Cemitérios de Porto Alegre têm movimentação intensa no Dia de Finados

Cemitérios de Porto Alegre têm movimentação intensa no Dia de Finados

No Cemitério da Santa Casa, o túmulo do cantor Teixeirinha é um dos mais visitados

André Malinoski

Cemitérios de Porto Alegre têm movimentação intensa no Dia de Finados

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Os cemitérios de Porto Alegre recebem milhares de visitantes no Dia de Finados. Nem a temperatura de 34ºC impede as pessoas de homenagear os entes queridos no feriado. No Cemitério da Santa Casa, o túmulo do cantor Teixeirinha é um dos mais visitados. “Sou fã dele até hoje. Foi quem mais deu alegria para as pessoas por meio da música. Nunca teve alguém como ele”, elogia o aposentado Vivaldino Nunes Domingues.

Outro jazigo procurado pelos visitantes é o de Júlio de Castilhos, importante figura política da história do Rio Grande do Sul. O lema positivista “Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos” integra a decoração do túmulo. O mausoléu do general Daltro Filho, em bronze e mármore, também chama a atenção do público, assim como o de Pinheiro Machado, outro líder político do Estado. “Tivemos movimento intenso no sábado, no domingo e na segunda-feira. As pessoas intercalaram os dias de visita devido ao feriadão estendido, mas esperamos bastante público no Dia de Finados”, conta o superintendente administrativo do Cemitério da Santa Casa, Severo Pereira.

Túmulo de Teixeirinha atrai público neste feriado | Foto: Ricardo Giusti

A aposentada Aurideia Gallego chegava com flores para homenagear quatro familiares. “Sempre venho no dia 2 de novembro e, enquanto eu viver, as visitas continuarão a acontecer. Não podemos ficar tristes com a lembrança, pois é um momento de reflexão. Hoje é o dia do aniversário dos que partiram”, observa.

Na parte do Campo Santo da Santa Casa havia pessoas rezando, acendendo velas e depositando flores em torno da cruz que, além de se destacar na paisagem, abriga uma inusitada casa do pássaro joão-de-barro. Houve missa campal celebrada pelo arcebispo Dom Jaime Spengler no estacionamento do cemitério, com limite para 400 participantes. A funcionária do Cemitério da Santa Casa Luana Daniberg distribuía pequenos vasos com plantas contendo mensagens para quem deixava o local de culto e reverência aos mortos.

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Comércio de flores 

A movimentação deixa as vendedoras de flores felizes. “Não tenho noção de quanto vendi até agora. Os outros dias foram fracos. A flor que mais sai é o crisântemo”, diz Ana Márcia, cercada por clientes em busca de uma rosa ou algum buquê para ser colocado na sepultura. No outro lado da avenida Oscar Pereira, a comerciante Noeli Muller dizia que uma rosa custava R$ 5,00, enquanto uma cestinha com seis delas saía por R$ 30,00. Também havia opções de buquês de crisântemos por R$ 20,00. “As vendas estão melhores do que na segunda-feira”, compara a vendedora.

No São Miguel e Almas, que optou por estender o horário de visitação das 8h às 18h, como forma de evitar aglomerações, também era aguardado grande público. “Na semana que antecedeu o Dia de Finados começou o aumento no número de visitantes. No mínimo, deverão passar por aqui 5 mil pessoas”, estima Alceu Roque Zortéa, gerente administrativo financeiro do cemitério.

A aposentada Sandra Miranda chegava com uma rosa para visitar o túmulo da mãe. “Não vim antes por causa da pandemia, que ainda está por aí. Mas agora estou vacinada e pude vir”, relatou. Os irmãos Ivana e Luciano Barroso de Carvalho, que foram visitar familiares, pararam defronte de onde está enterrado o poeta Mario Quintana, que faleceu em 1994. “Visitamos a Casa de Cultura Mario Quintana algumas vezes”, disse ela. O vaivém de pessoas também era grande no Cemitério São José. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a Brigada Militar auxiliavam no entorno dos cemitérios do bairro Azenha. As ruas ficaram lotadas de carros estacionados e o trânsito ficou lento em alguns momentos.

No Cemitério Ecumênico João XXIII, na avenida Natal, diversas atrações eram oferecidas para os visitantes. Havia música ao vivo e “Hey Jude”, dos Beatles, tocava quando a reportagem do Correio do Povo chegava ao local. A gestora do cemitério Flávia de Barba afirmou que era esperada grande circulação de visitantes no local. “Em torno de 10 mil pessoas devem passar por aqui. Estamos medindo o volume de visitas desde quarta-feira passada. Na segunda-feira foram 3 mil visitas”, estima.

Celebrações ecumênicas

São realizadas duas celebrações ecumênicas, a primeira foi às 10h30min e a segunda às 15h30min. Equipes de músicos, com corda, violão e vocal, tocavam e cantavam os pedidos feitos pelos visitantes nas redes sociais do cemitério. Um painel de 15 metros quadrados chamado “Pássaros”, pintado pelo artista plástico gaúcho Tiago Berao, foi inaugurado no principal andar de circulação de pessoas. Na pintura se destaca um beija-flor.

Os funcionários penduraram mensagens para homenagear os familiares falecidos. Cerca de 2 mil mudas de temperos eram entregues para os visitantes, que também escreviam mensagens para os entes queridos e penduravam em galhos na árvore de memórias. “Estou vindo visitar um tio meu. Sempre gosto de vir no dia deles”, salienta a aposentada Jacira Nunes, que trazia uma rosa e recebeu um vasinho com sálvia de presente. Ela também aproveitou para deixar um recado escrito para os parentes.

Muita gente aproveita o dia ensolarado para visitar os familiares ou amigos que já partiram no Cemitério Municipal São João. Entre as árvores do local, visitantes se abrigavam do sol e limpavam as sepulturas e depositavam flores. “O movimento está razoável, mas já percebemos que vem caindo ultimamente. Acho que o feriadão contribuiu para essa queda de público, além do fato de as novas gerações não se preocuparem com idas aos cemitérios. Além disso dispararam os números de cremação. Em torno de 5 mil pessoas são esperadas hoje aqui”, avalia o chefe da Seção Administrativa de Necrópoles Alexsandro da Costa. “Vim visitar meus pais e irmão”, disse Rosa Volpatto, que costuma ir ao cemitério apenas no Dia de Finados. “Também deposito algumas flores em sepulturas que estão sem nenhuma. Tenho pena de ver túmulos sem nada”, acrescenta. Também há intensa visitação no Jardim da Paz e nos cemitérios Tristeza e Belém Velho.


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