Micro e pequenas empresas concentram 80% das vagas em 2022, aponta Caged

Micro e pequenas empresas concentram 80% das vagas em 2022, aponta Caged

Setor foi um dos mais impactados pela pandemia e, com o aquecimento do comércio e dos serviços, voltou a contratar

R7

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O desemprego no Brasil atingiu o menor nível desde 2016 em maio deste ano, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Um dos reflexos foi o aumento elevado do número de vagas de emprego nas pequenas e microempresas. Isso porque 80% das vagas criadas neste ano foram ofertadas por esse setor, mostra o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

O economista Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre, explica que os números condizem com o reaquecimento da economia no pós-pandemia. “No começo de 2021, teve aquela segunda onda que foi muito grande, então tinha restrição por parte do governo e das pessoas, e a atividade econômica estava muito desaquecida. Em 2022, depois da onda provocada pela variante ômicron, a economia tem dado sinais positivos e isso reflete no mercado de trabalho", afirma Tobler.

A concentração de vagas nas empresas menores acontece porque foram elas que sofreram mais com as restrições e com a pandemia de Covid-19, por terem menos fôlego e capacidade produtiva para superarem momentos difíceis.

Então, com o aquecimento do comércio e do setor de serviços, as micro e pequenas empresas voltaram a contratar. O problema, relata Tobler, é que as vagas tendem a ter rendimento mais baixo, já que muitas vezes os empresários precisam apertar a margem de lucro e têm dificuldades na contratação. “É o cenário de inflação alta com atividade econômica baixa que cria esse problema”, explica o economista.

A melhora da economia e da geração de mais vagas de emprego vai depender, porém, do controle da inflação alta no curto e médio prazo e do controle dos juros altos, que dificultam o acesso ao crédito.

A expectativa, contudo, não é tão boa, já que o Banco Central deu sinais de que o controle inflacionário não seguirá de acordo com as boas previsões do começo do ano. Existem, ainda, as eleições, que conturbam o cenário político e econômico, e ocorrem agora, no segundo semestre do ano.

A tendência, portanto, é de desaceleração econômica, com consequente diminuição do número de vagas de emprego. “Para termos uma retomada mais forte da renda vai depender muito da melhora do ambiente econômico, o controle da inflação e os juros não subirem tanto”, conclui.


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