Começa julgamento do presidente do PSG e de ex-secretário da Fifa por direitos de transmissão
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Começa julgamento do presidente do PSG e de ex-secretário da Fifa por direitos de transmissão

Jérôme Valcke e Nasser Al-Khelaïfi podem ser condenados até cinco anos de prisão

AFP

Jérôme Valcke e Nasser Al-Khelaïfi (foto) podem ser condenados até cinco anos de prisão

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Começou nesta segunda-feira na Suíça o julgamento de Jérôme Valcke, ex-número dois da Fifa, e de Nasser Al-Khelaïfi, presidente da beIN Media e do clube francês PSG, por um caso de negociação de direitos de transmissão da Copa do Mundo.

Os dois homens podem ser condenados a até cinco anos de prisão neste julgamento que acontece até 25 de setembro no tribunal federal da cidade suíça de Bellinzona, ao qual chegaram na manhã desta segunda-feira acompanhados de seus advogados.

Restituir dinheiro à Fifa

A audiência ocorre sob a dupla ameaça da crise de saúde, que já interrompeu uma sessão anterior, e das acusações de conluio entre o Ministério Público suíço e a Fifa, que minaram sua credibilidade.

No centro da acusação, o francês Jérôme Valcke, de 59 anos, ex-braço direito do ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, aparece em dois casos separados de direitos televisivos e pode ser condenado a até cinco anos de prisão.

A justiça suíça o censura por ter favorecido a transferência para o gigante catariano BeIN Media os direitos audiovisuais para o Oriente Médio e Norte da África das Copas do Mundo de 2026 e 2030, em troca de "regalias indevidas" de Nasser Al-Khelaifi.

Segundo a denúncia, o caso teria começado em 24 de outubro de 2013 na sede francesa da BeIN, com a promessa do líder catariano de comprar uma casa na Sardenha (Itália) por cinco milhões de euros, e conceder uso exclusivo a Jérôme Valcke e então cederia a ele a propriedade para todos os efeitos e propósitos dois anos depois, "se a confiança fosse mantida".

Em troca, sustenta a promotoria, Jérôme Valcke prometeu "fazer o que estivesse ao seu alcance" para que o beIN se tornasse o difusor nessas regiões das Copas de 2026 e 2030: algo que se cumpriu em 29 de abril de 2014 , em um acordo que a Fifa não tentou desfazer depois.

Do ponto de vista judicial, porém, não se trata de "corrupção privada": a acusação teve de abandonar esse prazo devido a um "acordo amigável" no final de janeiro entre a Fifa e Nasser Al-Khelaifi, cujo conteúdo não foi divulgado. Agora, Jérôme Valcke terá de explicar porque "guardou para ele" algumas regalias "que deveriam ter ficado para a Fifa".

Como funcionário da instância, sua obrigação de "devolver" o dinheiro recebido no cumprimento de suas funções "também se aplica a subornos", segundo decisão de 25 de março.

Nasser Al-Khelaifi, ex-tenista que se tornou um dos homens mais influentes do futebol mundial, vai responder por sua "instigação à gestão injusta", pela qual pode ser condenado a cinco anos de prisão.

Possível primeiro veredito na Suíça 

No segundo caso, Jérôme Valcke terá de responder, entre outras acusações, por "repetida corrupção passiva" e "gestão injusta agravada", juntamente com o empresário grego Dinos Deris, de 63 anos.

O ex-jornalista do Canal + teria recebido 1,25 milhão de euros, em três pagamentos em 2013 e 2014, para favorecer a concessão na Grécia e na Itália dos direitos transmissão de várias Copas do Mundo.

A defesa também tem outro ângulo de ataque: as denúncias de conluio decorrentes de três reuniões secretas em 2016 e 2017 entre o presidente da Fifa Gianni Infantino e o ex-chefe do Ministério Público suíço, Michael Lauber, ambos sujeitos a uma investigação "obstrução da ação penal".

Parte denunciante em ambos os casos, a Fifa exige a devolução de "entre 1,4 milhão e 2,3 milhões de euros" a Valcke por ter desfrutado de Villa Bianca por 18 meses. Também pede 1,25 milhão de euros de seu ex-secretário-geral e Dinos Der.

Se o processo chegar ao fim, será o primeiro veredicto pronunciado na Suíça, sede da maioria das organizações esportivas internacionais, sobre os vinte processos abertos há cinco anos em torno da Fifa.

Em abril passado, o tribunal criminal federal foi forçado a encerrar um processo iniciado em março por suspeitas de corrupção na atribuição da Copa do Mundo de 2006 à Alemanha; primeiro adiado por conta da covid-19, este caso envolvendo o ex-jogador de futebol 'Kaiser' Frank Beckenbauer acabou prescrevendo.


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