Assentamento 20 de Novembro é contemplado com projeto de sustentabilidade social

Assentamento 20 de Novembro é contemplado com projeto de sustentabilidade social

Dentre as ações, plano prevê placas de energia solar e cisterna captação da água da chuva

Correio do Povo

Assentamento 20 de Novembro está localizado na rua Barros Cassal, no bairro Floresta, em Porto Alegre

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Os projetos desenvolvidos pelo Morar Sustentável, iniciativa do Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul (Saergs) que propõe benfeitorias com sustentabilidade e uso consciente dos recursos naturais, foram apresentados na manhã deste domingo aos moradores do Assentamento 20 de Novembro, da Cooperativa de Trabalho e Habitação 20 de Novembro, na rua Barros Cassal, no bairro Floresta, em Porto Alegre.

Eles foram aprovados pelo Saergs em conjunto com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RS (CAU/RS), tendo como ponto de partida um diagnóstico realizado pelo arquiteto e urbanista Márcio DÁvila. “O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RS (CAU/RS) estabeleceu em norma que 2% de sua arrecadação seria disponibilizado em editais públicos para projetos de assistência à moradia de interesse social. A partir daí foi lançado em 2017 o primeiro edital”, recordou a presidente do Saergs, Maria Teresa Peres de Souza.

Em função das características e exigências foi escolhido o 20 de Novembro que já tinha recursos federais do programa Minha Casa, Minha Vida-Entidades para que “pudesse serem feitas ações complementares”. De acordo com Maria Teresa Peres de Souza, as 40 famílias do assentamento tinham interesse em algumas ações para o imóvel, mas que inexistiam recursos. A presidente do Saergs contou que essas ações “dariam condições mais adequadas de sustentabilidade para o uso do prédio e até a perspectiva de redução de gastos de manutenção futura pelas famílias”.

De acordo com ela, a entidade ofereceu a proposta para a seleção do CAU/RS. Após estudo de viabilidade, a proposta de autoria do arquiteto e urbanista Evandro Medeiros foi contemplada. Ele lembrou que os projetos aprovados reúnem “conceitos de sustentabilidade para trazerem uma melhor condição de vida”. A proposta dele possui cinco ações: estudo luminotécnico para aproveitamento da luz solar e artificial, placas fotovoltaicas para emprego da energia solar, cisterna de 10 mil litros para captação da água da chuva, impermeabilização do terraço e piso elevado. “Neste domingo mostramos aos moradores o andamento das propostas. Estamos na fase final”, frisou, acrescentando que uma cartilha deve ser confeccionada para “servir de modelo pra outra experiência de habitação social”.

A presidente da Cooperativa de Trabalho e Habitação 20 de Novembro, Ceniriani Vargas da Silva, contou que a entidade nasceu de um processo de ocupação de um imóvel na esquina da avenida Mauá com a rua Caldas Júnior, na área central da cidade, em 2006. “Fomos despejados em 2007”, lembrou. As famílias viveram um período em uma área do município na avenida Padre Cacique, sendo removidas em função da Copa do Mundo. Elas então negociaram a ocupação do prédio abandonado da rua Barros Casal, de propriedade federal, onde deveria ter sido construído um hospital para uma associação dos ferroviários. A mudança de endereço ocorreu em 2012.

“A obra parou há mais de 50 anos”, observou. “A União definiu que imóveis do governo federal em abandono ou subutilizados seriam revertidos para moradia popular. Iniciou-se então o processo de negociação por esse prédio”, explicou, apontando que 40 famílias vão residir no local quanto tudo estiver pronto. “Hoje moram 16 famílias”, calculou. Ceniriani Vargas da Silva afirmou que a experiência da 20 de Novembro deve transformar-se em “modelo” para a moradia popular.

Ela adiantou que o local abrigará também espaços de geração de renda e também de atividades culturais, horta comunitária, entre outros. “É pensar os vários elementos que compõem a moradia”, resumiu, destacando que existem várias parcerias para a transformação da área. 


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