Inter

Fernandão, o adeus de um ídolo

Velório do ídolo do Inter acontece em Goiânia

Ídolo colorado Fernandão morreu nesse sábado em acidente de helicóptero
Ídolo colorado Fernandão morreu nesse sábado em acidente de helicóptero Foto : Diego Vara / CP Memória
O Inter e sua torcida perderam um grande ídolo, um dos maiores da história colorada. Fernandão, que um dia cantou “Vâmo, vâmo Inter!” diante de uma arquibancada lotada e em êxtase após a conquista do Mundial, em 2006, sofreu um acidente de helicóptero em Aruanã, no interior de Goiás, na madrugada deste sábado. Socorrido, morreu a caminho do hospital. Outras quatro pessoas, que também estavam no helicóptero, faleceram. As causas serão investigadas.

• Mais informações do acidente de Fernandão


A notícia mobilizou os colorados. Emocionados, milhares se foram à avenida Padre Cacique, em frente ao estádio Beira-Rio, no fim da tarde desse sábado em homenagem ao ídolo. Com camisetas do Inter, sinalizadores e instrumentos, o grupo cantou músicas da torcida e levou flores ao memorial do estádio, ao lado do portão de entrada. Os torcedores não puderam entrar no Beira-Rio, que já está cedido à Fifa para a Copa do Mundo. O velório de Fernandão acontece em Goiânia.

Fernando Lúcio da Costa nasceu em 18 de março de 1978 em Goiânia. Começou sua carreira no Goiás e passou por Marseille e Toulouse, da França. Mas foi no Inter que se encontrou. A camisa vermelha lhe caía bem. Era uma segunda pele. Com ela, marcou sua trajetória com grandes títulos e um espírito de liderança inconfundível. “É inacreditável. Ainda estou sob o impacto desta notícia. O Fernandão foi o maior ídolo da nossa história. Eu digo isso desde o momento que levantou a taça do Mundial, em 2006”, lamentou o ex-presidente do Inter Fernando Carvalho.

Fernandão chegou ao Inter em 2004. Logo na estreia, marcou o gol 1000 em Gre-Nais. Ganhou uma placa no Beira-Rio e a admiração eterna dos torcedores desde o seu primeiro jogo. Depois, foi o capitão colorado nas conquistas da Libertadores e do Mundial em 2006, entre outros.

Marcou gols memoráveis, fez jogadas incríveis. Tinha certa elegância para jogar. Era grande. Erguia-se sobre seus quase 2 metros e “enxergava o jogo”. Era dono de uma cabeçada potente, de passes perfeitos, mas a inteligência com a bola nos pés era sua principal característica.

Em 2008, Fernandão surpreendeu o Estado ao anunciar sua transferência para o Al-Gharafa, do Qatar. Deixou o Inter com a promessa de um dia voltar. Dois anos mais tarde, tentou regressar para o clube que amava sem constrangimento. “Vou voltar. Pode ser como jogador, treinador ou mero torcedor”, previu.

Ele cumpriu a promessa. Mas não de primeira. Depois de uma negociação cheia de mal-entendidos com os dirigentes colorados, acabou no Goiás. Jogou pouco e foi para o São Paulo. Um dia, no Beira-Rio, pelo Brasileirão de 2010, marcou com um gol contra o Inter. E não comemorou.

O destino, porém, o trouxe de volta para casa. Depois de encerrar a carreira devido a um problema crônico no púbis que o impediu de manter o mesmo rendimento de outrora, voltou ao Inter em 2012. Chegou para ser diretor executivo, mas logo passou a técnico. Entre julho e novembro daquele ano, comandou o Inter da casamata.

Desgostou-se no cargo, foi abandonado por antigos companheiros e deixou o cargo de forma prematura. Sua trajetória como técnico ficou marcada por ter acusado os jogadores, após uma derrota no Beira-Rio, de estarem na “zona de conforto” — o que, diga-se de passagem, era verdade. No ano seguinte, passou a dedicar-se aos negócios da família. Este ano, foi convidado para participar da cobertura da Copa como comentarista de TV.

Fernando Lúcio da Costa deixa esposa e um casal de filhos, além de uma legião de amigos, um exército de admiradores e uma torcida inteira de luto.





 
Bookmark and Share Bookmark and Share