COI investigará Belarus por suposta tentativa de obrigar atleta a voltar ao país

COI investigará Belarus por suposta tentativa de obrigar atleta a voltar ao país

Krystina Tsimanouskaya diz temer pela sua segurança e almeja receber visto humanitário na Polônia

AFP

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O Comitê Olímpico Internacional anunciou, nesta terça-feira (3), que vai investigar Belarus pela suposta tentativa de obrigar uma atleta de sua delegação, refugiada na embaixada da Polônia em Tóquio, a voltar para seu país depois de criticar seus treinadores. Krystina Tsimanouskaya diz temer pela sua segurança se voltar para Belarus e deve viajar para a Polônia nesta semana após receber um visto humanitário.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, acusou Belarus nesta terça-feira de um "ato de repressão transnacional" pela suposta tentativa de obrigá-la a voltar para casa.

Tsimanouskaya passou a noite de segunda para terça-feira na embaixada da Polônia em Tóquio. A Polônia denunciou uma "tentativa criminosa" de sequestrar a atleta. "Garantimos que Krystina Tsimanouskaya está a salvo na embaixada da Polônia em Tóquio e, se for necessário, ofereceremos a possibilidade de continuar sua carreira", escreveu no Facebook o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki.

A atleta planejava permanecer na embaixada de Tóquio até sua viagem a Varsóvia, provavelmente na quarta-feira, escreveu no Twitter o dissidente bielorrusso instalado na Polônia, Pavel Latushka.

O marido de Tsimanouskaya, Arseny Zdanevich, explicou à AFP que fugiu de Belarus e que espera se encontrar com sua esposa "em um futuro próximo". De acordo com o preprarador físico, de 25 anos, o país não é mais seguro para ele.

Críticas

Tsimanouskaya, especialista nos 200 metros, criticou a federação bielorrussa de atletismo depois que tentaram obrigá-la a correr em uma prova de revezamentos. Segundo ela, essas críticas provocaram a tentativa de enviá-la para casa à força.

O homem forte de Belarus, Alexander Lukashenko, reprimiu qualquer forma de dissidência desde o início dos protestos após as eleições do ano passado, consideradas injustas pelo Ocidente.

A atlera foi uma das mais de 2.000 figuras do esporte bielorrusso que assinaram uma carta aberta pedindo novas eleições e a liberdade dos presos políticos. A Polônia é muito crítica ao governo de Lukashenko e se tornou o lar de um crescente número de dissidentes.

"Abuso preocupante" 

O grupo Global Athlete pediu ao COI que suspendesse imediatamente o comitê olímpico de Belarus e permitisse aos atletas do país competirem como atletas neutros.

Segundo a ONG, o "suposto sequestro de Tsimanóuskaya é mais um exemplo do preocupante abuso dos atletas em Belarus". Também acusou o COI de não proteger os atletas e de enviar a mensagem de que sua segurança era "secundária à realização dos Jogos".

O porta-voz do COI, Mark Adams, afirmou que o organismo estava iniciando uma investigação formal e que também esperava receber nesta terça-feira um comunicado do comitê olímpico de Belarus.

"Vamos precisar estabelecer os fatos", disse à imprensa em Tóquio, acrescentando que o COI "precisaria ouvir todos os envolvidos".

Questionado sobre a segurança dos outros atletas da equipe nos Jogos, Adams explicou que as equipes do COI e de Tóquio-2020 se encontravam na Vila Olímpica e que poderiam ser consultados caso fosse necessário.

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