Em meio à pandemia, Barcelona lida com renúncias em massa de dirigentes
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Em meio à pandemia, Barcelona lida com renúncias em massa de dirigentes

Presidente do clube, Josep Maria Bartomeu é acusado de corrupção

Por
AFP

Barcelona vive uma crisem em meio à pandemia


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Em meio à suspensão do futebol causada pela pandemia do coronavírus, o Barcelona encara uma crise no alto escalão de sua diretoria com a renúncia de seis dirigentes, um dos quais acusou o presidente, Josep Maria Bartomeu, de corrupção, o que foi negado pelo clube.

"Chegamos a este ponto (de entregar os cargos) ao não nos vermos capazes de reverter os critérios e as formas de gestão do clube diante dos importantes desafios do futuro e, em especial, a partir do novo cenário pós-pandemia", explicaram os dirigentes de saída, em carta enviada aos sócios do clube.

"O que queríamos era sair juntos para mandar uma mensagem aos sócios", declarou nesta sexta-feira (10) à rádio Rac1 o agora ex-vice-presidente Emili Rousaud, um dos dirigentes a entregar o cargo. Ele era considerado até então um dos possíveis substitutos de Josep Maria Bartomeu nas próximas eleições presidenciais, previstas para o ano que vem.

Estes dirigentes, entre eles Enric Tombas, tesoureiro do Barcelona, afirmaram estar principalmente decepcionados com o escândalo conhecido como 'Barçagate'. "Também devemos apontar nosso desencanto com o infeliz episódio das redes sociais, conhecido como 'Barçagate', do qual ficamos sabendo através da imprensa", afirmaram.

O escândalo consistiu no uso da empresa I3Ventures para supostamente influenciar as redes sociais no intuito de desprestigiar adversários políticos e críticos do presidente Bartomeu e melhorar a imagem pública da administração do clube.

"Para os questionamentos de que tentamos desprestigiar pessoas ou entidades através das redes sociais, a resposta é não", afirmou em fevereiro Bartomeu, quando explodiu o caso. Ele explicou que a I3Ventures foi contratada apenas para monitorar a internet para o Barcelona.

'A mão no caixa'

A rádio Cadena Ser havia informado na época que o Barcelona desembolsou um milhão de euros para contratar os serviços da empresa, pagos em diversas parcelas para que o dinheiro não fosse notado pelos controles financeiros internos. Após estas acusações, Bartomeu anunciou uma auditoria interna para averiguar qualquer irregularidade.

"Se os auditores nos dizem que o custo destes serviços é de 100.000 euros e pagamos um milhão, é porque alguém meteu a mão no caixa", acusou nesta sexta-feira Rousaud. "Este contrato havia sido dividido em pagamentos de 200.000 euros para que não fosse notado pela comissão de controle", completou o agora ex-vice-presidente do clube.

"O FC Barcelona nega categoricamente qualquer ação suscetível de ser classificada de corrupção e se reserva a interposição de ações penais que possam corresponder", se defendeu nesta sexta-feira o clube em comunicado.

Os dirigentes que saíram pediram que, "uma vez apresentado o resultado da auditoria, sejam atribuídas responsabilidades assim como o eventual ressarcimento patrimonial que corresponde".

O Barcelona afirmou que a auditoria "ainda está em andamento e, portanto, sem nenhuma conclusão", garantindo que o clube forneceu todas as informações pedidas pela empresa auditora contratada.

Remodelação da diretoria -

Os agora ex-dirigentes também recomendaram "que, assim que as circunstâncias permitirem, sejam convocadas novas eleições para que o clube seja gerido da melhor maneira possível diante dos importantes desafios do futuro imediato". Contudo, Rousaud se mostrou convencido de que Bartomeu irá cumprir todo o mandato, que termina no ano que vem.


O Barcelona afirmou nesta sexta-feira que as demissões fazem parte da "remodelação da diretoria impulsionada pelo presidente Bartomeu esta semana e que será completada nos próximos dias".