Caso Kiss: às vésperas de julgamento, sobreviventes e familiares começam a chegar em Porto Alegre

Caso Kiss: às vésperas de julgamento, sobreviventes e familiares começam a chegar em Porto Alegre

Expectativa é de que centenas de pessoas acompanhem o julgamento na Capital

Rádio Guaíba

Expectativa é de que centenas de pessoas acompanhem o julgamento na Capital

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Dezenas de sobreviventes e familiares das vítimas da tragédia na Boate Kiss começam a chegar nesta terça-feira em Porto Alegre para acompanhar o julgamento dos quatro réus processados criminalmente pelo incêndio que matou 242 pessoas em 27 de janeiro de 2013. A Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) não sabe estimar quantas pessoas estarão na Capital nas próximas semanas, mas a expectativa é de que o número chegue à casa das centenas.

No final desta tarde, um ônibus com 50 pessoas vai desembarcar na cidade. Este grupo foi o que recebeu uma ajuda de custo da AVTSM, viabilizada por uma vaquinha online. O montante arrecadado, que se aproxima da marca dos R$ 40 mil, garante que os envolvidos tenham acesso aos serviços básicos de hospedagem e alimentação ao longo do julgamento. O grupo também recebeu a ajuda de empresários do setor hoteleiro e do Cpers-Sindicato – entidade que abriu as portas de sua sede para abrigar 25 pessoas.

A viagem de Santa Maria a Porto Alegre, de mais de 250 quilômetros, se faz necessária em razão da batalha judicial que antecedeu o último passo do processo. Ainda no ano passado, três dos acusados (os ex-sócios da casa noturna, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, e o músico Marcelo de Jesus dos Santos) solicitaram a transferência do júri, marcado para a cidade onde ocorreu a tragédia. O pedido de desaforamento foi acatado sob os argumentos da segurança e isonomia do caso, que será avaliado por um júri popular.

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Por fim, o Ministério Público (MP/RS) conseguiu que o quarto e último réu, o assistente de palco Luciano Bonilha Leão, também fosse julgado em Porto Alegre. A manobra teve como objetivo garantir que todos fossem julgados juntos, neste que promete ser o julgamento mais extenso já realizado em todo o país. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS), os trabalhos devem se estender por 15 dias ininterruptos. Ou seja: mesmo aos finais de semana, a mobilização vai ocorrer das 9h às 22h.

Menos testemunhas

Na segunda-feira, o juiz Orlando Faccini Neto, que presidirá o júri do Caso Kiss, aceitou o pedido de dispensa de uma das testemunhas arroladas por Marcelo de Jesus dos Santos. Com isso, o total de depoentes foi reduzido a 19 – sendo cinco indicadas pelo Ministério Público, cinco pela defesa de Elissandro Spohr, cinco pela defesa de Mauro Hoffmann e quatro pela de Marcelo. A defesa do quarto réu, Luciano Bonilha Leão, perdeu o prazo para a inscrição das testemunhas e não pôde escolher nenhuma delas.

O julgamento também contará com o depoimento de 14 sobreviventes do incêndio. Quanto ao pedido de impugnação da maquete digital elaborada por uma equipe da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a pedido do Ministério Público, a decisão só será tomada em plenário. O pedido foi feito pelo advogado de Spohr, Jader Marques, na semana passada. Na oportunidade, ele anunciou que levará um segundo modelo de reconstituição 3D, desenvolvido por uma empresa privada, ao tribunal.


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