Inter muda postura e deve voltar ao mercado sul-americano

Inter muda postura e deve voltar ao mercado sul-americano

Derrota para o Táchira gera novas avaliações entre a direção de que o elenco precisa de mais jogadores para suportar a temporada 2021

Fabrício Falkowski

Avaliação atual é de que o grupo não será suficiente, nem numericamente, nem tecnicamente, para suportar a participação do clube em três competições

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A continuidade do trabalho de Miguel Ángel Ramírez no Beira-Rio não corre qualquer risco. Ele não cai, mesmo se o Inter deixar escapar o título do Gauchão ou mesmo que seja desclassificado ainda na primeira fase da Libertadores. Porém, outras convicções começam a desmoronar. A confiança no atual grupo de jogadores e a crença de que as categorias de base serão suficientes para suprir o time em caso de necessidade não são mais as mesmas que eram há duas semanas. A derrota na Venezuela para o Deportivo Táchira, de virada por 2 a 1, foi fundamental nesta mudança.

O Inter vive severa crise financeira. Desde o início do ano, reduziu o grupo e desinchou a folha de pagamentos em quase R$ 3 milhões mensais com a saída de jogadores como D’Alessandro e Uendel, entre outros. A ideia era seguir assim, mas o tropeço diante dos venezuelanos foi fatal. A avaliação atual é de que o grupo não será suficiente, nem numericamente, nem tecnicamente, para suportar a participação do clube em três competições simultaneamente como Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, nas quais os adversários serão bem mais fortes do que os enfrentados até aqui.

Por isso, a despeito de suas dificuldades de caixa, o clube voltou ao mercado. Pelo menos um zagueiro mais experiente, que possa fazer companhia a Victor Cuesta, e um lateral esquerdo, que rivalize pela posição com Moisés, devem ser buscados. Como não há dinheiro, e o mercado internacional se encerra até o final de maio, os reforços devem ser buscados no Brasil ou entre os jogadores cujo contrato se encerra em breve. Um nome observado é o de Francisco Ortega, 22 anos, do Vélez Sarsfield, cujo vínculo se esgota no final de junho.

A lacuna mais flagrante é na zaga. Além de Cuesta e Zé Gabriel, que são considerados os titulares, Ramírez só tem à disposição Lucas Ribeiro e Pedro Henrique, ambos jovens. Ou seja, além de técnica, há escassez numérica. O treinador, entretanto, não faz qualquer tipo de pressão. Ele foi informado sobre a situação financeira do Inter antes de aceitar a proposta. Por isso, não reclama. Ao invés disso, procura no grupo opções para minimizar as faltas. “Eu sei a situação que o clube passa”, disse ele, na entrevista que sucedeu a derrota na Venezuela. Ontem mesmo, exercitou a criatividade e observou dois jovens, que treinaram com o grupo principal.

O primeiro é o atacante Enzo, filho de ninguém menos que Fernandão, ídolo colorado, capitão da conquista mundial, morto em um acidente de helicóptero em 2014. O jogador tem 18 anos e, segundo pessoas que acompanham a sua evolução, herdou características do pai. Outra novidade do trabalho de ontem no CT Parque Gigante foi a presença do atacante Juan Manuel Cuesta, de 19 anos, contratado há um mês do Independiente Medellín, da Colômbia. Nenhum deles jogará o Gre-Nal deste domingo, mas ambos entraram no radar de Ramírez.

 

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