Saúde avança décadas em meses e aposta na telemedicina para guiar futuro

Saúde avança décadas em meses e aposta na telemedicina para guiar futuro

Profissionais apostam nos benefícios da revolução tecnológica para se aproximarem do público e enfrentarem a demanda reprimida

Por
Correio do Povo

Adaptação à telemedicina será essencial no setor nos próximos anos


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Um dos setores com maior evidência durante estes cinco meses de pandemia foi a saúde. Desde as dificuldades enfrentadas em hospitais com falta de leitos, passando pelo esforço conjunto de profissionais para salvar vidas, até a redenção com pacientes recuperados do Covid-19, não há palavras que mensurem a importância da estrutura hospitalar gaúcha na luta contra o vírus. A telemedicina, por exemplo, foi um dos principais ganhos que ficará de legado para o setor.

Os primeiros meses de batalha foram de medo e angústia ao se deparar com um vírus que pouco se conhecia. Assim como em outros setores, houve um processo de adaptação e agora há uma sensação de maior preparo para o que ainda vem pela frente. Para Antonio Kalil, diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa de Porto Alegre, o momento de pandemia também mostrou que a tecnologia é uma excelente aliada e vinha sendo mal aproveitada nos últimos anos. “O SUS demonstrou ser muito importante neste momento em todo país. No Rio Grande do Sul, as diferenças regionais acabaram que onde o sistema público funciona adequadamente foi possível oferecer uma estrutura muito boa para os pacientes”, destaca Kalil.

Para ele, em três ou quatro meses o avanço foi maior que nos últimos 15 anos. “Hoje, o médico que não se adaptar à telemedicina, por exemplo, vai acabar perdendo espaço”, diz. O diretor médico da Santa Casa lembra que há inúmeras utilidades nesse processo tecnológico, tais como consultas, acompanhamentos de exames, ajuste de medicação, tudo isso sem necessidade de algo presencial. “Não vai substituir o atendimento presencial, mas facilitará a vida de muitos pacientes”, analisa Kalil.

O diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa de Porto Alegre projeta muitos desafios pela frente a partir deste avanço no setor. De acordo com Kalil, a Saúde está passando por uma era de revolução tecnológica, onde a inteligência artificial é um outro ponto que está transformando a Medicina e vai trazer muitos benefícios no futuro. Em algumas áreas num prazo mais curto, como na radiologia, onde já existem robôs fazendo diagnóstico e indicando tratamentos na oncologia, ou ainda programas que verificam automaticamente se há algum erro na prescrição médica de acordo com o perfil do paciente. “Para procedimentos cirúrgicos também existem diversas opções. Tudo isso vai fazer parte da nossa realidade daqui para frente”, comenta.

Uma das mudanças projetadas para o pós pandemia está relacionada com os protocolos de higiene e segurança. Os especialistas defendem que as restrições e isolamento em hospitais devem ficar como legado e desafio para o futuro, trabalhando num ambiente esterilizado, na maioria dos casos, além do álcool gel que não era tão presente nos hospitais, ajudando na prevenção. Ao mesmo tempo em que deve ser desafiada para acompanhar o passo da tecnologia, Kalil prevê um futuro obscuro para a área quando o assunto é fake news. Ciência e pesquisa caíram em descrédito e precisam lutar contra a desinformação. “Falamos dos pontos positivos da tecnologia, mas a internet também favoreceu a propagação de informações falsas por parte de pessoas mal intencionadas oferecendo tratamentos milagrosos sem nenhuma base científica. Certamente isto será um grande desafio para nós, médicos, e para a sociedade consequentemente”, ressalta.