divulgada pelo Inpi no final do ano passado (em outubro), revela, com destaque, o trabalho acadêmico. As patentes de invenção resultam do desenvolvimento de produtos ou processos que atendam requisitos de atividade inventiva, novidade e aplicação industrial. No RS, a produção das universidades avança.

Com 38 patentes, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que nesse período de pandemia da Covid está envolvida em diversos estudos e frentes de trabalho em prol da saúde, obteve a 9ª posição. A Universidade, que estava em 2º lugar entre as Instituições de Ensino Superior (IES) gaúchas, agora obteve o 1º lugar, superando a Universidade Federal do RS (Ufrgs), que tem figurado entre os dez maiores depositantes do país.

O superintendente de Inovação e Desenvolvimento Interinstitucional da UFPel, Vinicius Farias Campos, explica que o estímulo à inovação na universidade começou em 2017. E avalia que o resultado representa o envolvimento da instituição com seus alunos, servidores e com o saber voltado a resolver problemas da sociedade. “O desafio é manter a geração de conhecimento e transferi-lo, cada vez mais, à sociedade. Precisamos acreditar que podemos ser exportadores de tecnologia e de produtos com valor agregado”, resume.

Na lista geral dos depositantes residentes, a Fundação Universidade de Caxias do Sul, mantenedora da UCS, está na 28ª colocação, com 18 depósitos. Atualmente, o portfólio de inovação da UCS conta com 135 itens, além dos registros em análise. O coordenador de Pesquisa da UCS, Matheus Parmegiani Jahn, responsável pela gestão dos ativos de propriedade industrial da agência de inovação UCS iNOVA, considera que se manter entre as principais depositantes de patentes do Brasil nos últimos anos é resultado da qualidade das pesquisas realizadas e do esforço institucional em proteger o conhecimento gerado pelos pesquisadores. “O processo de proteção, por meio das patentes, e a posterior transferência e exploração econômica destas tecnologias beneficiam a Universidade, com a geração de recursos, que serão reinvestidos em infraestrutura e melhoria nas condições de pesquisas”, explica o professor. “A proteção e a transferência de tecnologia ainda favorecem o pesquisador, por representarem importante produção técnica/tecnológica e possíveis ganhos financeiros. E, por fim, o processo acaba sendo enriquecedor à sociedade, que terá acesso às tecnologias e aos processos inovadores”, diz.

Já a Ufrgs, registrou 15 patentes, ficando em 36º nesse recente ranking. Elizabeth Obino Cirne Lima, secretária de Desenvolvimento Tecnológico da Federal do RS, entende que a posição conquistada é fruto do trabalho desenvolvido pela Ufrgs. “Grande parte do conhecimento gerado na Universidade resulta em novas tecnologias, que passam por um processo de proteção da propriedade intelectual, e muitas dessas novas tecnologias podem ser transferidas aos setores público e privado, atendendo a diferentes demandas da sociedade”, afirma Elizabeth.

Anteriormente, a Ufrgs contabilizou 27 depósitos de pedidos de patentes em território nacional e internacional. Há 21 anos, a Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico (Sedetec) articula, com os centros de pesquisa da Universidade, a proteção e gestão de patentes, modelos de utilidade, desenhos industriais, marcas, programas de computador e cultivares.

E na Revista da Propriedade Industrial nº 2606, de dezembro/2020, o Inpi reconheceu o pedido de patente da tecnologia “Sistema e Processo de Desinfecção de Fluido em Fluxo Contínuo (BR 10 2020 001683)”, desenvolvida por pesquisadores do Pós em Microbiologia Agrícola e do Ambiente (PPGMAA da Ufrgs), que se enquadra na modalidade de Patente Verde. A tecnologia se situa no campo de controle da poluição; e de tratamento, saneamento básico e distribuição de água potável.

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895