AstraZeneca inicia testes com medicamento para prevenir e tratar Covid-19

AstraZeneca inicia testes com medicamento para prevenir e tratar Covid-19

Primeiros participantes já receberam uma dose de AZD7442, que combina dois tipos de anticorpos, explicou a empresa em um comunicado

Correio do Povo e AFP

Testes ocorrerem paralelamente à desenvolvimento de vacina pelo laboratório

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O laboratório farmacêutico britânico AstraZeneca, que desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford uma vacina contra a Covid-19, anunciou nesta terça-feira o início dos testes clínicos de um fármaco para prevenir e tratar a doença. Os primeiros participantes do ensaio denominado NCT04507256 já receberam uma dose do medicamento AZD7442, uma combinação de dois anticorpos monoclonais (mAbs), explicou a empresa em um comunicado.

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, anticorpos são proteínas produzidas no nosso organismo que ajudam o sistema imunológico a combater vírus, bactérias e câncer através do reconhecimento de antígenos. Com o avanço da biotecnologia, se tornou possível produzir em laboratório anticorpos monoclonais, ou seja, específicos para uma única região do antígeno. Para produzir um mAb, os pesquisadores primeiro identificam o antígeno que deve ser atacado.

O AZD7442 é uma combinação de dois anticorpos monoclonais derivados de pacientes convalescentes com infecção por SARS-CoV-2. Descobertos pelo Vanderbilt University Medical Center e licenciados para a AstraZeneca em junho de 2020, eles foram otimizados pela AstraZeneca com extensão de meia-vida – assim, devem oferecer pelo menos seis meses de proteção contra Covid-19. Em uma publicação recente da revista Nature, os mAbs foram usados pré-clinicamente para bloquear a ligação do vírus SARS-CoV-2 às células hospedeiras e proteger contra a infecção em modelos celulares e animais de doença.

A fase 1 dos testes da AstraZeneca, com 48 voluntários saudáveis do Reino Unido, com idades entre 18 e 55 anos, busca determinar se o fármaco é seguro e como responde ao corpo humano. O teste é financiado pelo governo americano, por meio dos Departamentos de Defesa e de Saúde. O grupo afirmou que os testes constituem uma "etapa importante" para o medicamento, que poderia ser utilizado pelas pessoas expostas ao coronavírus e pelas já infectadas.

Os resultados da fase 1 são aguardados para antes do fim do ano e, se apresentarem dados conclusivos, a AstraZeneca iniciará os testes de fase 2 e 3, em maior escala, para avaliar a eficácia do fármaco. "Este estudo é um marco importante no desenvolvimento de nossa combinação de anticorpos monoclonais para prevenir ou tratar Covid-19. Esta combinação de anticorpos, acoplada à nossa tecnologia proprietária de extensão de meia-vida, tem o potencial de melhorar a eficácia e a durabilidade do uso, além de reduzir a probabilidade de resistência viral", afirmou Mene Pangalos, vice-presidente executivo de Pesquisa e Desenvolvimento de Biofarmacêuticos.

Vacina

Em colaboração com cientistas da universidade britânica de Oxford, a AstraZeneca também está desenvolvendo um projeto de vacina contra a Covid-19 e o resultado da fase 3 dos testes deve ser publicado em setembro. Ele desperta grandes expectativas. De acordo com a imprensa, o presidente Donald Trump está considerando acelerar o processo de aprovação nos Estados Unidos. O governo britânico anunciou na segunda-feira que o Reino Unido seria o primeiro beneficiado pela vacina em caso de aprovação.


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