"Estou assumindo um excelente time", diz Pia Sundhage na apresentação do comando da seleção feminina

"Estou assumindo um excelente time", diz Pia Sundhage na apresentação do comando da seleção feminina

Treinadora avaliou que há muito trabalho a ser feito e afirmou que um dos primeiros desafios é conquistar Marta

AE e Agência Brasil

Treinadora assinou contrato por dois anos

publicidade

A seleção brasileira feminina da treinadora sueca Pia Sundhage deverá unir a mentalidade e a atitude das norte-americanas, a organização tática das suecas e a técnica característica do futebol brasileiro. Ao menos é isso que deseja a comandante, que foi apresentada oficialmente nesta terça-feira, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro. Após uma saudação inicial do presidente da instituição, Rogério Caboclo, ela recebeu a camisa da comissão técnica do time brasileiro e concedeu uma entrevista coletiva. 

Logo no início da entrevista a treinadora falou do sentimento de assumir o Brasil: "Estou muito orgulhosa e feliz por olhar ao meu redor e sentir futebol. E eu adoro isto. Acompanhei a seleção na Copa do Mundo. Estou assumindo um excelente time. Eu fico muito empolgada em ver o Brasil". Além disso, ela comparou o momento que vive agora com o que encontrou em 2008 ao chegar à seleção feminina dos Estados Unidos.

"Amo futebol, amo desafios. Foi uma situação parecida nos EUA. Eles nunca tinham tido uma técnica estrangeira antes. É uma situação parecida. Esse tipo de desafio é algo do qual me orgulho muito, e que me orgulho de fazer novamente, e de dar o próximo passo para a seleção brasileira".

Sonho olímpico

Tendo a disputa dos Jogos Olímpicos de 2020 como primeiro grande desafio, a treinadora sueca falou que a medalha de ouro é uma possibilidade, mas para alcançá-la é necessário "trabalhar muito". E o maior desafio nesta tarefa é fazer algumas mudanças: "A seleção brasileira precisa mudar. Mas não acho que precisa ser uma mudança muito radical. Pois, se isto acontecer, vamos perder a confiança. Cheguei aqui para equilibrar essa situação. Para fazer uma mudança que faça diferença Preciso conhecer as jogadoras ainda. Já estudei bastante a seleção, mas preciso conhecê-las. Não posso mexer nos alicerces da equipe", considerou.

Ao mesmo tempo, porém, ela deu a entender que a manutenção da seleção permanente, prática usada pelo ex-técnico Osvaldo Alvarez, o Vadão, não será mantida. "A Cristiane, por exemplo, pode estar com vontade de vencer hoje, pode estar com vontade de vencer amanhã, mas tem de estar com vontade de vencer também na Olimpíada", completou a técnica, dando a entender que fará convocações com o que tiver de melhor no momento, e não apenas pelo histórico na seleção.

Relação com Marta

Pia também foi questionada sobre sua futura relação com a atacante Marta, principal jogadora da seleção brasileira. "Pretendo ser bem respeitosa. Ela tem o coração no futebol muito intenso. Vou tratá-la com respeito. Não sei que posição vai assumir em campo, pois é cedo demais para falar. É preciso primeiro ganhar o respeito dela e criar uma relação. Mas diria que não é só a Marta, mas o time inteiro. Podemos ter estrelas no Brasil, nos EUA e na Suécia. Porém, no final das contas é a equipe inteira que conta. Tentamos fazer com que cada uma dê o melhor de si. E acho que Marta sabe disso", afirmou a técnica.

Renovação

Pia assinou com a CBF um contrato de dois anos, prorrogáveis por mais dois. Considerada uma das melhores treinadoras do mundo, ela tem tudo para permanecer na seleção pelo prazo máximo - a menos, claro, que algo muito errado aconteça pelo caminho. É justamente por olhar lá na frente que a sueca já sabe que terá muito trabalho não apenas treinando a seleção principal, mas também olhando o que é feito antes disso. 

Ela preferiu não revelar se terá como função coordenar as equipes de base do futebol feminino, mas deixou escapar que essa será, sim, uma de suas funções. "Meu primeiro passo é entender como as coisas funcionam", disse. "Mas, se você quer que a seleção jogue um futebol excelente não só ano que vem, mas também no longo prazo, você precisa ter um time sub-16 e sub-17 muito bom também", pontuou. 

O presidente Rogério Caboclo afirmou que "tudo o que for preciso" estará à disposição da treinadora. "A Pia irá conjugar a qualidade e excelência técnica com a qualidade das jogadoras que temos", exaltou o cartola. "Ela vai exercer um trabalho de revolução do futebol feminino no Brasil".


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895