Gareca rebate Messi sobre armação para o Brasil vencer: "É preciso ter provas muito sólidas"
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Gareca rebate Messi sobre armação para o Brasil vencer: "É preciso ter provas muito sólidas"

Técnico peruano valorizou o vice-campeonato da Copa América e afirmou que "não gostaria que os sul-americanos fossem abordados como corruptos"

Por
AFP, AE e Correio do Povo

Técnico negou rumores de que treinaria a Argentina, seu país natal

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Ao contrário da conduta da Argentina, a seleção do Peru evitou culpar a arbitragem e a Confederação Sul-Americana de FuteboL (Conmebol) pela derrota na final da Copa América para a Seleção Brasileira neste domingo, no Maracanã. O técnico Ricardo Gareca discordou de Messi sobre a possibilidade de haver corrupção na entidade que organiza o torneio. "Messi é uma voz autorizada, mas não significa que concorde com ele. Respeito o jogador, o homem. Não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Creio que ele parece ser uma pessoa bem centrada, mas eu não gostaria que os sul-americanos fossem abordados como corruptos", disse o treinador, que também é argentino

O profissional de 61 anos afirmou que a modalidade no subcontinente deve ser valorizada. "Na Europa há coisas boas, mas nós também temos e gostaria de defender o futebol sul-americano. Para falar de corrupção, é preciso ter provas muito sólidas", analisou. Acostumado a dar poucas entrevistas, o craque argentino mudou sua conduta e desabafou contra a arbitragem da competição e a Conmebol após a vitória por 2 a 1 sobre o Chile, que garantiu o terceiro lugar à sua seleção. "Não fui à premiação porque nós não temos que ser parte desta corrupção. Nos faltaram com respeito durante toda esta Copa. Não nos deixaram chegar na final", afirmou o camisa 10, que também disse que a "Copa América está armada para o Brasil".

Ele disse também considerar que o resultado da final foi justo e que o Brasil foi merecedor. afirmou que o Peru melhorou desde o início da competição, teve seu momento na partida, mas os anfitriões souberam aproveitar bem as oportunidades. "Somos uma seleção que melhorou e vai melhorar. Se vermos desse ponto de vista, me deixa tranquilo. Isso não quer dizer que não há motivo de superação e de rever, porque temos que melhorar cada vez mais”, comentou ele, que rejeitou rotular o Peru como o time revelação da Copa América. "É uma seleção experiente. Não se pode dizer que é uma revelação”, completou.

O treinador voltou a elogiar sua equipe: "Devemos nos superar ainda mais, somos uma seleção que melhorou e continua melhorando", considerou. "Temos que seguir insistindo e manter a humildade", acrescentou Gareca, um dos grandes responsáveis pela classificação do Peru à Copa do Mundo da Rússia de 2018, 36 anos depois de sua última participação na Espanha em 1982.

Sobre o boato de que pode substituir Lionel Scaloni no comando da Argentina, Gareca foi assertivo e afirmou que pretende cumprir seu contrato com a seleção peruana, que tem validade até 2021 e pode ser renovado caso a equipe se classifique à Copa do Mundo do Catar, em 2022. "Tenho um grande respeito pelo meu país, tenho muito carinho, sou argentino, amo meu país. Mas tenho um contrato com um país que me ofereceu tudo, me deu tudo. Para além de qualquer situação que envolva clubes, países, o que seja, eu estou acostumado a respeitar contratos", apontou.

"Na minha carreira já fui favorecido, já fui prejudicado"

Na final deste domingo, o juiz assinalou, com direito à confirmação com a ajuda do árbitro de vídeo, um pênalti polêmico a favor do Brasil. Os jogadores peruanos reclamaram muito, mas Gareca preferiu não entrar em polêmica. Apesar disso, o treinador indicou que o VAR precisa ser aperfeiçoado e pediu que as imagens geradas pela tecnologia e os áudios dos árbitros sejam expostos.

"O pênalti eu não sei, estava tão longe. Tenho informações diversas. Eu não saberia dizer. Na minha carreira já fui favorecido, já fui prejudicado. Faz parte", declarou. "Depois vamos entrar num debate sobre o que manter, o que incluir. Vai melhorar aos poucos, para que não se tenha tantas dúvidas e que os árbitros tenham mais segurança. Seria bom se nós soubéssemos o que acontece, o que falam. Se não, se alimenta qualquer tipo de suspeita", completou.